setembro 19, 2007

O prazer do livro

Contrariamente ao que poderão estar a pensar, não me refiro somente ao prazer de ler um livro.

De facto, um livro é toda uma experiência que fomenta a continuação de novas experiências iguais, capitalizando sempre que a mesma é positiva, ou o contrário.
Tal como noutras indústrias culturais, como no cinema, por exemplo, a qualidade da película é algo de relativo quando o que está em causa é toda a experiência de «ir ao cinema». Nesse âmbito, poderemos estar a falar de coisas úteis e agradáveis como: lugares gratuitos e seguros de estacionamento, cadeiras confortáveis, salas aquecidas, écrã de grande dimensão, boa qualidade de imagem e de som, higiene e casas de banho ou, até, a possibilidade de querermos levar connosco bebidas ultra-calóricas e milho em gorduras saturadas.

Com os livros, a situação não é diferente.
É necessário pensar (produzir e comercializar) um livro tendo em perspectiva a noção de «experiência global positiva» para o cliente. Tanto no acto de procura de informação e decisão de compra, ambiente de livraria e atendimento – pois se o cliente não conseguir encontrar o que quer, não gostar de estar na livraria ou sentir-se constrangido com o atendimento, não pretenderá repetir essa experiência –, ou questões práticas como o peso, formato, lettring, etc.
É tão simples como pensar que se um livro cansar um leitor por ter um peso excessivo, por lhe forçar os olhos ou por não ter uma posição certa para o pousar, ele deverá optar por algo mais confortável da próxima vez, talvez uma ida ao cinema ou a pesquisa na Internet.

O prazer do livro passa por toda a vida que o livro passa nas mãos do consumidor, no prazer que ele irá desfrutar da experiência de o ter comprado, transportado, lido e guardá-lo à vista no armário do quarto.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:01 PM | TrackBack

setembro 14, 2007

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - Curso de Especialização para Técnicos Editoriais

Estão ainda abertas as inscrições para o ano lectivo de 2007/2008 do Curso de Especialização para Técnicos Editoriais. O prazo termina dentro de uma semana, a 21 de setembro de 2007, estando o início das aulas previsto para Outubro de 2007.

A inscrição custa €50,00 (mais €350,00 por semestre) e podem fazer o download do .pdf de candidatura aqui.

O curso tem a duração de 2 semestres lectivos.
O horário é pós-laboral (18:30 – 21:30) todas as segundas, terças e quartas-feiras e quintas-feiras, de quinze em quinze dias.

Terão ainda a oportunidade de participar na revista Extratexto.

Neste link, encontrarão a estrutura curricular e uma súmula dos conteúdos programáticos das diversas cadeiras.

Para mais informações, poderão contactar Susete Bruno (e-mail: susetebruno@fl.ul.pt).

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:39 AM | TrackBack

setembro 13, 2007

A questão das devoluções

Porque queremos ter um papel activo e positivo, aventamos propostas para se tentar resolver algumas das questões que têm vindo a ser referidas, nomeadamente o problema do custeamento das devoluções.
O que aqui vimos dizer não é novo e tem sido abordado esporadicamente por alguns editores.
Nós seguimos o estudo efectuado em 1998 pela consultora KPMG.

A devolução dos livros é um mal necessário – prática iniciada por Alfred A. Knopf, da Simon & Schuster, em 1929, durante a Grande Depressão, para não sobrecarregar o mercado livreiro – que traz despesas e complicações a todas as partes envolvidas.
Como tal, é necessário eliminar a maior parte do tempo e dos recursos gastos com essa prática através de processos automáticos de trabalho intensivo e uma política estandardizada de devoluções (algo que André Jorge da Livros Cotovia também referiu recentemente).

Como muitos sabemos, em variadíssimos casos o processo actual é manual, e segue regras e métodos estabelecidos individualmente por cada um dos parceiros envolvidos, é utilizada como arma na estratégia de pagamento, é alvo constante de incertezas e de atrasos e leva a que muitos livros acabados de entregar sejam devolvidos sem terem sequer cumprido a sua função, logo, não permitindo a sua exploração comercial e reduzindo globalmente o número de livros vendidos.
Para além disso, este processo é moroso, custoso e responsável por grande parte do trabalho de distribuição e por uma enorme quantidade de tempo e esforço por parte dos livreiros.

Se, tal como em vários países já se utiliza, se estabelecer uma política de devolução que favoreça tanto os editores como os distribuidores e livreiros, com recurso a processos automáticos e transferência electrónica de documentos, os custos associados a essas funções deixam de ser preponderantes.

Algumas das regras estão já a ser progressivamente implementadas pelos grupos maiores, mas convém sempre referir e reforçar a necessidade de um entendimento geral e do estabelecimento de regras comuns. De outra forma, todo o processo não irá funcionar convenientemente e as vantagens tornam-se parciais e insignificantes.

Propõe-se que:
– Todos os documentos envolvidos devem ser digitais e seguirem processos pré-estabelecidos de autorização (com autorizações automáticas desde que dentro de parâmetros definidos na política comum de devoluções).
– Esses documentos devam ser fundidos num único documento multifuncional, ou no menor número possível de documentos;
– Seja definido um código standard (para leitura digital) que identifique as embalagens, nomeadamente referindo a quantidade e a identidade dos produtos que contém e respectivas editoras, e que esse código seja utilizado por todos os agentes em todos os processos de transporte e compatível com os códigos utilizados internacionalmente;
– Nenhum livro deva poder ser devolvido (excepto em caso de danificados) antes dos três meses de colocação;
– Após 12 meses de entrega nenhum livro possa ser devolvido, independentemente do caso ou do dano;
– A devolução tenha de ser sempre inferior (se possível inferior a 50%) do valor/ n.º de produtos entregues;
– Haja a avaliação prévia de históricos para definição dos valores de colocação, eliminação colocações excessivas ou não significantes;
– Não haja devolução dos livros entregues a firme;
– Os créditos sejam feitos à data de entrega/devolução dos livros;
– Se estabeleça uma data semanal limite (dois dias antes da data semanal de entrega) para envio de pedidos e produtos e de devoluções;
– Se estabeleça um data única semanal para entrega/recolha de livros (novidades, reforços, devoluções e danificados);
– Em caso de alteração de preço pelo editor (para baixo) haja um processo automático de devolução ao preço anterior (com creditação do valor) e débito ao novo valor, à data da alteração do preço;
– Que a encomenda de títulos devolvidos no mês anterior seja feita obrigatoriamente a firme;

Quem ganha e porquê:

Os livreiros ganham porque:
– O processo de devolução é automático e transparente;
– Estabelecem o mínimo de recursos para o mínimo tempo no processo de recepção e devolução de livros;
– Têm certeza nas datas de pedido e de entrega dos livros em falta;
– Certeza na creditação das devoluções;
– Estabilidade no cash-flow;
– Ficam com a obrigatoriedade de melhor gestão dos produtos;
– Vendem mais e poupam mais em custos;

Os distribuidores ganham porque:
– Todo o processo burocrático é automático;
– Beneficiam da autorização automática;
– Existe apenas uma referência de custos na negociação com os clientes;
– O handling é simplificado e as rotas são pré-definidas com grande grau de eficácia e eficiência;

Desse modo, iremos poupar tempo, esforço e custos.
Irão terminar as guerras de contabilidade para creditação e autorização.
Os gestores terão valores reais para gerir e maior certeza no seu cash-flow.
As relações comerciais tornam-se muito mais estáveis, dando oportunidade para novos desenvolvimentos e parcerias comerciais.

Todo o processo fica mais eficiente e permite maiores lucros operacionais para todas as partes à custa de algum investimento que pode ser partilhado e que assente essencialmente em boas-práticas e em entendimento.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 07:00 PM | TrackBack

setembro 12, 2007

Acrescento ao caso Bertrand

Quem me conhece sabe que a minha opinião do mercado é clara: isto é um negócio e ninguém anda cá a fazer favores a ninguém.
Por outro lado, não é com argumentos passivos que se altera seja lá o que for. Não é afirmando passivamente a má conduta, ou conduta abusiva, da Bertrand ou de outro qualquer que se irá alterar esta situação.
Por isso, eu respondo com acções e na medida das minhas capacidades: enquanto consumidor, recuso-me a comprar livros na Bertrand.

A posição conjunta que está no Blogtailors é uma posição de apoio: Nós estamos ao lado dos editores, nós afirmamos a nossa parcialidade e explicamos porquê.

Se os editores estão presos na sua relação comercial com a Bertrand, os consumidores não; e é com essa liberdade que nós agimos: enquanto consumidores.

Um dos argumentos que ouviremos é que outros parceiros pedem fatias maiores do que a Bertrand.
Sim, mas esses parceiros deram algo em troca; negociaram com a força e as armas que tinham para conseguir esses valores. Agiram dentro das regras de mercado e obtiveram vantagens de uma forma correcta.
Não haja confusões, anti- ou ultra-liberalismos envolvidos nesta história. Foi o mundo liberal que instituiu as regras da concorrência e por algum motivo ainda mantém as boas-práticas e a boa-fé para reger muitas das relações do mundo profissional.
O mercado só funciona se todos respeitarem as regras e ninguém explorar a sua posição dominante.

Se em negócios ninguém tem obrigação de ajudar ninguém, será que tem o direito de esmagar?

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 05:33 PM | TrackBack

Posição face ao caso «Bertrand»

A minha posição em relação ao caso Bertrand já tinha sido referida em nota num post do passado dia 21 de Junho.

Agora, e dado o maior protagonismo e importância do caso, decidi, juntamente com os restantes membros da Booktailors, tomar uma posição conjunta que pode ser lida no Blogtailors.

Ler posição conjunta.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:27 PM | TrackBack

setembro 10, 2007

Alterações Editoriais

Caros leitores,

como puderam reparar, acaba de abrir um novo «blogue da edição», o Blogtailors, do qual faço parte.

Por esse motivo, e porque da canibalização já está este mercado dos livros cheio, o Extratexto passará a ser ligeiramente diferente. Entre as alterações que se prevêm refira-se a eliminação das informações gerais e notícias editoriais, e uma maior preponderância de questões teóricas de edição, de opinião, de crítica e posicionamento.

Porque o Extratexto quer passar a ser uma voz mais responsável, irá perder esse carácter generalista e de relativa isenção que sempre procurou e tentar actuar para alterar este sector no sentido que achamos ser o melhor.

Queremos, assim, que tenham nestes dois blogs uma visão mais completa e informada do que não vem escrito por detrás das capas.

Extratexto e Blogtailors - a edição em Portugal.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:07 PM | TrackBack

Rentrée

Hoje, no Jornal de Notícias, Sérgio Almeida abre-nos um pouco o apetite para a rentrée que agora começa.

Se acham que que aquilo que ele diz já é muito, vamos agora recordar que ele não referiu o próximo livro de Miguel Sousa Tavares nem a já editada Bala Santa de Luís Miguel Rocha.

Ler artigo aqui.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:04 PM | TrackBack

setembro 06, 2007

Blogtailors

Uma das novidades para a rentrée bloguística é a criação de um novo espaço totalmente dedicado à edição, mais profissional e participado, que abordará mais aprofundadamente algumas das questões já tratadas neste blog.
Trata-se da Blogtailors, o blog da consultora editorial Booktailors, da qual faço parte, e que contará entre outras presenças com a minha participação, assim como a de Paulo Ferreira, consultor de marketing e comunicação editorial desta estrutura, entre outros.

Entrem e instalem-se na Blogtailors.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:08 PM | TrackBack

Textos de Contracapa

É com imenso prazer que descubro hoje que Nelson de Matos regressou ao seu Textos de Contracapa.
Agracia-nos, entre outras coisas, com a óptima entrevista que deu ao Notícias Magazine no passado mês.

Venham, não fiquem aí e entrem já!

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:47 AM | TrackBack

setembro 05, 2007

Como chegar às terras de Vera Cruz

Se muitos de nós achávamos que o mercado português poderia ser interessante para os grupos internacionais, e mantínhamos a ideia de que talvez até pudéssemos ser uma porta de entrada para outros mercados lusófonos, o melhor é esquecer a ideia, pois o maior deles todos, o Brasil, não faz parte desse lote.
De facto, quem quer algo do outro lado do Atlântico, desloca-se ao outro lado do Atlântico e Portugal nada influencia nesse caso (como Colombo já tão bem sabia, daí ter ido a Espanha). Pensando agora em escala, uma editora espanhola faz, de facto, melhor esse papel do que qualquer editora portuguesa (quem gere a Espanha e a América hispânica tem somente de alargar um pouco os braços para englobar Portugal e Brasil), e quanto a vantagens decorrentes da proximidade linguística... o que é que isso tem de difícil quando já se tem de lidar com vários idiomas nacionais, como é o caso espanhol?

Não, longe de mim partilhar utopias ibéricas «saramágicas» e, pessoalmente, prefiro manter a minha lusitânica casa com jardim à volta, em vez de pagar a quota do condomínio ibérico.
Mesmo em termos de cultura, até poderíamos ter mais capacidade e dinheiro, mas não há nada melhor para credibilizar uma cultura do que ter um país que a suporte: uma prova de que a sua consistência é tal, que já dura desde o século XII.

Mas, a comprovar a minha primeira afirmação, temos mais uma aquisição editorial, desta feita no Brasil e pela gigante Hachette, através do seu braço espanhol (esse sim, com capacidade para gerir os mercados sul-americanos), o Grupo Anaya.
A editora chama-se Escala Educacional e já adivinharam a área de negócio.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:11 AM | TrackBack

setembro 04, 2007

Mudanças no mercado

Relativamente à Círculo de Leitores, as notícias são breves e pouco significativas para Portugal.
A divisão decidida no seio da Direct Group/Bertelsmann acabou por ser geográfica, com a separação entre a Direct Group EUA (que passará a incorporar a Random House USA) e a Direct Group Europa e Ásia.
De realçar que o braço euro-asiático passou a ser dirigido por Fernando Carro, ex-director da Círculo de Lectores (Espanha) e, desde o ano passado, do braço ibero-germânico (Alemanha, Áustria, Suíça, Portugal e Espanha).
Simultaneamente, deve-se falar um pouco da aquisição da Editorial Teorema pela private equity nacional Explorer Investments.
Pessoalmente, considero a Editorial Teorema como uma boa oportunidade de negócio, pois Carlos da Veiga Ferreira tem um fundo muito significativo de excelentes autores e direitos que poderiam ter sido muito mais bem explorados do ponto de vista editorial e comercial.
Nesse ponto de vista, António Lobato Faria já provou ter mais do que competência para criar óptimos produtos e dará, certamente, um fôlego novo e significativo aos actuais produtos Teorema. Quem sabe se não aproveitará para migrar long sellers para a Casa das Letras, de modo a equilibrar o catálogo actual dessa editora com um fundo sustentável, ou então para reorganizar os catálogos actuais da Oficina do Livro e da Casa das Letras. Estes começam a estar cada vez menos direccionados e mais assentes em estratégias de produto de Top, o que descura o reconhecimento, a fidelização e a marca.
Recordo, por fim, que a Oficina do Livro nasceu de uma imagem de marca, de um reconhecimento gráfico (os tão famosos chapões de cor) e temático (por alguns desdenhado), reconhecimento esse que actualmente já não se observa.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:15 AM | TrackBack

agosto 30, 2007

Círculo de Leitores/Bertrand

A Handelsblatt, via revista Forbes, anunciou que hoje a multinacional Bertelsmann AG irá discutir o futuro da Direct Group, o seu braço que gere em Portugal a Círculo de Leitores/Bertrand.

O resultado mais previsível será a separação dos diferentes negócios do Clube do Livro (Livros, DVDs, Música), devendo a parte respeitante aos livros ser integrada no principal braço editorial da multinacional, a Random House.

Será de recordar que a Random House não se encontra ainda directamente em Portugal, havendo uma sua representação em Espanha (Random House Mondadori S.A.).

Resta esperar para ver quais as consequências desta reorganização para o nosso país e como poderá afectar as editoras actualmente pertencentes ao grupo (Círculo de Leitores; Temas & Debates; Quetzal; Bertrand).

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:19 PM | TrackBack

agosto 29, 2007

Meditação na Pastelaria

Este mundo da blogosfera é bastante interessante pela forma como conseguimos encontrar a alguma distância pessoas de gostos comuns - por mais incomuns que os nossos gostos possam ser, por vezes.

É dessa forma que eu tenho por hábito visitar um blogue que, para mim, tem muito a ver.
Tem a ver com os meus gostos, com a minha forma de ver muitas coisa, com a minha estética, essencialmente.
A senhora por detrás é algo conhecida, apesar de o mesmo ser irrelevante para o facto, é a jornalista Ana Cristina Leonardo na sua Meditação na Pastelaria.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:56 AM | TrackBack

agosto 28, 2007

Ranking mundial

A Livres Hebdo, com o apoio da Publishers Weekly, publicou a listagem dos principais grupos editoriais mundiais, cuja visualização está disponível no blogue de Richard Charkin, CEO da Macmillan.

Naturalmente que nenhum grupo português lá surge, nem se pressupõe que se possa aproximar dessa listagem nas próximas décadas. Aliás, quando algum deles lá surgir já não será provavelmente português, excepto no passado longínquo.

Sic transit gloria mundi. O primeiro grupo não-ocidental também não surge num país de mil milhões, mas no Japão (Kodansha), na posição número 17, ainda bastante à frente da única representante chinesa (HEP), na 44.ª e penúltima posição desta lista e 28,5 vezes mais pequena do que a poderosa anglo-holandesa Reed Elsevier, senhora do conhecimento profissional, especializado e científico do Mundo Pequeno (faixa do globo situado entre o paralelo 30º e 70º Norte).

Esquecendo o perfil dos países, pergunto, o tamanho importa?

Esta não é uma indústria de alta tecnologia e de forte concentração de capital, não fazemos foguetes espaciais nem armas de autodestruição maciça.
Um livro é um pequeno objecto de rigor humano, que requer poucos mas dedicados profissionais que, acidentalmente, gostam mais de ler do que de muitas outras coisas.
A dimensão serve só para ter dinheiro e o dinheiro serve só, claro está, para ganhar mais dinheiro, para se poderem monopolizar os elementos mais rentáveis, como os grandes autores comerciais que procuram o mesmo que todos os outros grandes gestores comerciais.

A dimensão serve só para ultrapassar Mateus - para chegar mais longe, à carteira de mais consumidores. Pouco tem a ver, por exemplo, com a qualidade e quase sempre a prejudica, obrigando-a a perder profundidade.
Mas o contrário é também real: pouca dimensão e pouco dinheiro não permitem ter essa mesma qualidade, não permitem ter recursos decentes para se fazerem bons livros.

Por isso a fórmula será, talvez, a do equilíbrio.
Baixar na quantidade para subir na qualidade, subir na marca e baixar no produto, gastar menos no que não é essencial e mais no que é «nuclear» e onde estão as nossas forças editoriais.

Devaneando um pouco, poderia também acrescentar que se gastarmos todo o nosso dinheiro naquilo que não é a nossa área - como a distribuição, por exemplo - estamos a dar todo o nosso dinheiro, tentando fazer aquilo que não nos compete. Ficamos dependente da Casa onde colocamos o dinheiro e não damos motivos à Casa para nos manter, excepto para a sua própria prossecução financeira e até encontrarem substituto melhor para nós. Ou seja, estamos fora do jogo e só nos deixam jogar enquanto tivermos crédito para gastar.

Dimensão é então uma curiosidade e um alerta. Um alerta para que todos saibamos que facilmente podemos ser comprados por estes grandes buracos negros, famintos de mais recursos, verdadeiras máquinas que destroem belos castanheiros para plantar extensivamente eucaliptos, e fazer papel em vez de fazer castanhas.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:25 AM | TrackBack

agosto 24, 2007

Dúvidas pertinentes

P: O que é preciso para se ser um escritor famoso?

R: É necessário ter talento, muito talento. Talento para o futebol, para a moda, para a política, para as finanças, para a televisão, eu sei lá... ter talento, entendes. Ou sorte, claro.


A Extratexto está de volta!

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julho 26, 2007

Parado para descanso do pessoal

Deixem-me suspirar profundamente e arrepanhar a comissuras dos lábios em modo de satisfação enquanto vos digo que: Estou de férias.

Nas próximas três semanas (até 22 de Agosto) não haverá actualização do blogue Extratexto.



Prometo que, na rentrée bloguística, haverá novidades - gráficas e não só - de modo a tornar a Extratexto cada vez mais o espaço de formação e informação da indústria e do mercado editorial português.

Antes de ir, aconselho um livro muito interessante e crítico que devia ser lido por todos os que gostam deste mundo editorial:

Thank You for Not Reading, Dubravka Ugresic
Dalkey Archive Press

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julho 19, 2007

Livrarias independentes

Tenho estado a seguir o interessante diálogo comentado que o Luís Filipe Cristóvão tem suscitado.
Contexto: Maria Inês, de seu nome, critica os preços mais elevados que as livrarias independentes praticam em relação ao novo Harry Potter, assim como o facto (real, muitas vezes) de várias livrarias independentes não terem um serviço minimamente digno desse nome.

Por um lado, o Cristóvão torna clara a questão subjacente ao preço. O desconto praticado por ele é o possível, pois não tem forma de concorrer pelo preço com um concorrente que obtém descontos superiores e cujo desconto «maior» é, na prática, igual ou inferior ao dele (ou bem menor, tendo em conta a escala).
Por outro lado, refere que a Livrododia se posiciona e diferencia de forma diversa da Fnac. Ele não é a Fnac e sabe que não vale a pena ser como a Fnac – seria igual a fazer um braço de ferro com um lutador de sumo, era inútil e arrasador.

Perante isto, julgo ser necessário dizer algumas coisas.

1. Felizmente que existem espaços de venda de livros com posicionamentos diferentes, pois possibilita que diferentes clientes fiquem mais satisfeitos e comprem mais livros – recordemo-nos de que o livro é um bem de experiência e só boas experiências podem fomentar o seu consumo aditivo. Além disso, abre a possibilidade de comercializarmos livros que, nos canais mainstream, seriam liminarmente recusados não pela falta de qualidade mas sim pela falta de dimensão do nicho, ou pelo excessivo esforço por parte de estruturas demasiado grandes para personalizações.

2. São raros os espaços livreiros independentes que, de facto, merecem essa denominação. Se a sua vantagem não é o preço, tem de ser os serviços associados, a possibilidade de usufruirmos de informação correcta e fidedigna sobre determinado livro, um atendimento à medida das nossas necessidades, a certeza de que não teremos como resposta «não temos», ou «esse livro não existe» (acreditem que já me aconteceu dizerem-me isto sobre um livro que tinha sido trabalhado por mim e cuja existência podia asseverar...), a possibilidade de entrega a casa, de uma embalagem com humor ou rigor, etc.

Ou seja, se para comer temos cuidados e procuramos produtos que sejam mais saudáveis, melhores, mais agradáveis (e não só mais baratos), por que não o fazer com um produto que só compramos por prazer ou interesse? Se vamos a determinado restaurante, e pagamos mais, porque as condições de higiene ou o sorriso são melhores, é porque valorizamos aquilo que tem valor.
Compreendo que os livros sejam caros e seja grande a vontade de comprar mais. Compreendo que certas experiências nos façam duvidar das livrarias independentes, mas se tiveram más experiências com uma dada livraria: não voltem!
Existem certamente espaços livreiros que merecem a vossa visita e vos darão mais coisas juntamente com um produto que vale aproximadamente o mesmo em todos os lugares.

Digo isto, mas não critico a Fnac e também compro por vezes lá. Algumas das pessoas são simpáticas e tenho de ir regularmente a esses espaços para observar as estratégias de produto utilizadas, sendo que a dimensão auxilia à pesquisa. Além disso, tenho pouca resistência ao apelo de certos livros e não resisto a levá-los.

Caros leitores, se é só pelo preço do livro, mais vale dirigirem-se a um alfarrabista, pois encontrarão por lá livros bem mais baratos do que o Harry Potter. Se é pela actualidade, é porque valorizam alguns desses serviços, como a actualidade dos produtos. Já agora, se é só por causa do preço, não sejam estúpidos e comprem o Harry Potter directamente pela Internet e, em vez de pagarem 23€ na Fnac, pagam 13 ou 14€ euros com portes incluídos.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:03 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 12, 2007

A Ciência do Sucesso

Tenho de partilhar com todos os interessados o magnífico artigo que surgiu na New Yorker, na segunda-feira passada.

A Ciência do Sucesso vem (para mim) um pouco na sequência de um artigo saído na última National Geographic Portugal, sobre comportamentos colectivos (assim como uma conversa pessoal sobre mercados com um amigo, físico de profissão e formação, onde ele afirmava que a longo prazo todos os mercados funcionam de modo coerente).
Assim é que, e como se diz no artigo, ninguém sabe nada ou tem a certeza seja lá do que for, pois tudo parece aleatório no mercado. Mas a inteligência colectiva, a amálgama de diversas opiniões, parece conseguir obter resultados de previsão absolutamente impressionantes.

Ou seja, ninguém sabe nada, mas, todos juntos, parece que sabemos muita coisa.

Ler artigo

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:48 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 09, 2007

Bibliografia actualizada

A 8 de Novembro de 2006, apresentámos aqui no blogue, e em exclusividade, uma Bibliografia de Sociologia do Livro e da Leitura, da autoria de Eduardo de Freitas.

Oito meses volvidos, tenho o prazer de apresentar uma nova versão, revista e aumentada - com 80 novas entradas -, da mesma bibliografia de Eduardo de Freitas, agora com um total de quase 300 títulos.

«Recenseiam-se as obras editadas em Portugal [...], de autores portugueses e estrangeiros, que pertencem ao domínio daquela sociologia ou que contêm secções relevantes para esse mesmo domínio. A par disso incluem-se nesta bibliografia [...] outras obras que são catalogáveis em áreas do conhecimento que com aquela sociologia estabelecem alguma relação de proximidade.
[...]
A bibliografia recenseia obras catalogáveis como livros, não nomeando outros textos, mormente artigos de revista, relatórios, separatas, etc., que sobre as temáticas se encontram publicados.»

A não perder: fazer download.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:40 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 05, 2007

Caminho

Enquanto o mercado ainda vai falando da possível compra da Teorema e da Difel pelo Eng.º Paes do Amaral, a Editorial Caminho junta-se oficialmente ao rol de editoras adquiridas.

Devo confessar que, de todas as editoras nacionais, a Editorial Caminho era a última que eu esperava que cedesse às intenções do Eng. Paes do Amaral.
Longe de discordar com o processo de compra e venda por que o mercado passa, sempre entendi a Caminho como uma editora cujo posicionamento político - marcadamente de esquerda - a impedisse ideologicamente de aceitar uma proposta financeira de um quadrante político obviamente diferente.
Como é lógico, por mais que a nova direcção se comprometa a seguir a linha editorial, não se compromete com a linha ideológica e, a partir do próximo ano, passaremos a ter um(a) Caminho diferente.

Assim sendo, o Eng.º Paes do Amaral já tem adquiridas e confirmadas (pela comunicação social):
- Texto Editora
- Edições Asa (só parte editorial)
- Editorial Caminho

Em negociação:
- Plátano/Didática
- Gailivro

E, segundo o mercado, estão em discussão:
- Pergaminho
- Teorema
- Difel

E já terão recusado:
- Porto Editora
- Presença

Sei que aqui, algures, terá havido editoras de que me esqueci, mas que com o passar do tempo tomaremos conhecimento.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:24 AM | Comentários (0) | TrackBack

junho 29, 2007

HiperFnac

Eu começo por dizer que sou um frequentador e apreciador da Fnac, apesar de sentir mais afinidade e prazer em pequenos (e bons!, logo raros) espaços livreiros como a Leitura (Porto), Buchholz ou Férin (Lisboa).

Logo, não gosto de repetir a máxima «A Fnac também vende livros». Mas a verdade é que hoje, na Livres Hebdo, surge uma notícia pouco abonatória... Em França, a Fnac estabeleceu uma parceira com uma rede de Hipermercados (Magasin U) para fornecer a parte dedicada «à cultura».
Aparentemente querem combater um projecto semelhante do Leclerc.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:49 AM | Comentários (0) | TrackBack

junho 27, 2007

Livro da Semana

De facto, tenho de agradecer à jornalista Isabel Coutinho pela extraordinária referência que deu na sua reportagem sobre a BEA.
Já tenho o livro e aconselho também vivamente a comprarem: The New Rules of Marketing & PR - How to use news releases, blogs, podcasting, viral marketing & online media to reach buyers directly, de David Meerman Scott (Wiley).
Não é apenas mais um livro de marketing, é uma obra de referência.

Ficaremos atentos a outras dicas da jornalista, aliás umas das poucas profissionais (à qual juntaria Isabel Lucas, Leonor Figueiredo, Luís Caetano, Ana Marques Gastão, Sara Belo Luís, João Morales e Felipe Avilez, e alguns outros de que, agora e infelizmente, não me recordo, mas que produzem óptimos trabalhos) que se dedica com grande atenção e paixão ao nosso sector. Atenção, não me refiro a jornalistas que falam de livros ou de literatura, cuja lista seria bem mais extensa, mas de edição, editores e mercado do livro.

Ah!, já agora, o livro é em hardback e o preço total (com portes incluídos), via Amazon, foi inferior a 20 euros.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:46 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 21, 2007

Resumo da conferência

A conferência de ontem, na Universidade Católica Portuguesa, correu bem (tanto quanto me foi possível observar) e ainda tivemos oportunidade para uma interessante troca de questões ao final.

Queria agradecer a todas as pessoas que estiveram presentes, assim como a todas que, querendo ir, não tiveram oportunidade.

Em jeito de micro-resumo, coloco um excerto do texto pelo qual me guiei para fazer a intervenção final - em jeito de conclusão.

«Dizer que actualmente não existe Marketing do Livro em Portugal seria errado.

Torna-se óbvio o esforço que a generalidade das editoras que trabalham nos segmentos mainstream fazem, por exemplo, em termos de colocação do produto, assim como o trabalho gráfico sobre a embalagem (capa), privilegiando o apelo da atenção ou o destaque de entre a concorrência física, assim como a motivação através de estratégias relacionais, com fotos que buscam empatia, espanto, medo e outras sensações e experiências que o livro cumpre.

No entanto, muito desse trabalho acaba por ser comprado em pacote, plenamente desenvolvido para outros mercados mas com resultados relativamente bons por cá.

Os instrumentos impressos de comunicação também têm evoluído, com marcadores, cartazes, stand-ups, postais, convites, press releases, etc. E temos até observado, nos últimos anos, alguns instrumentos multimédia, e multimédia interactivos.

A questão agora não é só a da existência – pouca –, mas a da eficácia, a eficiência, a garantia de que o nosso marketing não é composto somente por actos isolados, não relacionados, sem estratégia subjacente, sem real passagem de informação para além do simples apelo à atenção.

Se, em Inglaterra ou noutro grande mercado, observamos livros pensados até à exaustão – em especial nos seus aspectos editoriais, onde o texto é trabalhado para potenciar a experiência ao seu leitor, e todos os elementos de motivação são direccionados de forma surpreendente, como os textos de contracapa, as citações, as biografias, as blurbs, os press releases e todos os materiais de comunicação; pensem então no caminho que em Portugal falta percorrer.

Observamos diariamente erros grosseiros na comunicação em Portugal.

Meus senhores, nós comunicamos para vender, quando informamos fazemo-lo para vender.
Tudo é comunicação, comunicar é transmitir informação e tudo o que nós fazemos transmite informação.
Só trabalhando sempre no mesmo sentido, no sentido do nosso cliente target, criando valor para o cliente, é que conseguimos antever resultados, dimensionar públicos, conhecer as suas épocas, os seus valores, os seus padrões e disponibilidades: criar relações.

Se atacarmos aleatoriamente, recebemos em troca a aleatoriedade, os flops, as épocas más, as devoluções maciças, as quebras de tesouraria e a consequente falta de credibilidade e coerência que acabam por destruir a imagem de muitas editoras portuguesas – se não no consumidor final, pelo menos no retalho, nos fornecedores.
E isso reflecte-se nas vendas.
Reflecte-se na obtenção de espaços no retalho, de espaços na comunicação, na disponibilidade de profissionais que valorizam o produto e dão motivos para que o consumidor goste e recomende, volte para comprar o próximo.

Podem achar que o mercado ainda está numa fase incipiente – e é verdade. Mas é uma verdade provisória.

As características do mercado crescem a um ritmo surpreendente e se o valor do mercado não acompanha, significa que aqueles que chegam com novas vantagens capturam quota, capturam espaços, crescem não à conta dos consumidores, mas à conta de quem não os consegue acompanhar.

Por fim, só com formação, informação e experiência é que se consegue ter verdadeiramente sucesso – não ficar pela metade, mas obter a máxima rentabilidade do mínimo investimento.

Quem aqui trabalha não vem, obviamente, pelo dinheiro: vem também pela paixão.
E essa paixão deve reflectir-se em profissionalismo. Em saber que, se quisermos, conseguimos ter uma indústria editorial com muito mais qualidade, com valor próprio que possa ser vendido para outros países.
Ter orgulho na nossa capacidade de fazer bons livros, de remunerar melhor os nossos profissionais, de ter nas mãos a capacidade de recusar aquilo que não tem qualidade, mas que actualmente necessitamos de publicar para sobreviver.»

Entre outras coisas, naturalmente.

Como não estou só para palavras boas, quero informar todos os leitores deste blogue que o modo como, leoninamente, as livrarias Bertrand, actualmente parte do Grupo Círculo de Leitores/Bertelsmann, tentam utilizar a sua quota de mercado como arma para exigir condições abusivas (43% do preço de venda + o direito integral de devolver o que não vendem com as despesas a serem pagas pelo editor) revelam pouca inteligência numa altura em que o mercado livreiro tem de se definir e vários projectos livreiros procuram implantar-se.

Clientes e fornecedores conquistam-se, não se espezinham.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 07:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 12, 2007

Conferência «Marketing do Livro»

No próximo dia 20, pelas 19:00, na Sala Brasil da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, irei, juntamente com o meu sócio, Paulo Ferreira, dar uma conferência à «Pós-graduação em Edição, Livros e Novos Suportes Digitais» dessa Universidade.

A conferência surge não na sequência da minha actividade no curso para Técnicos Editoriais da Faculdade de Letras de Lisboa, mas da minha actividade profissional, como consultor editorial da «Booktailors - consultores editoriais».

Gostaria, naturalmente, de convidar todos os interessados nessas matérias a estarem presentes (a entrada é livre).

Agora, uma breve apresentação do que irá ser abordado.

É tão difícil empurrar uma montanha como é empurrar uma nuvem.

O marketing assenta, genericamente, na criação e transferência de valor (quer no produto ou nos serviços, quer nos processos e filosofia subjacente a toda a nossa actividade) para o cliente.
Mas, e se os responsáveis por tal hercúlea tarefa desconhecessem quer o produto, quer o cliente e tivessem apenas uma vaga noção das acções de valorização possíveis e vantajosas atrás referidas?

Os livros são diferentes, por isso, a visão que vamos apresentar afirma que apenas um conhecimento bem fundamentado do nosso público, do nosso mercado e do nosso produto – o livro – possibilitará a concepção global das vantagens realmente compensadoras quer para editora, quer para o cliente.
O actual empirismo da maior parte das acções editoriais em Portugal não possibilita ao editor identificar essas acções de valorização, nem utilizar os instrumentos ao seu dispor para comunicar direcionadamente e transformá-las em recursos e em valor que permaneça. Se se desconhecerem as características dos elementos e dinâmicas em jogo, a acção editorial assentará na aleatoriedade da tentativa e erro e na repetição constante de acções que já tiveram sucesso, num mercado cada vez mais canibalizado e sem vantagens concorrenciais verdadeiramente compensadoras para o cliente.

Pronto, agora falando a sério e sem complicar, informo que a conferência será bem menos seca do que isto, iremos abordar algumas destas temáticas de forma bastante descontraída.

Prometemos que irão gostar e sair de lá com algumas boas ideias.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 05, 2007

A edição está a mudar

Isabel Coutinho, do jornal Público, viajou à BEA (Book Expo America) e de lá nos escreve hoje (P2), como Cavaco Silva após a sua viagem ao Japão: com os olhos a brilhar de espanto.
Espanto não tanto pelo evento, que é de facto grandioso - e nada tem a ver com o modelo de Frankfurt, daí eu não compreender a comparação por ela feita -, mas porque Isabel Coutinho observou um mundo editorial composto por práticas que, para ela, são diferentes e inovadoras.

Bem sei que Isabel Coutinho não tem formação e experiência em edição e, enquanto jornalista, se situa num elo diferente da cadeia, mas, apesar de Portugal se situar num pequeno canto da Europa, o nosso atraso não é assim tão grande que também faça espantar os nossos editores.
Aquilo de que Isabel Coutinho nos fala também se passa por cá - à nossa dimensão e variando de editor para editor.
Muitos profissionais do mercado (e agora falo por experiência própria, enquanto consultor) trabalham já na óptica por ela descrita, pelo que noções de brand marketing, marketing viral, news management, CRM ou coisas tão estranhas como as estratégias de posicionamento interactivo, e outras que não são do conhecimento da jornalista, são do conhecimento dos nossos editores e começam progressivamente a chegar ao mercado: não é à toa que o mercado está a mudar.

Já não estamos numa época em que nos podemos dar ao luxo de ficar espantados com o que vem de fora - de outro modo rapidamente ficaremos também espantados com a forma como eles nos compram.
Quando, e muito correctamente, leio Isabel Coutinho ao dizer «na BEA a palavra mais vezes repetida é "brand" [...] e o livro é trabalhado como um produto de consumo» esboço um sorriso e congratulo-me com as suas palavras. Finalmente começam a entender, sem críticas mas com elogios, que um editor não é um artista, nem é um escritor: é um profissional.

Já agora agradeço a dica, pois um livro com o título The New Rules of Marketing & PR - How to use news releases, blogs, podcasting, viral marketing & online media to reach buyers directly, de David Meerman Scott (Wiley), parece-me ser uma obra muito indicada para quem quer perceber o funcionamento actual da comunicação.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:44 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 29, 2007

Cobertura da Feira do Livro

De um ano para o outro, a cobertura da Feira do Livro passou de crítica a inexistente.
No ano passado, todos os dias a imprensa nos brindava com pequenas reportagens sobre a Feira – essencialmente demonstrando que a mesma não tinha clientes, que não tinha condições, que as pessoas estavam descontentes, que as livrarias em volta não estavam a ser afectadas e muitas outras reportagens de reflectiam contrariedade ou entristecimento dos jornalistas com o objecto da sua reportagem. No entanto, este ano o caso alterou-se.
Tanto na imprensa escrita com nos outros órgãos de comunicação a Feira do Livro está quase inexistente na sua agenda, tendo somente sido referenciada no dia da sua abertura.
Em parte não é porque o evento esteja melhor ou pior do que nos anos anteriores, mas sim porque não há notícias – nada há que eles possam ou queiram dizer e da última vez que o fizeram, já estavam obviamente chateados de o fazer.

A organização e os participantes da Feira não organizam nada de interessante para os jornalistas, não lhes oferecem motivos de interesse para visitar a Feira para além dos já habituais e repetidos anualmente, não criam notícias em torno do evento nem o sabem promover seja em que local for (como na Internet),
para além da evitável e sempre intrusiva publicidade, que apenas diz ser a 77.ª e pouco motiva a falar ou a visitar o evento.
Não motivam, igualmente, plataformas organizadas de leitores ou com razões relacionadas com os livros.

A Feira do Livro vê-se, assim, coberta pela sua própria inacção e entropia.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:57 AM | Comentários (0) | TrackBack

maio 28, 2007

O que é a comunicação editorial no ponto de venda?

Como as editoras se situam no elo da produção do livro, a sua distância ao cliente final depende bastante do esforço que fazem nesse sentido.
São bastantes óbvias e conhecidas as vantagens que existem na criação e consolidação de canais comunicacionais (e comerciais) directos, pois permitem-lhes falar (e vender) directamente aos seus clientes sem intermediários. No entanto, as editoras não beneficiam de uma posição física no mercado e estão até, na maior parte das vezes, bastante afastadas e escondidas do público final.
Dado que o consumidor não pode vir facilmente até às editoras, o esforço de criação desses canais é muito lento e trabalhoso, podendo demorar anos até possuírem instrumentos que tenham impacto no mercado – nomeadamente através da activação de bases de dados, clubes de leitores, mailing lists efectivas, eventos organizados, acções de relações públicas, etc.

No entanto, as editoras podem aproveitar o trabalho já efectuado pelos canais para chegarem a grupos alargados de consumidores «trabalhados» e consolidados.
A vantagem dos editores é dupla, pois activam os consumidores no próprio mercado, reflectindo-se instantaneamente nas vendas.

Vejamos de que estou a falar:
Uma Fnac, por exemplo, pela sua própria presença e posicionamento no mercado, congrega à sua volta um determinado perfil de cliente. Esses clientes são trabalhados pela Fnac de modo a terem determinados motivos para lá irem repetidamente comprar (livros, no nosso caso). O mesmo poderíamos dizer das livrarias de zonas comerciais tradicionais, do Continente, dos quiosques, do Círculo de Leitores e de outros parceiros ou canais de venda.
Ou seja, cada canal ou empresa do mercado do livro, pelas características do serviço que apresenta, congrega um determinado público, com determinadas expectativas e características conhecidas, que uma editora pode aproveitar para direccionar a sua comunicação.
Uma editora, aproveitando a informação disponível sobre o consumidor, pode direccionar as suas mensagens e activar com sucesso o consumidor no local mais apropriado: em frente do produto e com a possibilidade de o poder comprar, tornando-se uma arma poderosíssima no processo de compra por impulso.

Como não há bela sem senão, apesar de essa forma ser bastante eficaz, a comunicação no ponto de venda é controlada pelo próprio canal e, como tal, as editoras estão dependentes dos canais – ou do preço por eles pedido – para que os «clientes da livraria» possam ser também «os clientes» comunicacionais das editoras. Os espaços de comunicação que os canais têm são vários, todos eles com uma diferente «mensagem» acerca dos produtos que lá colocamos: refiro-me nomeadamente à ocupação dos espaços físicos e gráficos privilegiados como topos, montras, escaparates, tops, catálogos, etc., assim como à possibilidade de colocação de materiais promocionais externos nos seus espaços – cartazes, ilhas, stand-ups, mostruários, separadores, flyers, etc.

Nota: o facto de alguns livreiros poderem comercializar Tops é da responsabilidade dos mesmos. Não concordo com o facto de mentirem ao seu público, mas entendo os motivos e as vantagens decorrentes.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 07:50 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 25, 2007

Editoras e imprensa

Se algo consegue caracterizar a relação entre estas duas indústrias de comunicação é a falta de comunicação entre elas.

Como o meu sócio, Paulo Ferreira, diz constantemente, existe uma incapacidade crónica por parte das editoras em compreender o funcionamento dos media e como se deve motivá-los a incorporar no seu trabalho de divulgação as actividades das nossas empresas editoriais.
Independentemente dos posicionamentos e agendas dos diferentes meios de comunicação, é possível fazer com que os media falem de forma positiva das editoras, desde que se consiga gerir a informação transmitida de acordo com as necessidades deles.

Não pretendo dissertar sobre coisas tão simples como news management ou princípios da comunicação, somente realçar as oportunidades existentes e lamentar que muitos editores se mantenham iludidos na cabalística esperança de que um livro, por si só, tenha a capacidade de motivar a comunicação e a venda.

O Paulo também costuma dizer uma coisa essencial: que a uma editora não adianta coleccionar pilhas de recortes sobre si mesma na comunicação social se estes recortes não forem capazes de suscitar uma ideia motivacional, um call to action que leve os consumidores a preferir essa editora.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:43 AM | Comentários (0) | TrackBack

maio 17, 2007

77.ª Feira do Livro de Lisboa

Aproxima-se novamente a Feira do Livro de Lisboa, desta feita a 77.ª.

Como saberão, sou extraordinariamente crítico em relação do modelo utilizado, algo que já muito foi falado neste blogue durante a edição n.º 76. Apesar de tudo, se o calor se mantiver e o interesse ainda persistir, visite o recinto, coma um gelado e aproveite, pode ser que dê acidentalmente de caras com uma obra que lhe mude a vida.

Mantendo um certo tom cáustico, destaco que, de todos os elementos comunicáveis da Feira do Livro, o único que de facto a organização faz um esforço por comunicar é o n.º da edição, 77.ª neste caso.

Da mesma forma, e antecipando as habituais críticas de que a imprensa não liga nada a este evento, façam como eu e observem (não li na totalidade, confesso) o dossiê de imprensa preparado para este evento e surpreendam-se com o monstruosamente completo dossiê de 29 páginas preparado para o efeito!
Sim, 29, leram bem. Para além do absurdo tamanho de uma tal peça de comunicação (uma página seria de mais tendo em conta a disponibilidade da nossa imprensa geral) que nenhum profissional irá ter tempo para ler ou paciência para reter, não tem sínteses, linhas de força, assinaturas ou qualquer informação que os jornalistas possam aproveitar plenamente na atarefa função de copy/paste em caixas de 500 caracteres que vulgarmente necessitam de fazer.

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, por vezes cem palavras somente valem muito mais.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 05:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 16, 2007

Let the Wars Begin!

O valor de mercado das editoras portuguesas é tão baixo que inevitavelmente isto teria de acontecer.
Trata-se de estruturas mal dimensionadas, descapitalizadas, sem estratégias e posicionamentos de mercado, relativamente aleatórias na sua acção e sem qualquer valorização de conteúdos ou marca.
De facto, não temos editoras, temos importadoras de livros que traduzem e publicam em língua portuguesa, pelo que o seu valor se limita ao papel que têm a amarelecer no armazém e à posição sempre provisória que ocupam no mercado. Perante isto, à dúzia é mais barato e Miguel Pais do Amaral sabe-o bem.

Mas não está sozinho, pois parece que a guerra começou e poucos sabem onde irá parar.
Desde o início a investida de Pais do Amaral isolou a Porto Editora como rival, mas a Porto Editora, de Vasco Teixeira, acordou a tempo e decidiu não ficar somente a ver.

Os dados estão lançados, a Texto está comprada e a Asa em combate acérrimo, estando ainda perfilada a Plátano, a D. Quixote e, segundo fontes, outras mais, algumas delas surpreendentes.

Até o ano acabar muito irá mudar no sector em Portugal.
Não se pode é prometer que seja para melhor.

Addenda: no dia seguinte a situação alterou-se pois tanto Pais do Amaral confirmou estar firmado o acordo para aquisição da Asa como a Porto Editora desmentiu ter estado alguma vez na corrida por este ou qualquer outra editora.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 03, 2007

Dia’crítico

É sinal dos tempos, dirão uns, prova inequívoca do desjuízo literário final, dirão outros, a verdade é que hoje quero falar dos sinais que mudam as vogais livrescas tal as conhecemos.
Aceitando o repto de Jorge Palinhos, do extinto e contudo vivo Cruzes Canhoto, para abordar o tema da extinção da crítica e dos suplementos literários, começo por dizer do que não vou falar – apesar da sua importância. Não falarei das hierarquias de ocupação de espaço da imprensa e do mercado do jornalismo literário (gostaria, porém, de ouvir Rogério Santos a discorrer sobre isso), nem falarei da quase total ineficácia da comunicação editorial em Portugal (deixarei isso para outra altura).

Antes de pensarmos na extinção de algo, ou carpirmos idiotices como esta Kathleen Parker, do Condado dos Ricos do Sul da América, tentemos entender a utilidade da coisa – ah! E não, lamento, também não vou falar de capelas e amigos, favores e rivalidade, pois isso é «a outra utilidade da coisa», não a principal.

Para o editor, a função da prescrição encontra-se na prestação do serviço de informação ao mercado (parceiros e leitores) do produto que apresentou. Não só é uma corneta que alerta para a saída do livro, como sempre foi a mais excelente forma de se ultrapassar certa aleatoriedade de decisão de compra deste bem de experiência (juntamente com os prémios literários, onde também se faz uma valoração, comunicável, das características do livro). Ou seja, se o leitor não faz a mais pequena ideia de qual livro é que vai querer ler, pode procurar informar-se na prescrição do que está disponível no mercado e, mais ainda, do que poderá encontrar dentro do produto. Não que se pretenda estragar a leitura com a informação de que «ah, então o mordomo não foi visto na soleira da porta à hora do óbito», sendo ele a vítima mais habitual dos antigos policiais que não ousavam ensombrar a dignidade de detentores de cargos mais louváveis, mas sim para que possamos recolher informação que nos faça dizer «’pera lá, que este fulano descreve um tipo de escrita que me dá sono», ou «pois, pode não haver coincidências, mas parece que repetições há...».
Importante ainda é o papel do crítico no aumento do proveito da experiência de leitura. Pois, se a satisfação deste tipo de bens (de experiência) depende do sujeito, dos níveis de capital cultural, do interesse e da informação disponível para o leitor (entre outros elementos), significa que uma boa crítica é capaz de nos fornecer dados adicionais que permitirão «gostar» mais daquilo que vamos ler.
Assim sendo, grosso modo, permite que possamos escolher melhor no nosso processo de decisão e aumentar a capacidade de gozo das escolhas efectuadas.

Agora, o problema. O local onde habitualmente isso se faz, os suplementos literários, começa a escassear, apesar de hoje se publicarem mais livros do que nunca, o que parece contradizer a lei das necessidades.
Acham então que a crítica morreu? Não..., mudou para uma casa maior e melhor.

Na minha opinião, estamos a ver isto pelo lado errado do prisma (o triangulozinho nas pontas?). Há hoje mais livros do que nunca, assim como gente com capacidade e vontade para fazer crítica, sendo que o único problema desta suposta «extinção» se encontra no «habitat natural» onde nos habituámos a vê-la. Esse, sim, vai perdendo folhas – mais de mil por vezes – e, como no outro dia ouvi alguém dizer, repetindo, julgo eu, uma conversa tida com Ary dos Santos, «vão sendo substituídos pelos cadernos económicos» e quejandos destinados ao lazer e à vaidade, posso ainda extrapolar.

Pessoas a ler há, segundo dizem, cada vez «+», a escrever e a publicar também, assim como a querer falar, discutir, escutar, comprar, olhar, exibir, etc. os livros.
Basta procurar na blogosfera e logo encontraremos sítios mil, com qualidade maior ou menor que o tempo ou a utilidade tratarão de apurar e destinar a mais ou menos posts. Por cada Book Review impresso que morre nasce um Bookslut.com, por cada DN 6.ª temos um’A Invenção de Morel, um Da Literatura, um Leitura Partilhada, um Bibliotecário Anarquista, um Literatura e Arte, um Olho da Letra, etc., etc., etc.
Poderão dizer, «ah, não é a mesma coisa, e alguns não são só de crítica literária». Pois não, mas como tudo, os formatos mudam, adaptam-se a novos tempos e necessidades, juntam-se nas encruzilhadas onde o seu público está ou se habitua a vê-los, procurando os modelos de que ele mais gosta.

Morrem os Suplementos Literários? Vivam os Blogs Literários!

No entanto, e apesar de tudo, há cada vez mais espaço para ambos. Se uns optam por abandonar o espaço, logo outros ocupam mais e melhor, com outro uso e vantagem, logo agradecendo – muitas vezes as mesmas pessoas que antes habitavam as casas agora abandonadas.
Pessoalmente interessa-me mais que o Reino livresco siga pródigo, democrático no acesso, gratuito no uso e activo na leitura – com comentários, links de resposta, insultos e bujardas do leitor –, do que se arrede em tertúlias restritas, obsoletas e passivas de papel impresso.
Será necessário estruturar-se uma nova forma de criar valor e riqueza para que este novo formato possa florescer, talvez aproveitando as meta-capacidades deste meio, ou gerando conteúdos para outros suportes (como livros, que já no mercado se vêem).

Não nos podemos esquecer é que, como no post abaixo poderão ler, «o conteúdo é rei e o formato opcional».

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 07:19 PM | Comentários (0) | TrackBack

abril 23, 2007

Dia mundial do Livro

Nesta altura devo-se aproveitar para dizer que: já estou farto que só façam livros!

Tal como um livro não se pode ser à tecnologia que lhe está subjacente (como já bem disse o Txetxu Barandiarán), torna-se indispensável continuar a discutir um tema que considero de importância crucial – já o era na década de 1990! –, a gestão de conteúdos, a capacidade de separar os conteúdos deste suporte físico que é o livro.

Enquadramento:
Na actualidade, com as Tecnologias de Informação e Comunicação e os processos de convergência entre os diferentes suportes, convencemo-nos de que o enfoque que neste sector vale é o das indústria de conteúdos. Nessa perspectiva urge considerar o livro (físico) como o suporte, condicionador mas não definidor do trabalho editorial.

Se pensarmos bem na eficiência do modelo de produção ou aquisição de conteúdos editoriais (originais, fotografias e ilustrações, etc.), assim como o aproveitamento de todo o material concluído durante o processo editorial (provas, orçamentos, testes, planos, etc.) e que podem ser posteriormente aproveitados, observamos que só conseguimos valorizar na curta medida dos livros – i.e. só rentabilizamos aquilo que conseguimos fazer valer dinheiro no mercado, o livro.
Por seu lado, os conteúdos concluídos e lá incluídos fica isolados e perdidos para, a maior parte das vezes, não mais serem utilizados.
Enfim, tanto trabalho e custo para tão pouco, para tanto risco, para que o resultado fique dependente de um produto que pode ou não resultar no mercado. Por mais bondade que haja, torna-se claro o desperdício, a pouca eficiência e o forte sinal de atraso da indústria editorial portuguesa. Um pouco como treinar kamikazes ou suicidas, mas no nosso caso não estamos assim tão desesperados e o que acontece é que os nossos editores não sabem fazer soldados.

Desde finais dos anos 1990 que se afirma que é vital separar os conteúdos dos respectivos suportes (no processo editorial e de produção), de forma a reaproveitar os mesmos, comercializá-los com outros propósitos, em outros produtos, com novas utilizações, ou seja, não manter os nossos verdadeiros «bens» (conteúdos e direitos) encarcerado dentro de um produto (livro) que cada vez dura menos tempo no mercado.

Perante isto, o que pergunto (e podemos discutir no fórum) é:

Por quanto tempo mais iremos continuar a fazer apenas livros (muitas vezes importando conteúdos), perdendo assim valor, em vez de criarmos conteúdos e fazermos os muitos outros produtos (diversificados, inovadores, direccionados, etc.) que o consumidor actual cada vez mais exige?

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:12 PM | Comentários (0) | TrackBack