dezembro 14, 2007

Edição 2.0.

Os Futuros do livro.

Melusina era uma das divindades aquáticas da antiguidade, uma nixie da ilha de Avalon que, no século XIV e sob o formato de contos, Jean d'Arras nos narrou, desvendando as aventuras e maldições viperinas desta ninfa.

Mas Melusina é também uma editora, fundada em 2002 na vizinha Espanha e dedicada a explorar novas visões e nichos das ciências sociais e humanas.

Mas o que de facto me importa nesta editora é um dos seus mais recentes livros: Edición 2.0. - los futuros del libro, de Joaquín Rodríguez.

Apesar de ter uma versão gratuita, que pode ser descarregada em PDF via Internet, a versão impressa apresenta-se a um valor bastante acessível e interessante, aconselhável a todos os que gostam e defendem o formato papel.

O cerne do livro diz respeito a algo que vários vêm repetindo, e que eu corroboro, a não existência de «livro», mas sim «livros». Diferentes produtos, com diferentes motivações, para diferentes públicos, em diferentes mercados. Não se trata de um produto, mas de vários produtos e cada um deles com forças e fraqueza que deverão ser ponderadas na sua relação com o suporte.

Diferentes conteúdos e públicos têm necessidades diferentes que, por vezes, um dos formatos não consegue responder apropriadamente.

Mas o melhor é lerem Edición 2.0. - los futuros del libro, assim como a entrevista que a revista Tökland fez ao editor, José Pons, e ao autor.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:35 PM | TrackBack

dezembro 13, 2007

Con Valor muda de casa

Um dos meus blogues favoritos (que sigo diariamente) pertencente ao meu colega de profissão do país irmão, Txetxu Barandiarán, acaba de mudar de casa.

Se já o seguiam, peguem no copo e sigam para o novo espaço, se não o conhecem, não sabem o que estão a perder.

Opinión Con Valor.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:33 AM | TrackBack

dezembro 12, 2007

Bertelsmann repensa áreas de negócio

Segundo a agência Reuters, algumas fontes próxima do Grupo Bertelsmann indicaram que poderá haver uma decisão de vender algumas das editoras integradas na Direct Group (Livros, DVD's e Música) para optar por áreas de negócio com maior capacidade de crescimento.

Apesar de a decisão poder se prender somente com os negócios nos EUA (ex-Direct Group North America e actual Bertelsmann Direct North America, integrada na estrutura Random House), em particular no universo Doubleday e Columbia, assim como a BMG (área da música), não foi descartada a hipótese do braço euro-asiático (independente) optar por uma estratégia semelhante ou, pelo menos, repensar a sua estratégia de aquisições.

Esta decisão vem numa altura importante, quando já se falava do interesse da Direct Group em biddings internacionais a sociedades de capitais com posições importantes no mercado editorial português e na vontade que a Bertrand/Círculo de Leitores tem em concorrer pela 1.ª posição na share do mercado nacional.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:44 PM | TrackBack

dezembro 07, 2007

5.º Salão do Outro Livro

Já na sua 5.ª edição, no próximo fim-de-semana (8 e 9 de Dezembro) irá ocorrer na Mansão de Métallos, no 11.º arrondissement de Paris, o Salão do Outro Livro.

Numa alusão directa ao Salão do Livro de Paris, a decorrer no próximo mês de Março (de 14 a 19), 65 editores independentes, quer franceses quer de outros países, expõem a sua «produção», por entre espectáculos de Jazz, debates em torno do tema «Que apoio há para a Edição Independente», ou «o livro e o mundo do trabalho».

Uma organização da Associação de Editores Independentes, com o apoio da Secours Populaire, que fará uma colecta de livros para oferta à população menos favorecida.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:11 AM | TrackBack

dezembro 06, 2007

A literatura móvel do Japão

Uma das mais inquietantes alterações das novas tecnologias dá-se ao nível da forma como se usufrui do livro e, logo, do modo como os suportes correntes alteram a forma de ler.

Para essas alterações, existe um barómetro mundial curioso: o Japão.

De facto, de quando em vez surgem notícias como esta, que demonstram como se vai mudando assustadoramente a forma como se lê para estruturas muito distantes do que é na verdade o livro.
Pouco inquietante dizem uns, pois o livro adapta-se e é capaz de ir ao encontro dessas formas de ler, mas será isso um livro?

As mensagens SMS estão ajustadas aos telemóveis, têm toda a lógica nesse universo e fazem já parte das suas forças - adaptaram a worldview do consumidor a esse formato. Para o livro, dá-se o processo oposto, é ajustar um formato e «enfiá-lo no suporte», e isso anula as suas forças (qualidade referencial decorrente do processo longo e exigente de fazer um livro, formatos longos que permitem desenvolvimentos impossíveis noutros suportes, etc.) para ajustá-lo às forças dos outros.
Um pouco como tentar colocar um carro de Fórmula 1 a fazer todo-o-terreno, não dá.

De facto, isto já não é um livro: é um substituto ou ajustamento foleiro daquilo que fazem os telemóveis, algo menos capaz e mais desinteressante. Para escrever e ler SMS, toda a gente sabe que no telemóvel ficam muito melhores.
Entendem-se, ao menos.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:35 AM | TrackBack

dezembro 01, 2007

Razões

O Madruga que me desculpe, mas já vi motivos menos esfarrapados para isto.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 08:44 AM | TrackBack

novembro 27, 2007

O Papel e o Pixel

A não perder, hoje, pelas 18h30 na Casa Fernando Pessoa, o lançamento da obra O Papel e o Pixel, de José Afonso Furtado.

A propósito das temáticas abordadas nesta obra, recorde-se a entrevista exclusiva dada por José Afonso Furtado ao Blogtailors, publicada na passada sexta-feira, aqui.

A obra será apresentada pelo Professor João Caraça.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:17 AM | TrackBack

novembro 23, 2007

Entrevista a José Afonso Furtado

«[...] devem distinguir-se pelo menos quatro níveis diferentes no que diz respeito ao impacte da digitalização na indústria da edição: o nível dos sistemas de operação; o nível da gestão e manipulação do conteúdo (a progressiva emergência do digital workflow); o nível do marketing e serviços e, por fim, o nível da distribuição de conteúdo. Se é certo que este último nível é aquele em que o impacte da tecnologias digitais na indústria da edição é potencialmente mais profundo (a disponibilização do conteúdo directamente ao consumidor final em rede e de modo electrónico e não sob a forma de um objecto físico, irá transformar todo o modelo financeiro da edição), é forçoso reconhecer que as tentativas de estabelecer um modelo de negócio com base na distribuição de activos digitais têm sido muito diversificadas e normalmente sem sucesso estabilizado. [...] Verificamos assim que, se estes quatro pontos remetem para uma revolução no produto, talvez neste momento predomine antes uma revolução no processo, aquilo a que John B. Thompson chama The Hidden Revolution, o que significa que em vez do previsto ou anunciado brave new world totalmente integrado dos circuitos digitais dos profetas dos e-books, o que parece estar a ocorrer é uma revolução nas práticas do office e do back-office, algo que a computarização trouxe para todas as indústrias baseadas na informação.»

Leia a entrevista completa em exclusiva na Blogtailors.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:45 PM | TrackBack

novembro 20, 2007

O Papel e o Pixel, 1

Rigor e actualidade são somente dois dos elogios mais directos que sou capaz de agora fazer à obra de José Afonso Furtado.
Autor incontornável nos estudos sobre o livro (e nos múltiplos suportes dos conteúdos editoriais) e a leitura, assim como no campo dos estudos sobre bibliotecas, o seu «Os Livros e as Leituras: Novas Tecnologias de Informação» (2000) – leia uma recensão da obra – é ainda uma das mais impressionantes e interessantes obras publicadas sobre a temática, e indiscutivelmente a melhor alguma vez feita em Portugal.

É agora anunciado, deste autor, uma obra já conhecida pelos demais, pois foi previamente publicada no Brasil e em Espanha (na Bibliografia de Sociologia do Livro, de Eduardo de Freitas, existente este blogue vem referenciada a edição brasileira) e que passa agora a estar disponível na língua original.
Trata-se de «O Papel e o Pixel» (Ariadne), e será apresentado no próximo dia 27, às 18:30, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa (Rua Coelho da Rocha, 16), apresentado por João Caraça.

Se ainda não o comprou, não perca agora a oportunidade.
Mais informo que a Blogtailors falou com José Afonso Furtado acerca deste livro e irá publicar - em exclusivo - uma entrevista interessantíssima na próxima sexta-feira, dia 23.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:26 PM | TrackBack

Competitividade das Artes Gráficas Europeias

Com a crescente capacidade de atracção das casas de impressão chinesas, a indústria gráfica europeia e norte-americana estão a começar a sofrer fortes quebras nos seus contratos de impressão.

Por esse motivo, a União Europeia encomendou um Estudo à Ernst & Young sobre a Competitividade da Indústria Gráfica Europeia, que foi agora apresentado.

Quem o quiser ler, pode encontrá-lo aqui.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:31 AM | TrackBack

novembro 15, 2007

Elogio da capa brochada (ou mole)

Hoje, no blog da editora inglesa, Picador:

«[...]
What is in a format? At a glance, not much. After all, a hardback is only a little bit larger than a paperback, with only slightly heavier paper which, along with its hard boards, gives it a bit more weight. Yet those few inches, and few ounces, seem to make all the difference to most people. Hardbacks are handsome, hardbacks have heft, but the place where people seem most comfortable keeping them is safely preserved on their shelves. Indeed, it’s interesting to note that for serious book collectors those attributes that increase the value of a hardback – no signs of wear or tear, no broken spine, uncut pages – would seem to militate against the very purpose for which books were created.

And it isn’t about price either. No matter how affordable publishers make hardbacks, most people don’t seem to want their reading delivered in that form. Of course there are exceptions: those lucky fiction authors whose following is big enough, and sustained enough, for people to overlook format; and for non-fiction, any book that makes a plausible Christmas gift. [...]

But the primacy of the paperback for the majority of books (the majority of fiction at least) cannot be denied. The paperback’s much celebrated, unmatchable portability, the way it fits in just about any bag, the way it flexes and bends and even dries out if you drop it in the bath: all of these things speak to the uniquely intimate nature of the reading experience, an intimacy that can’t be matched by any other media. A well-thumbed paperback tells its own story, of the magical exchange between writer and reader. The more battered the better, some would say.
[...]»

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:44 PM | TrackBack

novembro 12, 2007

Como Falar de Livros que Não Lemos?

Ontem, na New York Times, Jay McInerney surge com um texto que vale a pena ler.
O título do texto Fingindo-o (Faking it), relata o sucesso que um livro está a ter em França, permanecendo nos tops de best-sellers, cujo título é por demais interessante: Como Falar de Livros que Não Lemos? (edição portuguesa, Verso da Kapa). O livro, de carácter antropológico e não de auto-ajuda social - como enuncia a colecção da edição portuguesa -, parece estar a fazer furor e a ganhar adeptos que, talvez, possam ler este livro.

Neste país tão cioso dos seus índices de cultura, parece que a cultura não é tão forte quanto a diligência em ser culto.

Não consigo evitar repetir a citação de Oscar Wilde, de que Jay se recordou: «Nunca leio um livro que critiquei, influencia-me demais».

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:09 AM | TrackBack

novembro 09, 2007

Esta arte de editar

De uma forma crua, um editor é um industrial, alguém que adquire uma matéria-prima, uma fonte ou conteúdo, e transforma-a tendo em conta um público consumidor.
A sua arte é valorizar a matéria inicial face a um suporte específico e as necessidades/ motivações de um target determinado. Age de acordo com os objectivos determinados pela sua empresa, procurando, numa primeira fase – denominada «editorial» – criar um protótipo, ou seja, uma versão final de um produto para o mercado - antes posteriormente e hoje simultaneamente - que é adaptado a um processo industrial de reprodução e emulado em cópias sucessivas, idênticas, para ser comercializado.

Esta é a arte de editar.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:25 PM | TrackBack

novembro 06, 2007

Vida de Livreiro

Se a Internet é um bom sítio para fazer amigos, é igualmente um óptimo sítio para estar com amigos que temos cá fora.

Por esse motivo, quero dar as boas-vindas à ma chère amie Joana e ao seu blogue Vida de Livreiro.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 09:30 AM | TrackBack

novembro 05, 2007

Encontros de Literatura Infanto-Juvenil

Nos próximos dias 15, 16 e 17 Novembro, vai decorrer, na Biblioteca Almeida Garrett (Jardins do Palácio de Cristal, Porto) o 13.º Encontro Luso-galaico-franceses do Livro Infantil e Juvenil.

Recordo-me de ter visitado o encontro (anual) em 2001 e de gostado bastante do programa.

Este ano, sob a temática do «Livro à Cena», teremos, entre outra coisas, uma panorâmica da literatura dramática, exposições bibliográficas e de ilustrações, ateliês e peças de teatro infantil.
Álvaro Magalhães e Manuel António Pina dar-nos-ão o seu testemunho da escrita de teatro infantil, e uma plêiade de convidados dos três países tratarão de colocar os participantes a par do «Estado da Arte» dramática infanto-juvenil.

A não perder.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:18 AM | TrackBack

novembro 01, 2007

Mediatização de épocas

Já os ingleses dividiam o seu mundo em seasons, umas mais silly do que outras mas todas elas davam o tom e, actualmente, dão o toque que permite que muitos marchem.

É assim que, numa indústria cultural, muitas vezes os «mapas» são feitos com base nos eventos, nas épocas e nos momentos mais mediatizáveis, que permitem que toda a sociedade informacional esteja a olhar num mesmo sentido - importante num mundo actual cheio de ruídos contrários.

Digo isto em plena «época maior», o Natal, com motivações claras de compra para oferta. Mas digo-o também numa altura em que alguns eventos e «aquecimentos» poderiam ajudar a suplantar uma torrente natalícia e pontuar com quebras e motivos adicionais o mercado do livro. Falo, por exemplo, do Halloween - ainda me recordo que a Fnac decorou a loja do Chiado, não sei se no ano passado ou no outro anterior, com motivos fantásticos.
Em alguns mercados existem concursos e leitura/venda de livros de contos de horror, feiras de livros ilustrados de bruxas e feiticeiros, motivos mais do que utilizados para empurrar um pouco mais os Harry Potters e restantes followers para a frente da concorrência não posicionada nesta temática.

Já é tão difícil chamar a atenção do público para temas e livros, por que não aproveitar o facto de toda a sociedade com filhos pequenos já o estar a fazer?
Lá fora, é a abóbora nossa de cada dia.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 09:25 AM | TrackBack

outubro 27, 2007

Cadernos de Teoria da Edição

Gostaria de apresentar um novo blogue, irmão no tema, que surgiu para os lados da Avenida de Berna.
Trata-se de O Caderno de Teoria da Edição, um blogue idealizado por Rui Zink e implementado pelos seus mestrando do curso de Edição de Texto da Universidade Nova e que, esperamos nós, se irá juntar à pequena mas interessante comunidade de blogues de edição que começam a existir em Portugal.

Para já convido-vos a visitar O Caderno de Teoria da Edição.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 08:19 AM | TrackBack

outubro 26, 2007

Resumo Livros em Desassossego

A revisão da noite da Casa Fernando Pessoa irá ser feita no Blogtailors, não falte!

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 09:52 AM | TrackBack

outubro 24, 2007

Edição em Desassossego

Esta noite, na Casa Fernando Pessoa, adivinha-se um ambiente pesado e austero.

Com a discussão a rondar o tema da «Concentração Editorial», e com a presença de alguns dos responsáveis dos principais grupos editoriais, adivinha-se uma assistência repleta e pouco cooperante.
Mais uma sessão que se adivinha esgotada ou a rebentar pelas costuras, numa sala quente por todos e mais algum motivo.

Eu não vou perder, e vocês?

Livros em Desassossego, esta noite (dia 24) às 21:30, na Casa Fernando Pessoa, com João Amaral, António Lobato Faria, João Rodrigues e Francisco Vale como convidados, Inês Pedrosa apresentando o seu novo livro, muitos editores e interessados com vontade de participar, Carlos Vaz Marques a tentar controlar os ânimos e Francisco José Viegas ao canto, como interessado cicerone rezando para que esta noita a Casa não caia.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 09:00 AM | TrackBack

outubro 22, 2007

Encontro de Escritores de Torres Vedras

Vai decorrer, durante o próximo fim-de-semana, o Encontro de Escritores de Torres Vedras.

Segue abaixo a programação:

26 de Outubro

a partir das 10 horas
Leituras para Crianças nas Escolas pelo Grupo de Teatro do ATV EB1 Maxial * EB1 Freiria * Biblioteca da EB 2, 3 dos Campelos * EB1 Torres Vedras (Agrupamento de São Gonçalo).

15h30
Sessão de Abertura no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

16h
Mesa: Literatura para Crianças com Mafalda Milhões, Dora Batalim, Isabel Martins, Ana Meireles e José António Gomes (moderador).
Salão Nobre dos Paços do Concelho

21h
Noite de Poesia com Luís Filipe Cristóvão, Ozias Filho, Mário Lisboa Duarte e Rute Mota.
Livrododia – Centro Histórico

27 de Outubro

a partir das 10 horas
Leituras para Crianças pelo Grupo de Teatro do ATV.
Livrododia – Centro Histórico

15h30
Mesa: Novos Autores
com Cláudia Clemente, Golgona Anghel, Inês Leitão, Paulo Bandeira Faria e Luís Filipe Cristóvão(moderador).
Salão Nobre dos Paços do Concelho

16h40
Apresentação da Colecção Palavra Ibérica
com Luís Filipe Cristóvão, Fernando Esteves Pinto e José Carlos Barros.
Salão Nobre dos Paços do Concelho

17h30
Mesa: O Mercado dos Livros
com Miguel Real, Pedro Mexia, José Prata e Nuno Seabra Lopes (moderador).
Salão Nobre dos Paços do Concelho

Organização: Académico de Torres Vedras
Produção: Livrododia, Editores e Livreiros
Apoios: Fundição Dois Portos, Câmara Municipal de Torres Vedras, Hotel Império

Para mais informações, por favor visite a página Livrododia.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:22 AM | TrackBack

outubro 18, 2007

Operação Furacão

Segundo as diferentes fontes jornalísticas, que podem ser seguidas no Blogtailors, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), juntamente com a Inspecção Tributária da Direcção-Geral dos Impostos (IT-DGI) e a Brigada Fiscal entraram ontem pelas instalações da Porto Editora e da Texto Editora, com o objectivo de vasculharem as contas e os computadores em busca de provas de facturação falsa (branqueamento de capitais) e fuga ao fisco através da transferência de valores a tributar para sociedades off-shore.

A Operação Furacão averigua em particular os anos de 2003 a 2005 e tem centrado, até agora, a sua investigação noutros sectores e indústrias, nomeadamente o sector têxtil e as instituições financeiras.
Os valores em causa são, hipotecticamente, inferiores a 20 milhões de euros.

Ambas as empresas já confirmaram à comunicação social o facto, emitindo comunicados de imprensa e demonstrando total cooperação.

Fica o sector a aguardar que haja mais informações sobre o desenrolar destas investigações, sabendo-se que actualmente o Grupo de Paes do Amaral, gerido por João Amaral, tem um pedido de auto-averiguação da sua situação de mercado à autoridade da concorrência - para saber se existem questões de anti-trust na compra suplementar de quota do mercado escolar.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 09:15 AM | TrackBack

outubro 16, 2007

Feira do Livro de Frankfurt

Um relato-dicionário com óptimas e descritivas entradas e pratos principais servidos na Buchmesse deste ano.

Por Francisco José Viegas, a não perder. Ler aqui.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 05:03 PM | TrackBack

outubro 15, 2007

A César o que é de César

Há alguns meses atrás coloquei um ou dois posts sobre a Feira do Livro de 2007 onde, por motivos vários, acabei por ser algo injusto e pouco exacto.

Como já repararam, a Feira do Livro é uma temática que mexe comigo. Talvez seja por ter tido sempre um amargo de boca ao ver como poderia ser bastante melhor do que aquilo que é.
Talvez por isso, acabei por ser pouco tolerante e obstinado na avaliação do trabalho efectuado na última Feira. Isso, apesar de manter a minha opinião de que os erros de base do evento não foram ultrapassados e continuarão a prejudicar profundamente o futuro da Feira.

De todas as acções positivas efectuadas falo, essencialmente, do trabalho de comunicação.
Se eu comparar com outras feiras, no ano passado a Feira do Livro teve, de facto, comunicação.
Posso não concordar com o modelo da Feira e achar que deva ser profundamente alterado, mas isso não inviabiliza que esse trabalho tenha sido bem melhor e tenha obtido alguns bons resultados.
Sei que é complicado gerir a comunicação de um evento onde todos se habituaram a criticar (com razão, por vezes) e onde é mais fácil obter má imprensa do que boa ou nenhuma imprensa, por isso devo confessar que se a Feira teve melhores resultados este ano (e de facto teve, a todos os níveis) deveu-se essencialmente ao trabalho mais profissional que algumas pessoas fizeram, nomeadamente Alexandra Melo.

Espero que no próximo ano possa evitar esse erro e, criticando aquilo que está errado, elogie também aquilo que de bem se faz.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:57 PM | TrackBack

outubro 10, 2007

Site a Tinta-da-China

A editora Tinta-da-China acaba de inaugurar o seu website.

Interessante, graficamente muito atraente.

Ver aqui.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:45 PM | TrackBack

Relatos

Não chegou por correio, mas chegou à blogosfera.

Francisco José Viegas faz uma apresentação de outras Feiras de Frankfurt e promete, com aquele intróito, uma descrição mais pormenorizada do que por lá se passar.

Ler aqui.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:31 AM | TrackBack

outubro 09, 2007

O que faz em Frankfurt?

Recordo-me, há cinco ou seis anos atrás, de uma conversa tida com um editor da nossa praça onde lhe perguntava o que iria fazer a Frankfurt (dado que no ano anterior tinha de lá trazido somente uns faits divers sem interesse e umas conversas de circunstância)?

Respondeu-me: despesas, preciso de despesas.

Frankfurt é um mundo para quem lá vai, o que significa que de lá se pode trazer tudo ou nada.
São quase 300 000 pessoas de 110 países, 7 300 expositores dispersos por seis pavilhões de dimensões inimagináveis, mais de 2 500 eventos para editores e editors, agentes, autores, bibliotecários, scouts, livreiros, jornalistas e muitos, muitos mais.
De livros escolares a calendários, CD-ROMs, direitos para filmes ou desdobramentos digitais, podemos encontrar de tudo.

Para muitos editores, é um corre-corre constante para conversar com os nomes que habitualmente reconhecem dos e-mails, antigos conhecidos e amigos, bisbilhotices, cumprimentos, almoços e jantares.
Negócios? Para muitos não, talvez uma forma de estar presente entre os seus, mostrar que se continua a trabalhar com afinco e inspirar um pouco os ares do mercado futuro.

Para quem quer trabalhar, é necessário persistência, mapas, horários apertados e a certeza de que não se está lá para passear.
Vai-se onde se sabe, procurar o que se planeou, evitar perder-se entre tantas caras, corropios, luzes e interesses.
Há quem vá a Frankfurt, e há quem vá à Frankfurt Buchmesse.

Uma vez mais, agradecemos que envie a sua história de Frankfurt, a sua visão da feira.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:10 PM | TrackBack

Boa viagem

Quero desejar a todos os colegas uma boa viagem a Frankfurt.
Aconselha-se bons sapatos e condição física.

Quem quiser enviar um relato da sua viagem deste ano, a Extratexto ficará contente em publicar.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:04 AM | TrackBack

outubro 03, 2007

Capas

A capa perfeita para um livro tem muito que se lhe diga.
Por um lado, uma capa é sempre perfeita ou imperfeita de acordo com o público que irá comprar e gostar de comprar aquele livro.
Por outro lado, uma capa lida com concorrência feroz, está rodeada de outras capas com forte apelo gráfico e, por entre esse ruído, tem de conseguir chamar os seus leitores.

Para isso, mais do que a força (splashes gráficos, por exemplo) tem de ser uma coisa «expectável». Pois, se pensarmos no leitor que procura um determinado livro para satisfazer uma necessidade – pode até não a identificar, mas face ao produto reconhece a capacidade de satisfação da mesma –, é natural que os seus olhos estejam mais atentos a elementos gráficos que lhe indiquem como pode obter essa satisfação. Os seus olhos irão parar instantaneamente numa capa se ela lhe indicar que aquilo é o que ele quer, independentemente do alto valor gráfico e estético que a capa possa ter.

Por esse motivo, muitas capas são trabalhadas tendo por base o valor emotivo subjacente à obra: potenciando esse valor. Se falamos de um romance, não adianta colocar uma bela foto de uma paisagem se essa paisagem não nos disser nada. É preferível colocar na capa o ar apaixonado de uma rapariga para que a leitora consiga reconhecer nesse olhar a sensação que procura ao ler o livro.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:58 AM | TrackBack

setembro 27, 2007

Motivações

O que leva alguém a comprar e ler um livro?

Essa é uma das mais básicas e importantes questões que todos os editores e coordenadores têm de fazer quando pensar numa obra a publicar.

Dependendo se o livro vai servir para formação, informação ou entretenimento, as suas necessidades editoriais, gráficas, etc. mudam radicalmente.

Mesmo dentro de cada uma dessas motivações existem outras de vital importância. A título de exemplo, recordemo-nos que uma obra de formação deverá ser leve e resistente, pois será transportado e ultilizado fora de casa, por vezes em situações extremas de desgaste do material, no entanto, uma obra de entretenimento, puramente gráfica e de alto valor, como um coffee table book, terá de ser necessariamente grande, pesado e luxuoso, sendo que a seu formato é importante para transmitir a percepção de alto valor do produto.

Por isso, antes de pensar editar um livro com o mesmo layout do livro anterior, olhe bem para ele e pense: qual é o motivo que vai levar alguém a comprar este livro?

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:08 PM | TrackBack

setembro 24, 2007

Antena 1

Espero que tenham gostado da entrevista que eu e o Paulo Ferreira demos a Pedro Rolo Duarte, da Antena 1, no passado domingo das 11:00 às 12:00.
Para quem não teve a oportunidade, está já disponível o podcast (wma e Real Audio) da entrevista através deste link da RDP Multimédia.

Para quem não está a par, a entrevista foi sobre a Booktailors consultores editoriais, mais propriamente devido à Blogtailors, o blog relacionado a consultora que tem tido imenso sucesso.
Foi uma conversa animada sobre o mercado e negócio dos livros para tirar do sossego todos os que, nessa manhã, descansavam do trabalho.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:53 AM | TrackBack

setembro 21, 2007

Entrevistas Blogtailors

Inaugurámos, na Blogtailors, uma rubrica semanal de entrevistas a pessoas do sector.

Todas as sextas-feiras, uma pessoa diferente.
Esta sexta-feira o convidado é: José Prata, editor da Lua de Papel (imprint das Edições Asa)

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:10 AM | TrackBack

Harry Potter

Ele há livros assim...

Números apresentados pela editora Scholastic (1.º trimestre) indicam que o último Harry Potter rendeu 170 milhões de euros líquidos no lançamento.
Desconheço a percentagem de lucro na cadeia de valor da Scholastic, mas não deverá ultrapassar 10%, o que significa que esse livro, sozinho, deverá ter valido mais do dobro de todo o mercado português a preços de mercado.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:37 AM | TrackBack

setembro 19, 2007

O prazer do livro

Contrariamente ao que poderão estar a pensar, não me refiro somente ao prazer de ler um livro.

De facto, um livro é toda uma experiência que fomenta a continuação de novas experiências iguais, capitalizando sempre que a mesma é positiva, ou o contrário.
Tal como noutras indústrias culturais, como no cinema, por exemplo, a qualidade da película é algo de relativo quando o que está em causa é toda a experiência de «ir ao cinema». Nesse âmbito, poderemos estar a falar de coisas úteis e agradáveis como: lugares gratuitos e seguros de estacionamento, cadeiras confortáveis, salas aquecidas, écrã de grande dimensão, boa qualidade de imagem e de som, higiene e casas de banho ou, até, a possibilidade de querermos levar connosco bebidas ultra-calóricas e milho em gorduras saturadas.

Com os livros, a situação não é diferente.
É necessário pensar (produzir e comercializar) um livro tendo em perspectiva a noção de «experiência global positiva» para o cliente. Tanto no acto de procura de informação e decisão de compra, ambiente de livraria e atendimento – pois se o cliente não conseguir encontrar o que quer, não gostar de estar na livraria ou sentir-se constrangido com o atendimento, não pretenderá repetir essa experiência –, ou questões práticas como o peso, formato, lettring, etc.
É tão simples como pensar que se um livro cansar um leitor por ter um peso excessivo, por lhe forçar os olhos ou por não ter uma posição certa para o pousar, ele deverá optar por algo mais confortável da próxima vez, talvez uma ida ao cinema ou a pesquisa na Internet.

O prazer do livro passa por toda a vida que o livro passa nas mãos do consumidor, no prazer que ele irá desfrutar da experiência de o ter comprado, transportado, lido e guardá-lo à vista no armário do quarto.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:01 PM | TrackBack

setembro 14, 2007

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - Curso de Especialização para Técnicos Editoriais

Estão ainda abertas as inscrições para o ano lectivo de 2007/2008 do Curso de Especialização para Técnicos Editoriais. O prazo termina dentro de uma semana, a 21 de setembro de 2007, estando o início das aulas previsto para Outubro de 2007.

A inscrição custa €50,00 (mais €350,00 por semestre) e podem fazer o download do .pdf de candidatura aqui.

O curso tem a duração de 2 semestres lectivos.
O horário é pós-laboral (18:30 – 21:30) todas as segundas, terças e quartas-feiras e quintas-feiras, de quinze em quinze dias.

Terão ainda a oportunidade de participar na revista Extratexto.

Neste link, encontrarão a estrutura curricular e uma súmula dos conteúdos programáticos das diversas cadeiras.

Para mais informações, poderão contactar Susete Bruno (e-mail: susetebruno@fl.ul.pt).

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:39 AM | TrackBack

setembro 13, 2007

A questão das devoluções

Porque queremos ter um papel activo e positivo, aventamos propostas para se tentar resolver algumas das questões que têm vindo a ser referidas, nomeadamente o problema do custeamento das devoluções.
O que aqui vimos dizer não é novo e tem sido abordado esporadicamente por alguns editores.
Nós seguimos o estudo efectuado em 1998 pela consultora KPMG.

A devolução dos livros é um mal necessário – prática iniciada por Alfred A. Knopf, da Simon & Schuster, em 1929, durante a Grande Depressão, para não sobrecarregar o mercado livreiro – que traz despesas e complicações a todas as partes envolvidas.
Como tal, é necessário eliminar a maior parte do tempo e dos recursos gastos com essa prática através de processos automáticos de trabalho intensivo e uma política estandardizada de devoluções (algo que André Jorge da Livros Cotovia também referiu recentemente).

Como muitos sabemos, em variadíssimos casos o processo actual é manual, e segue regras e métodos estabelecidos individualmente por cada um dos parceiros envolvidos, é utilizada como arma na estratégia de pagamento, é alvo constante de incertezas e de atrasos e leva a que muitos livros acabados de entregar sejam devolvidos sem terem sequer cumprido a sua função, logo, não permitindo a sua exploração comercial e reduzindo globalmente o número de livros vendidos.
Para além disso, este processo é moroso, custoso e responsável por grande parte do trabalho de distribuição e por uma enorme quantidade de tempo e esforço por parte dos livreiros.

Se, tal como em vários países já se utiliza, se estabelecer uma política de devolução que favoreça tanto os editores como os distribuidores e livreiros, com recurso a processos automáticos e transferência electrónica de documentos, os custos associados a essas funções deixam de ser preponderantes.

Algumas das regras estão já a ser progressivamente implementadas pelos grupos maiores, mas convém sempre referir e reforçar a necessidade de um entendimento geral e do estabelecimento de regras comuns. De outra forma, todo o processo não irá funcionar convenientemente e as vantagens tornam-se parciais e insignificantes.

Propõe-se que:
– Todos os documentos envolvidos devem ser digitais e seguirem processos pré-estabelecidos de autorização (com autorizações automáticas desde que dentro de parâmetros definidos na política comum de devoluções).
– Esses documentos devam ser fundidos num único documento multifuncional, ou no menor número possível de documentos;
– Seja definido um código standard (para leitura digital) que identifique as embalagens, nomeadamente referindo a quantidade e a identidade dos produtos que contém e respectivas editoras, e que esse código seja utilizado por todos os agentes em todos os processos de transporte e compatível com os códigos utilizados internacionalmente;
– Nenhum livro deva poder ser devolvido (excepto em caso de danificados) antes dos três meses de colocação;
– Após 12 meses de entrega nenhum livro possa ser devolvido, independentemente do caso ou do dano;
– A devolução tenha de ser sempre inferior (se possível inferior a 50%) do valor/ n.º de produtos entregues;
– Haja a avaliação prévia de históricos para definição dos valores de colocação, eliminação colocações excessivas ou não significantes;
– Não haja devolução dos livros entregues a firme;
– Os créditos sejam feitos à data de entrega/devolução dos livros;
– Se estabeleça uma data semanal limite (dois dias antes da data semanal de entrega) para envio de pedidos e produtos e de devoluções;
– Se estabeleça um data única semanal para entrega/recolha de livros (novidades, reforços, devoluções e danificados);
– Em caso de alteração de preço pelo editor (para baixo) haja um processo automático de devolução ao preço anterior (com creditação do valor) e débito ao novo valor, à data da alteração do preço;
– Que a encomenda de títulos devolvidos no mês anterior seja feita obrigatoriamente a firme;

Quem ganha e porquê:

Os livreiros ganham porque:
– O processo de devolução é automático e transparente;
– Estabelecem o mínimo de recursos para o mínimo tempo no processo de recepção e devolução de livros;
– Têm certeza nas datas de pedido e de entrega dos livros em falta;
– Certeza na creditação das devoluções;
– Estabilidade no cash-flow;
– Ficam com a obrigatoriedade de melhor gestão dos produtos;
– Vendem mais e poupam mais em custos;

Os distribuidores ganham porque:
– Todo o processo burocrático é automático;
– Beneficiam da autorização automática;
– Existe apenas uma referência de custos na negociação com os clientes;
– O handling é simplificado e as rotas são pré-definidas com grande grau de eficácia e eficiência;

Desse modo, iremos poupar tempo, esforço e custos.
Irão terminar as guerras de contabilidade para creditação e autorização.
Os gestores terão valores reais para gerir e maior certeza no seu cash-flow.
As relações comerciais tornam-se muito mais estáveis, dando oportunidade para novos desenvolvimentos e parcerias comerciais.

Todo o processo fica mais eficiente e permite maiores lucros operacionais para todas as partes à custa de algum investimento que pode ser partilhado e que assente essencialmente em boas-práticas e em entendimento.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 07:00 PM | TrackBack

setembro 12, 2007

Acrescento ao caso Bertrand

Quem me conhece sabe que a minha opinião do mercado é clara: isto é um negócio e ninguém anda cá a fazer favores a ninguém.
Por outro lado, não é com argumentos passivos que se altera seja lá o que for. Não é afirmando passivamente a má conduta, ou conduta abusiva, da Bertrand ou de outro qualquer que se irá alterar esta situação.
Por isso, eu respondo com acções e na medida das minhas capacidades: enquanto consumidor, recuso-me a comprar livros na Bertrand.

A posição conjunta que está no Blogtailors é uma posição de apoio: Nós estamos ao lado dos editores, nós afirmamos a nossa parcialidade e explicamos porquê.

Se os editores estão presos na sua relação comercial com a Bertrand, os consumidores não; e é com essa liberdade que nós agimos: enquanto consumidores.

Um dos argumentos que ouviremos é que outros parceiros pedem fatias maiores do que a Bertrand.
Sim, mas esses parceiros deram algo em troca; negociaram com a força e as armas que tinham para conseguir esses valores. Agiram dentro das regras de mercado e obtiveram vantagens de uma forma correcta.
Não haja confusões, anti- ou ultra-liberalismos envolvidos nesta história. Foi o mundo liberal que instituiu as regras da concorrência e por algum motivo ainda mantém as boas-práticas e a boa-fé para reger muitas das relações do mundo profissional.
O mercado só funciona se todos respeitarem as regras e ninguém explorar a sua posição dominante.

Se em negócios ninguém tem obrigação de ajudar ninguém, será que tem o direito de esmagar?

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 05:33 PM | TrackBack

Posição face ao caso «Bertrand»

A minha posição em relação ao caso Bertrand já tinha sido referida em nota num post do passado dia 21 de Junho.

Agora, e dado o maior protagonismo e importância do caso, decidi, juntamente com os restantes membros da Booktailors, tomar uma posição conjunta que pode ser lida no Blogtailors.

Ler posição conjunta.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:27 PM | TrackBack

setembro 10, 2007

Alterações Editoriais

Caros leitores,

como puderam reparar, acaba de abrir um novo «blogue da edição», o Blogtailors, do qual faço parte.

Por esse motivo, e porque da canibalização já está este mercado dos livros cheio, o Extratexto passará a ser ligeiramente diferente. Entre as alterações que se prevêem, refira-se a eliminação das informações gerais e notícias editoriais, e uma maior preponderância de questões teóricas de edição, de opinião, de crítica e posicionamento.

Porque o Extratexto quer passar a ser uma voz mais responsável, irá perder esse carácter generalista e de relativa isenção que sempre procurou e tentar actuar para alterar este sector no sentido que achamos ser o melhor.

Queremos, assim, que tenham nestes dois blogs uma visão mais completa e informada do que não vem escrito por detrás das capas.

Extratexto e Blogtailors - a edição em Portugal.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:07 PM | TrackBack

Rentrée

Hoje, no Jornal de Notícias, Sérgio Almeida abre-nos um pouco o apetite para a rentrée que agora começa.

Se acham que que aquilo que ele diz já é muito, vamos agora recordar que ele não referiu o próximo livro de Miguel Sousa Tavares nem a já editada Bala Santa de Luís Miguel Rocha.

Ler artigo aqui.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:04 PM | TrackBack

setembro 06, 2007

Blogtailors

Uma das novidades para a rentrée bloguística é a criação de um novo espaço totalmente dedicado à edição, mais profissional e participado, que abordará mais aprofundadamente algumas das questões já tratadas neste blog.
Trata-se da Blogtailors, o blog da consultora editorial Booktailors, da qual faço parte, e que contará entre outras presenças com a minha participação, assim como a de Paulo Ferreira, consultor de marketing e comunicação editorial desta estrutura, entre outros.

Entrem e instalem-se na Blogtailors.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:08 PM | TrackBack

Textos de Contracapa

É com imenso prazer que descubro hoje que Nelson de Matos regressou ao seu Textos de Contracapa.
Agracia-nos, entre outras coisas, com a óptima entrevista que deu ao Notícias Magazine no passado mês.

Venham, não fiquem aí e entrem já!

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:47 AM | TrackBack

setembro 05, 2007

Como chegar às terras de Vera Cruz

Se muitos de nós achávamos que o mercado português poderia ser interessante para os grupos internacionais, e mantínhamos a ideia de que talvez até pudéssemos ser uma porta de entrada para outros mercados lusófonos, o melhor é esquecer a ideia, pois o maior deles todos, o Brasil, não faz parte desse lote.
De facto, quem quer algo do outro lado do Atlântico, desloca-se ao outro lado do Atlântico e Portugal nada influencia nesse caso (como Colombo já tão bem sabia, daí ter ido a Espanha). Pensando agora em escala, uma editora espanhola faz, de facto, melhor esse papel do que qualquer editora portuguesa (quem gere a Espanha e a América hispânica tem somente de alargar um pouco os braços para englobar Portugal e Brasil), e quanto a vantagens decorrentes da proximidade linguística... o que é que isso tem de difícil quando já se tem de lidar com vários idiomas nacionais, como é o caso espanhol?

Não, longe de mim partilhar utopias ibéricas «saramágicas» e, pessoalmente, prefiro manter a minha lusitânica casa com jardim à volta, em vez de pagar a quota do condomínio ibérico.
Mesmo em termos de cultura, até poderíamos ter mais capacidade e dinheiro, mas não há nada melhor para credibilizar uma cultura do que ter um país que a suporte: uma prova de que a sua consistência é tal, que já dura desde o século XII.

Mas, a comprovar a minha primeira afirmação, temos mais uma aquisição editorial, desta feita no Brasil e pela gigante Hachette, através do seu braço espanhol (esse sim, com capacidade para gerir os mercados sul-americanos), o Grupo Anaya.
A editora chama-se Escala Educacional e já adivinharam a área de negócio.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:11 AM | TrackBack

setembro 04, 2007

Mudanças no mercado

Relativamente à Círculo de Leitores, as notícias são breves e pouco significativas para Portugal.
A divisão decidida no seio da Direct Group/Bertelsmann acabou por ser geográfica, com a separação entre a Direct Group EUA (que passará a incorporar a Random House USA) e a Direct Group Europa e Ásia.
De realçar que o braço euro-asiático passou a ser dirigido por Fernando Carro, ex-director da Círculo de Lectores (Espanha) e, desde o ano passado, do braço ibero-germânico (Alemanha, Áustria, Suíça, Portugal e Espanha).
Simultaneamente, deve-se falar um pouco da aquisição da Editorial Teorema pela private equity nacional Explorer Investments.
Pessoalmente, considero a Editorial Teorema como uma boa oportunidade de negócio, pois Carlos da Veiga Ferreira tem um fundo muito significativo de excelentes autores e direitos que poderiam ter sido muito mais bem explorados do ponto de vista editorial e comercial.
Nesse ponto de vista, António Lobato Faria já provou ter mais do que competência para criar óptimos produtos e dará, certamente, um fôlego novo e significativo aos actuais produtos Teorema. Quem sabe se não aproveitará para migrar long sellers para a Casa das Letras, de modo a equilibrar o catálogo actual dessa editora com um fundo sustentável, ou então para reorganizar os catálogos actuais da Oficina do Livro e da Casa das Letras. Estes começam a estar cada vez menos direccionados e mais assentes em estratégias de produto de Top, o que descura o reconhecimento, a fidelização e a marca.
Recordo, por fim, que a Oficina do Livro nasceu de uma imagem de marca, de um reconhecimento gráfico (os tão famosos chapões de cor) e temático (por alguns desdenhado), reconhecimento esse que actualmente já não se observa.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:15 AM | TrackBack

agosto 30, 2007

Círculo de Leitores/Bertrand

A Handelsblatt, via revista Forbes, anunciou que hoje a multinacional Bertelsmann AG irá discutir o futuro da Direct Group, o seu braço que gere em Portugal a Círculo de Leitores/Bertrand.

O resultado mais previsível será a separação dos diferentes negócios do Clube do Livro (Livros, DVDs, Música), devendo a parte respeitante aos livros ser integrada no principal braço editorial da multinacional, a Random House.

Será de recordar que a Random House não se encontra ainda directamente em Portugal, havendo uma sua representação em Espanha (Random House Mondadori S.A.).

Resta esperar para ver quais as consequências desta reorganização para o nosso país e como poderá afectar as editoras actualmente pertencentes ao grupo (Círculo de Leitores; Temas & Debates; Quetzal; Bertrand).

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:19 PM | TrackBack

agosto 29, 2007

Meditação na Pastelaria

Este mundo da blogosfera é bastante interessante pela forma como conseguimos encontrar a alguma distância pessoas de gostos comuns - por mais incomuns que os nossos gostos possam ser, por vezes.

É dessa forma que eu tenho por hábito visitar um blogue que, para mim, tem muito a ver.
Tem a ver com os meus gostos, com a minha forma de ver muitas coisa, com a minha estética, essencialmente.
A senhora por detrás é algo conhecida, apesar de o mesmo ser irrelevante para o facto, é a jornalista Ana Cristina Leonardo na sua Meditação na Pastelaria.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:56 AM | TrackBack

agosto 28, 2007

Ranking mundial

A Livres Hebdo, com o apoio da Publishers Weekly, publicou a listagem dos principais grupos editoriais mundiais, cuja visualização está disponível no blogue de Richard Charkin, CEO da Macmillan.

Naturalmente que nenhum grupo português lá surge, nem se pressupõe que se possa aproximar dessa listagem nas próximas décadas. Aliás, quando algum deles lá surgir já não será provavelmente português, excepto no passado longínquo.

Sic transit gloria mundi. O primeiro grupo não-ocidental também não surge num país de mil milhões, mas no Japão (Kodansha), na posição número 17, ainda bastante à frente da única representante chinesa (HEP), na 44.ª e penúltima posição desta lista e 28,5 vezes mais pequena do que a poderosa anglo-holandesa Reed Elsevier, senhora do conhecimento profissional, especializado e científico do Mundo Pequeno (faixa do globo situado entre o paralelo 30º e 70º Norte).

Esquecendo o perfil dos países, pergunto, o tamanho importa?

Esta não é uma indústria de alta tecnologia e de forte concentração de capital, não fazemos foguetes espaciais nem armas de autodestruição maciça.
Um livro é um pequeno objecto de rigor humano, que requer poucos mas dedicados profissionais que, acidentalmente, gostam mais de ler do que de muitas outras coisas.
A dimensão serve só para ter dinheiro e o dinheiro serve só, claro está, para ganhar mais dinheiro, para se poderem monopolizar os elementos mais rentáveis, como os grandes autores comerciais que procuram o mesmo que todos os outros grandes gestores comerciais.

A dimensão serve só para ultrapassar Mateus - para chegar mais longe, à carteira de mais consumidores. Pouco tem a ver, por exemplo, com a qualidade e quase sempre a prejudica, obrigando-a a perder profundidade.
Mas o contrário é também real: pouca dimensão e pouco dinheiro não permitem ter essa mesma qualidade, não permitem ter recursos decentes para se fazerem bons livros.

Por isso a fórmula será, talvez, a do equilíbrio.
Baixar na quantidade para subir na qualidade, subir na marca e baixar no produto, gastar menos no que não é essencial e mais no que é «nuclear» e onde estão as nossas forças editoriais.

Devaneando um pouco, poderia também acrescentar que se gastarmos todo o nosso dinheiro naquilo que não é a nossa área - como a distribuição, por exemplo - estamos a dar todo o nosso dinheiro, tentando fazer aquilo que não nos compete. Ficamos dependente da Casa onde colocamos o dinheiro e não damos motivos à Casa para nos manter, excepto para a sua própria prossecução financeira e até encontrarem substituto melhor para nós. Ou seja, estamos fora do jogo e só nos deixam jogar enquanto tivermos crédito para gastar.

Dimensão é então uma curiosidade e um alerta. Um alerta para que todos saibamos que facilmente podemos ser comprados por estes grandes buracos negros, famintos de mais recursos, verdadeiras máquinas que destroem belos castanheiros para plantar extensivamente eucaliptos, e fazer papel em vez de fazer castanhas.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:25 AM | TrackBack

agosto 24, 2007

Dúvidas pertinentes

P: O que é preciso para se ser um escritor famoso?

R: É necessário ter talento, muito talento. Talento para o futebol, para a moda, para a política, para as finanças, para a televisão, eu sei lá... ter talento, entendes. Ou sorte, claro.


A Extratexto está de volta!

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:44 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 26, 2007

Parado para descanso do pessoal

Deixem-me suspirar profundamente e arrepanhar a comissuras dos lábios em modo de satisfação enquanto vos digo que: Estou de férias.

Nas próximas três semanas (até 22 de Agosto) não haverá actualização do blogue Extratexto.



Prometo que, na rentrée bloguística, haverá novidades - gráficas e não só - de modo a tornar a Extratexto cada vez mais o espaço de formação e informação da indústria e do mercado editorial português.

Antes de ir, aconselho um livro muito interessante e crítico que devia ser lido por todos os que gostam deste mundo editorial:

Thank You for Not Reading, Dubravka Ugresic
Dalkey Archive Press

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:01 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 19, 2007

Livrarias independentes

Tenho estado a seguir o interessante diálogo comentado que o Luís Filipe Cristóvão tem suscitado.
Contexto: Maria Inês, de seu nome, critica os preços mais elevados que as livrarias independentes praticam em relação ao novo Harry Potter, assim como o facto (real, muitas vezes) de várias livrarias independentes não terem um serviço minimamente digno desse nome.

Por um lado, o Cristóvão torna clara a questão subjacente ao preço. O desconto praticado por ele é o possível, pois não tem forma de concorrer pelo preço com um concorrente que obtém descontos superiores e cujo desconto «maior» é, na prática, igual ou inferior ao dele (ou bem menor, tendo em conta a escala).
Por outro lado, refere que a Livrododia se posiciona e diferencia de forma diversa da Fnac. Ele não é a Fnac e sabe que não vale a pena ser como a Fnac – seria igual a fazer um braço de ferro com um lutador de sumo, era inútil e arrasador.

Perante isto, julgo ser necessário dizer algumas coisas.

1. Felizmente que existem espaços de venda de livros com posicionamentos diferentes, pois possibilita que diferentes clientes fiquem mais satisfeitos e comprem mais livros – recordemo-nos de que o livro é um bem de experiência e só boas experiências podem fomentar o seu consumo aditivo. Além disso, abre a possibilidade de comercializarmos livros que, nos canais mainstream, seriam liminarmente recusados não pela falta de qualidade mas sim pela falta de dimensão do nicho, ou pelo excessivo esforço por parte de estruturas demasiado grandes para personalizações.

2. São raros os espaços livreiros independentes que, de facto, merecem essa denominação. Se a sua vantagem não é o preço, tem de ser os serviços associados, a possibilidade de usufruirmos de informação correcta e fidedigna sobre determinado livro, um atendimento à medida das nossas necessidades, a certeza de que não teremos como resposta «não temos», ou «esse livro não existe» (acreditem que já me aconteceu dizerem-me isto sobre um livro que tinha sido trabalhado por mim e cuja existência podia asseverar...), a possibilidade de entrega a casa, de uma embalagem com humor ou rigor, etc.

Ou seja, se para comer temos cuidados e procuramos produtos que sejam mais saudáveis, melhores, mais agradáveis (e não só mais baratos), por que não o fazer com um produto que só compramos por prazer ou interesse? Se vamos a determinado restaurante, e pagamos mais, porque as condições de higiene ou o sorriso são melhores, é porque valorizamos aquilo que tem valor.
Compreendo que os livros sejam caros e seja grande a vontade de comprar mais. Compreendo que certas experiências nos façam duvidar das livrarias independentes, mas se tiveram más experiências com uma dada livraria: não voltem!
Existem certamente espaços livreiros que merecem a vossa visita e vos darão mais coisas juntamente com um produto que vale aproximadamente o mesmo em todos os lugares.

Digo isto, mas não critico a Fnac e também compro por vezes lá. Algumas das pessoas são simpáticas e tenho de ir regularmente a esses espaços para observar as estratégias de produto utilizadas, sendo que a dimensão auxilia à pesquisa. Além disso, tenho pouca resistência ao apelo de certos livros e não resisto a levá-los.

Caros leitores, se é só pelo preço do livro, mais vale dirigirem-se a um alfarrabista, pois encontrarão por lá livros bem mais baratos do que o Harry Potter. Se é pela actualidade, é porque valorizam alguns desses serviços, como a actualidade dos produtos. Já agora, se é só por causa do preço, não sejam estúpidos e comprem o Harry Potter directamente pela Internet e, em vez de pagarem 23€ na Fnac, pagam 13 ou 14€ euros com portes incluídos.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:03 PM | Comentários (0) | TrackBack