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julho 26, 2007

Parado para descanso do pessoal

Deixem-me suspirar profundamente e arrepanhar a comissuras dos lábios em modo de satisfação enquanto vos digo que: Estou de férias.

Nas próximas três semanas (até 22 de Agosto) não haverá actualização do blogue Extratexto.



Prometo que, na rentrée bloguística, haverá novidades - gráficas e não só - de modo a tornar a Extratexto cada vez mais o espaço de formação e informação da indústria e do mercado editorial português.

Antes de ir, aconselho um livro muito interessante e crítico que devia ser lido por todos os que gostam deste mundo editorial:

Thank You for Not Reading, Dubravka Ugresic
Dalkey Archive Press

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:01 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 19, 2007

Livrarias independentes

Tenho estado a seguir o interessante diálogo comentado que o Luís Filipe Cristóvão tem suscitado.
Contexto: Maria Inês, de seu nome, critica os preços mais elevados que as livrarias independentes praticam em relação ao novo Harry Potter, assim como o facto (real, muitas vezes) de várias livrarias independentes não terem um serviço minimamente digno desse nome.

Por um lado, o Cristóvão torna clara a questão subjacente ao preço. O desconto praticado por ele é o possível, pois não tem forma de concorrer pelo preço com um concorrente que obtém descontos superiores e cujo desconto «maior» é, na prática, igual ou inferior ao dele (ou bem menor, tendo em conta a escala).
Por outro lado, refere que a Livrododia se posiciona e diferencia de forma diversa da Fnac. Ele não é a Fnac e sabe que não vale a pena ser como a Fnac – seria igual a fazer um braço de ferro com um lutador de sumo, era inútil e arrasador.

Perante isto, julgo ser necessário dizer algumas coisas.

1. Felizmente que existem espaços de venda de livros com posicionamentos diferentes, pois possibilita que diferentes clientes fiquem mais satisfeitos e comprem mais livros – recordemo-nos de que o livro é um bem de experiência e só boas experiências podem fomentar o seu consumo aditivo. Além disso, abre a possibilidade de comercializarmos livros que, nos canais mainstream, seriam liminarmente recusados não pela falta de qualidade mas sim pela falta de dimensão do nicho, ou pelo excessivo esforço por parte de estruturas demasiado grandes para personalizações.

2. São raros os espaços livreiros independentes que, de facto, merecem essa denominação. Se a sua vantagem não é o preço, tem de ser os serviços associados, a possibilidade de usufruirmos de informação correcta e fidedigna sobre determinado livro, um atendimento à medida das nossas necessidades, a certeza de que não teremos como resposta «não temos», ou «esse livro não existe» (acreditem que já me aconteceu dizerem-me isto sobre um livro que tinha sido trabalhado por mim e cuja existência podia asseverar...), a possibilidade de entrega a casa, de uma embalagem com humor ou rigor, etc.

Ou seja, se para comer temos cuidados e procuramos produtos que sejam mais saudáveis, melhores, mais agradáveis (e não só mais baratos), por que não o fazer com um produto que só compramos por prazer ou interesse? Se vamos a determinado restaurante, e pagamos mais, porque as condições de higiene ou o sorriso são melhores, é porque valorizamos aquilo que tem valor.
Compreendo que os livros sejam caros e seja grande a vontade de comprar mais. Compreendo que certas experiências nos façam duvidar das livrarias independentes, mas se tiveram más experiências com uma dada livraria: não voltem!
Existem certamente espaços livreiros que merecem a vossa visita e vos darão mais coisas juntamente com um produto que vale aproximadamente o mesmo em todos os lugares.

Digo isto, mas não critico a Fnac e também compro por vezes lá. Algumas das pessoas são simpáticas e tenho de ir regularmente a esses espaços para observar as estratégias de produto utilizadas, sendo que a dimensão auxilia à pesquisa. Além disso, tenho pouca resistência ao apelo de certos livros e não resisto a levá-los.

Caros leitores, se é só pelo preço do livro, mais vale dirigirem-se a um alfarrabista, pois encontrarão por lá livros bem mais baratos do que o Harry Potter. Se é pela actualidade, é porque valorizam alguns desses serviços, como a actualidade dos produtos. Já agora, se é só por causa do preço, não sejam estúpidos e comprem o Harry Potter directamente pela Internet e, em vez de pagarem 23€ na Fnac, pagam 13 ou 14€ euros com portes incluídos.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:03 PM | Comentários (0) | TrackBack

julho 12, 2007

A Ciência do Sucesso

Tenho de partilhar com todos os interessados o magnífico artigo que surgiu na New Yorker, na segunda-feira passada.

A Ciência do Sucesso vem (para mim) um pouco na sequência de um artigo saído na última National Geographic Portugal, sobre comportamentos colectivos (assim como uma conversa pessoal sobre mercados com um amigo, físico de profissão e formação, onde ele afirmava que a longo prazo todos os mercados funcionam de modo coerente).
Assim é que, e como se diz no artigo, ninguém sabe nada ou tem a certeza seja lá do que for, pois tudo parece aleatório no mercado. Mas a inteligência colectiva, a amálgama de diversas opiniões, parece conseguir obter resultados de previsão absolutamente impressionantes.

Ou seja, ninguém sabe nada, mas, todos juntos, parece que sabemos muita coisa.

Ler artigo

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:48 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 09, 2007

Bibliografia actualizada

A 8 de Novembro de 2006, apresentámos aqui no blogue, e em exclusividade, uma Bibliografia de Sociologia do Livro e da Leitura, da autoria de Eduardo de Freitas.

Oito meses volvidos, tenho o prazer de apresentar uma nova versão, revista e aumentada - com 80 novas entradas -, da mesma bibliografia de Eduardo de Freitas, agora com um total de quase 300 títulos.

«Recenseiam-se as obras editadas em Portugal [...], de autores portugueses e estrangeiros, que pertencem ao domínio daquela sociologia ou que contêm secções relevantes para esse mesmo domínio. A par disso incluem-se nesta bibliografia [...] outras obras que são catalogáveis em áreas do conhecimento que com aquela sociologia estabelecem alguma relação de proximidade.
[...]
A bibliografia recenseia obras catalogáveis como livros, não nomeando outros textos, mormente artigos de revista, relatórios, separatas, etc., que sobre as temáticas se encontram publicados.»

A não perder: fazer download.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:40 AM | Comentários (0) | TrackBack

julho 05, 2007

Caminho

Enquanto o mercado ainda vai falando da possível compra da Teorema e da Difel pelo Eng.º Paes do Amaral, a Editorial Caminho junta-se oficialmente ao rol de editoras adquiridas.

Devo confessar que, de todas as editoras nacionais, a Editorial Caminho era a última que eu esperava que cedesse às intenções do Eng. Paes do Amaral.
Longe de discordar com o processo de compra e venda por que o mercado passa, sempre entendi a Caminho como uma editora cujo posicionamento político - marcadamente de esquerda - a impedisse ideologicamente de aceitar uma proposta financeira de um quadrante político obviamente diferente.
Como é lógico, por mais que a nova direcção se comprometa a seguir a linha editorial, não se compromete com a linha ideológica e, a partir do próximo ano, passaremos a ter um(a) Caminho diferente.

Assim sendo, o Eng.º Paes do Amaral já tem adquiridas e confirmadas (pela comunicação social):
- Texto Editora
- Edições Asa (só parte editorial)
- Editorial Caminho

Em negociação:
- Plátano/Didática
- Gailivro

E, segundo o mercado, estão em discussão:
- Pergaminho
- Teorema
- Difel

E já terão recusado:
- Porto Editora
- Presença

Sei que aqui, algures, terá havido editoras de que me esqueci, mas que com o passar do tempo tomaremos conhecimento.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:24 AM | Comentários (0) | TrackBack