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setembro 27, 2007
Motivações
O que leva alguém a comprar e ler um livro?
Essa é uma das mais básicas e importantes questões que todos os editores e coordenadores têm de fazer quando pensar numa obra a publicar.
Dependendo se o livro vai servir para formação, informação ou entretenimento, as suas necessidades editoriais, gráficas, etc. mudam radicalmente.
Mesmo dentro de cada uma dessas motivações existem outras de vital importância. A título de exemplo, recordemo-nos que uma obra de formação deverá ser leve e resistente, pois será transportado e ultilizado fora de casa, por vezes em situações extremas de desgaste do material, no entanto, uma obra de entretenimento, puramente gráfica e de alto valor, como um coffee table book, terá de ser necessariamente grande, pesado e luxuoso, sendo que a seu formato é importante para transmitir a percepção de alto valor do produto.
Por isso, antes de pensar editar um livro com o mesmo layout do livro anterior, olhe bem para ele e pense: qual é o motivo que vai levar alguém a comprar este livro?
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:08 PM | TrackBack
setembro 24, 2007
Antena 1
Espero que tenham gostado da entrevista que eu e o Paulo Ferreira demos a Pedro Rolo Duarte, da Antena 1, no passado domingo das 11:00 às 12:00.
Para quem não teve a oportunidade, está já disponível o podcast (wma e Real Audio) da entrevista através deste link da RDP Multimédia.
Para quem não está a par, a entrevista foi sobre a Booktailors consultores editoriais, mais propriamente devido à Blogtailors, o blog relacionado a consultora que tem tido imenso sucesso.
Foi uma conversa animada sobre o mercado e negócio dos livros para tirar do sossego todos os que, nessa manhã, descansavam do trabalho.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:53 AM | TrackBack
setembro 21, 2007
Entrevistas Blogtailors
Inaugurámos, na Blogtailors, uma rubrica semanal de entrevistas a pessoas do sector.
Todas as sextas-feiras, uma pessoa diferente.
Esta sexta-feira o convidado é: José Prata, editor da Lua de Papel (imprint das Edições Asa)
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:10 AM | TrackBack
Harry Potter
Ele há livros assim...
Números apresentados pela editora Scholastic (1.º trimestre) indicam que o último Harry Potter rendeu 170 milhões de euros líquidos no lançamento.
Desconheço a percentagem de lucro na cadeia de valor da Scholastic, mas não deverá ultrapassar 10%, o que significa que esse livro, sozinho, deverá ter valido mais do dobro de todo o mercado português a preços de mercado.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:37 AM | TrackBack
setembro 19, 2007
O prazer do livro
Contrariamente ao que poderão estar a pensar, não me refiro somente ao prazer de ler um livro.
De facto, um livro é toda uma experiência que fomenta a continuação de novas experiências iguais, capitalizando sempre que a mesma é positiva, ou o contrário.
Tal como noutras indústrias culturais, como no cinema, por exemplo, a qualidade da película é algo de relativo quando o que está em causa é toda a experiência de «ir ao cinema». Nesse âmbito, poderemos estar a falar de coisas úteis e agradáveis como: lugares gratuitos e seguros de estacionamento, cadeiras confortáveis, salas aquecidas, écrã de grande dimensão, boa qualidade de imagem e de som, higiene e casas de banho ou, até, a possibilidade de querermos levar connosco bebidas ultra-calóricas e milho em gorduras saturadas.
Com os livros, a situação não é diferente.
É necessário pensar (produzir e comercializar) um livro tendo em perspectiva a noção de «experiência global positiva» para o cliente. Tanto no acto de procura de informação e decisão de compra, ambiente de livraria e atendimento – pois se o cliente não conseguir encontrar o que quer, não gostar de estar na livraria ou sentir-se constrangido com o atendimento, não pretenderá repetir essa experiência –, ou questões práticas como o peso, formato, lettring, etc.
É tão simples como pensar que se um livro cansar um leitor por ter um peso excessivo, por lhe forçar os olhos ou por não ter uma posição certa para o pousar, ele deverá optar por algo mais confortável da próxima vez, talvez uma ida ao cinema ou a pesquisa na Internet.
O prazer do livro passa por toda a vida que o livro passa nas mãos do consumidor, no prazer que ele irá desfrutar da experiência de o ter comprado, transportado, lido e guardá-lo à vista no armário do quarto.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:01 PM | TrackBack
setembro 14, 2007
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - Curso de Especialização para Técnicos Editoriais
Estão ainda abertas as inscrições para o ano lectivo de 2007/2008 do Curso de Especialização para Técnicos Editoriais. O prazo termina dentro de uma semana, a 21 de setembro de 2007, estando o início das aulas previsto para Outubro de 2007.
A inscrição custa €50,00 (mais €350,00 por semestre) e podem fazer o download do .pdf de candidatura aqui.
O curso tem a duração de 2 semestres lectivos.
O horário é pós-laboral (18:30 – 21:30) todas as segundas, terças e quartas-feiras e quintas-feiras, de quinze em quinze dias.
Terão ainda a oportunidade de participar na revista Extratexto.
Neste link, encontrarão a estrutura curricular e uma súmula dos conteúdos programáticos das diversas cadeiras.
Para mais informações, poderão contactar Susete Bruno (e-mail: susetebruno@fl.ul.pt).
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:39 AM | TrackBack
setembro 13, 2007
A questão das devoluções
Porque queremos ter um papel activo e positivo, aventamos propostas para se tentar resolver algumas das questões que têm vindo a ser referidas, nomeadamente o problema do custeamento das devoluções.
O que aqui vimos dizer não é novo e tem sido abordado esporadicamente por alguns editores.
Nós seguimos o estudo efectuado em 1998 pela consultora KPMG.
A devolução dos livros é um mal necessário – prática iniciada por Alfred A. Knopf, da Simon & Schuster, em 1929, durante a Grande Depressão, para não sobrecarregar o mercado livreiro – que traz despesas e complicações a todas as partes envolvidas.
Como tal, é necessário eliminar a maior parte do tempo e dos recursos gastos com essa prática através de processos automáticos de trabalho intensivo e uma política estandardizada de devoluções (algo que André Jorge da Livros Cotovia também referiu recentemente).
Como muitos sabemos, em variadíssimos casos o processo actual é manual, e segue regras e métodos estabelecidos individualmente por cada um dos parceiros envolvidos, é utilizada como arma na estratégia de pagamento, é alvo constante de incertezas e de atrasos e leva a que muitos livros acabados de entregar sejam devolvidos sem terem sequer cumprido a sua função, logo, não permitindo a sua exploração comercial e reduzindo globalmente o número de livros vendidos.
Para além disso, este processo é moroso, custoso e responsável por grande parte do trabalho de distribuição e por uma enorme quantidade de tempo e esforço por parte dos livreiros.
Se, tal como em vários países já se utiliza, se estabelecer uma política de devolução que favoreça tanto os editores como os distribuidores e livreiros, com recurso a processos automáticos e transferência electrónica de documentos, os custos associados a essas funções deixam de ser preponderantes.
Algumas das regras estão já a ser progressivamente implementadas pelos grupos maiores, mas convém sempre referir e reforçar a necessidade de um entendimento geral e do estabelecimento de regras comuns. De outra forma, todo o processo não irá funcionar convenientemente e as vantagens tornam-se parciais e insignificantes.
Propõe-se que:
– Todos os documentos envolvidos devem ser digitais e seguirem processos pré-estabelecidos de autorização (com autorizações automáticas desde que dentro de parâmetros definidos na política comum de devoluções).
– Esses documentos devam ser fundidos num único documento multifuncional, ou no menor número possível de documentos;
– Seja definido um código standard (para leitura digital) que identifique as embalagens, nomeadamente referindo a quantidade e a identidade dos produtos que contém e respectivas editoras, e que esse código seja utilizado por todos os agentes em todos os processos de transporte e compatível com os códigos utilizados internacionalmente;
– Nenhum livro deva poder ser devolvido (excepto em caso de danificados) antes dos três meses de colocação;
– Após 12 meses de entrega nenhum livro possa ser devolvido, independentemente do caso ou do dano;
– A devolução tenha de ser sempre inferior (se possível inferior a 50%) do valor/ n.º de produtos entregues;
– Haja a avaliação prévia de históricos para definição dos valores de colocação, eliminação colocações excessivas ou não significantes;
– Não haja devolução dos livros entregues a firme;
– Os créditos sejam feitos à data de entrega/devolução dos livros;
– Se estabeleça uma data semanal limite (dois dias antes da data semanal de entrega) para envio de pedidos e produtos e de devoluções;
– Se estabeleça um data única semanal para entrega/recolha de livros (novidades, reforços, devoluções e danificados);
– Em caso de alteração de preço pelo editor (para baixo) haja um processo automático de devolução ao preço anterior (com creditação do valor) e débito ao novo valor, à data da alteração do preço;
– Que a encomenda de títulos devolvidos no mês anterior seja feita obrigatoriamente a firme;
Quem ganha e porquê:
Os livreiros ganham porque:
– O processo de devolução é automático e transparente;
– Estabelecem o mínimo de recursos para o mínimo tempo no processo de recepção e devolução de livros;
– Têm certeza nas datas de pedido e de entrega dos livros em falta;
– Certeza na creditação das devoluções;
– Estabilidade no cash-flow;
– Ficam com a obrigatoriedade de melhor gestão dos produtos;
– Vendem mais e poupam mais em custos;
Os distribuidores ganham porque:
– Todo o processo burocrático é automático;
– Beneficiam da autorização automática;
– Existe apenas uma referência de custos na negociação com os clientes;
– O handling é simplificado e as rotas são pré-definidas com grande grau de eficácia e eficiência;
Desse modo, iremos poupar tempo, esforço e custos.
Irão terminar as guerras de contabilidade para creditação e autorização.
Os gestores terão valores reais para gerir e maior certeza no seu cash-flow.
As relações comerciais tornam-se muito mais estáveis, dando oportunidade para novos desenvolvimentos e parcerias comerciais.
Todo o processo fica mais eficiente e permite maiores lucros operacionais para todas as partes à custa de algum investimento que pode ser partilhado e que assente essencialmente em boas-práticas e em entendimento.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 07:00 PM | TrackBack
setembro 12, 2007
Acrescento ao caso Bertrand
Quem me conhece sabe que a minha opinião do mercado é clara: isto é um negócio e ninguém anda cá a fazer favores a ninguém.
Por outro lado, não é com argumentos passivos que se altera seja lá o que for. Não é afirmando passivamente a má conduta, ou conduta abusiva, da Bertrand ou de outro qualquer que se irá alterar esta situação.
Por isso, eu respondo com acções e na medida das minhas capacidades: enquanto consumidor, recuso-me a comprar livros na Bertrand.
A posição conjunta que está no Blogtailors é uma posição de apoio: Nós estamos ao lado dos editores, nós afirmamos a nossa parcialidade e explicamos porquê.
Se os editores estão presos na sua relação comercial com a Bertrand, os consumidores não; e é com essa liberdade que nós agimos: enquanto consumidores.
Um dos argumentos que ouviremos é que outros parceiros pedem fatias maiores do que a Bertrand.
Sim, mas esses parceiros deram algo em troca; negociaram com a força e as armas que tinham para conseguir esses valores. Agiram dentro das regras de mercado e obtiveram vantagens de uma forma correcta.
Não haja confusões, anti- ou ultra-liberalismos envolvidos nesta história. Foi o mundo liberal que instituiu as regras da concorrência e por algum motivo ainda mantém as boas-práticas e a boa-fé para reger muitas das relações do mundo profissional.
O mercado só funciona se todos respeitarem as regras e ninguém explorar a sua posição dominante.
Se em negócios ninguém tem obrigação de ajudar ninguém, será que tem o direito de esmagar?
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 05:33 PM | TrackBack
Posição face ao caso «Bertrand»
A minha posição em relação ao caso Bertrand já tinha sido referida em nota num post do passado dia 21 de Junho.
Agora, e dado o maior protagonismo e importância do caso, decidi, juntamente com os restantes membros da Booktailors, tomar uma posição conjunta que pode ser lida no Blogtailors.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:27 PM | TrackBack
setembro 10, 2007
Alterações Editoriais
Caros leitores,
como puderam reparar, acaba de abrir um novo «blogue da edição», o Blogtailors, do qual faço parte.
Por esse motivo, e porque da canibalização já está este mercado dos livros cheio, o Extratexto passará a ser ligeiramente diferente. Entre as alterações que se prevêem, refira-se a eliminação das informações gerais e notícias editoriais, e uma maior preponderância de questões teóricas de edição, de opinião, de crítica e posicionamento.
Porque o Extratexto quer passar a ser uma voz mais responsável, irá perder esse carácter generalista e de relativa isenção que sempre procurou e tentar actuar para alterar este sector no sentido que achamos ser o melhor.
Queremos, assim, que tenham nestes dois blogs uma visão mais completa e informada do que não vem escrito por detrás das capas.
Extratexto e Blogtailors - a edição em Portugal.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:07 PM | TrackBack
Rentrée
Hoje, no Jornal de Notícias, Sérgio Almeida abre-nos um pouco o apetite para a rentrée que agora começa.
Se acham que que aquilo que ele diz já é muito, vamos agora recordar que ele não referiu o próximo livro de Miguel Sousa Tavares nem a já editada Bala Santa de Luís Miguel Rocha.
Ler artigo aqui.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:04 PM | TrackBack
setembro 06, 2007
Blogtailors
Uma das novidades para a rentrée bloguística é a criação de um novo espaço totalmente dedicado à edição, mais profissional e participado, que abordará mais aprofundadamente algumas das questões já tratadas neste blog.
Trata-se da Blogtailors, o blog da consultora editorial Booktailors, da qual faço parte, e que contará entre outras presenças com a minha participação, assim como a de Paulo Ferreira, consultor de marketing e comunicação editorial desta estrutura, entre outros.
Entrem e instalem-se na Blogtailors.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:08 PM | TrackBack
Textos de Contracapa
É com imenso prazer que descubro hoje que Nelson de Matos regressou ao seu Textos de Contracapa.
Agracia-nos, entre outras coisas, com a óptima entrevista que deu ao Notícias Magazine no passado mês.
Venham, não fiquem aí e entrem já!
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:47 AM | TrackBack
setembro 05, 2007
Como chegar às terras de Vera Cruz
Se muitos de nós achávamos que o mercado português poderia ser interessante para os grupos internacionais, e mantínhamos a ideia de que talvez até pudéssemos ser uma porta de entrada para outros mercados lusófonos, o melhor é esquecer a ideia, pois o maior deles todos, o Brasil, não faz parte desse lote.
De facto, quem quer algo do outro lado do Atlântico, desloca-se ao outro lado do Atlântico e Portugal nada influencia nesse caso (como Colombo já tão bem sabia, daí ter ido a Espanha). Pensando agora em escala, uma editora espanhola faz, de facto, melhor esse papel do que qualquer editora portuguesa (quem gere a Espanha e a América hispânica tem somente de alargar um pouco os braços para englobar Portugal e Brasil), e quanto a vantagens decorrentes da proximidade linguística... o que é que isso tem de difícil quando já se tem de lidar com vários idiomas nacionais, como é o caso espanhol?
Não, longe de mim partilhar utopias ibéricas «saramágicas» e, pessoalmente, prefiro manter a minha lusitânica casa com jardim à volta, em vez de pagar a quota do condomínio ibérico.
Mesmo em termos de cultura, até poderíamos ter mais capacidade e dinheiro, mas não há nada melhor para credibilizar uma cultura do que ter um país que a suporte: uma prova de que a sua consistência é tal, que já dura desde o século XII.
Mas, a comprovar a minha primeira afirmação, temos mais uma aquisição editorial, desta feita no Brasil e pela gigante Hachette, através do seu braço espanhol (esse sim, com capacidade para gerir os mercados sul-americanos), o Grupo Anaya.
A editora chama-se Escala Educacional e já adivinharam a área de negócio.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:11 AM | TrackBack
setembro 04, 2007
Mudanças no mercado
Relativamente à Círculo de Leitores, as notícias são breves e pouco significativas para Portugal.
A divisão decidida no seio da Direct Group/Bertelsmann acabou por ser geográfica, com a separação entre a Direct Group EUA (que passará a incorporar a Random House USA) e a Direct Group Europa e Ásia.
De realçar que o braço euro-asiático passou a ser dirigido por Fernando Carro, ex-director da Círculo de Lectores (Espanha) e, desde o ano passado, do braço ibero-germânico (Alemanha, Áustria, Suíça, Portugal e Espanha).
Simultaneamente, deve-se falar um pouco da aquisição da Editorial Teorema pela private equity nacional Explorer Investments.
Pessoalmente, considero a Editorial Teorema como uma boa oportunidade de negócio, pois Carlos da Veiga Ferreira tem um fundo muito significativo de excelentes autores e direitos que poderiam ter sido muito mais bem explorados do ponto de vista editorial e comercial.
Nesse ponto de vista, António Lobato Faria já provou ter mais do que competência para criar óptimos produtos e dará, certamente, um fôlego novo e significativo aos actuais produtos Teorema. Quem sabe se não aproveitará para migrar long sellers para a Casa das Letras, de modo a equilibrar o catálogo actual dessa editora com um fundo sustentável, ou então para reorganizar os catálogos actuais da Oficina do Livro e da Casa das Letras. Estes começam a estar cada vez menos direccionados e mais assentes em estratégias de produto de Top, o que descura o reconhecimento, a fidelização e a marca.
Recordo, por fim, que a Oficina do Livro nasceu de uma imagem de marca, de um reconhecimento gráfico (os tão famosos chapões de cor) e temático (por alguns desdenhado), reconhecimento esse que actualmente já não se observa.