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junho 29, 2007

HiperFnac

Eu começo por dizer que sou um frequentador e apreciador da Fnac, apesar de sentir mais afinidade e prazer em pequenos (e bons!, logo raros) espaços livreiros como a Leitura (Porto), Buchholz ou Férin (Lisboa).

Logo, não gosto de repetir a máxima «A Fnac também vende livros». Mas a verdade é que hoje, na Livres Hebdo, surge uma notícia pouco abonatória... Em França, a Fnac estabeleceu uma parceira com uma rede de Hipermercados (Magasin U) para fornecer a parte dedicada «à cultura».
Aparentemente querem combater um projecto semelhante do Leclerc.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:49 AM | Comentários (0) | TrackBack

junho 27, 2007

Livro da Semana

De facto, tenho de agradecer à jornalista Isabel Coutinho pela extraordinária referência que deu na sua reportagem sobre a BEA.
Já tenho o livro e aconselho também vivamente a comprarem: The New Rules of Marketing & PR - How to use news releases, blogs, podcasting, viral marketing & online media to reach buyers directly, de David Meerman Scott (Wiley).
Não é apenas mais um livro de marketing, é uma obra de referência.

Ficaremos atentos a outras dicas da jornalista, aliás umas das poucas profissionais (à qual juntaria Isabel Lucas, Leonor Figueiredo, Luís Caetano, Ana Marques Gastão, Sara Belo Luís, João Morales e Felipe Avilez, e alguns outros de que, agora e infelizmente, não me recordo, mas que produzem óptimos trabalhos) que se dedica com grande atenção e paixão ao nosso sector. Atenção, não me refiro a jornalistas que falam de livros ou de literatura, cuja lista seria bem mais extensa, mas de edição, editores e mercado do livro.

Ah!, já agora, o livro é em hardback e o preço total (com portes incluídos), via Amazon, foi inferior a 20 euros.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:46 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 21, 2007

Resumo da conferência

A conferência de ontem, na Universidade Católica Portuguesa, correu bem (tanto quanto me foi possível observar) e ainda tivemos oportunidade para uma interessante troca de questões ao final.

Queria agradecer a todas as pessoas que estiveram presentes, assim como a todas que, querendo ir, não tiveram oportunidade.

Em jeito de micro-resumo, coloco um excerto do texto pelo qual me guiei para fazer a intervenção final - em jeito de conclusão.

«Dizer que actualmente não existe Marketing do Livro em Portugal seria errado.

Torna-se óbvio o esforço que a generalidade das editoras que trabalham nos segmentos mainstream fazem, por exemplo, em termos de colocação do produto, assim como o trabalho gráfico sobre a embalagem (capa), privilegiando o apelo da atenção ou o destaque de entre a concorrência física, assim como a motivação através de estratégias relacionais, com fotos que buscam empatia, espanto, medo e outras sensações e experiências que o livro cumpre.

No entanto, muito desse trabalho acaba por ser comprado em pacote, plenamente desenvolvido para outros mercados mas com resultados relativamente bons por cá.

Os instrumentos impressos de comunicação também têm evoluído, com marcadores, cartazes, stand-ups, postais, convites, press releases, etc. E temos até observado, nos últimos anos, alguns instrumentos multimédia, e multimédia interactivos.

A questão agora não é só a da existência – pouca –, mas a da eficácia, a eficiência, a garantia de que o nosso marketing não é composto somente por actos isolados, não relacionados, sem estratégia subjacente, sem real passagem de informação para além do simples apelo à atenção.

Se, em Inglaterra ou noutro grande mercado, observamos livros pensados até à exaustão – em especial nos seus aspectos editoriais, onde o texto é trabalhado para potenciar a experiência ao seu leitor, e todos os elementos de motivação são direccionados de forma surpreendente, como os textos de contracapa, as citações, as biografias, as blurbs, os press releases e todos os materiais de comunicação; pensem então no caminho que em Portugal falta percorrer.

Observamos diariamente erros grosseiros na comunicação em Portugal.

Meus senhores, nós comunicamos para vender, quando informamos fazemo-lo para vender.
Tudo é comunicação, comunicar é transmitir informação e tudo o que nós fazemos transmite informação.
Só trabalhando sempre no mesmo sentido, no sentido do nosso cliente target, criando valor para o cliente, é que conseguimos antever resultados, dimensionar públicos, conhecer as suas épocas, os seus valores, os seus padrões e disponibilidades: criar relações.

Se atacarmos aleatoriamente, recebemos em troca a aleatoriedade, os flops, as épocas más, as devoluções maciças, as quebras de tesouraria e a consequente falta de credibilidade e coerência que acabam por destruir a imagem de muitas editoras portuguesas – se não no consumidor final, pelo menos no retalho, nos fornecedores.
E isso reflecte-se nas vendas.
Reflecte-se na obtenção de espaços no retalho, de espaços na comunicação, na disponibilidade de profissionais que valorizam o produto e dão motivos para que o consumidor goste e recomende, volte para comprar o próximo.

Podem achar que o mercado ainda está numa fase incipiente – e é verdade. Mas é uma verdade provisória.

As características do mercado crescem a um ritmo surpreendente e se o valor do mercado não acompanha, significa que aqueles que chegam com novas vantagens capturam quota, capturam espaços, crescem não à conta dos consumidores, mas à conta de quem não os consegue acompanhar.

Por fim, só com formação, informação e experiência é que se consegue ter verdadeiramente sucesso – não ficar pela metade, mas obter a máxima rentabilidade do mínimo investimento.

Quem aqui trabalha não vem, obviamente, pelo dinheiro: vem também pela paixão.
E essa paixão deve reflectir-se em profissionalismo. Em saber que, se quisermos, conseguimos ter uma indústria editorial com muito mais qualidade, com valor próprio que possa ser vendido para outros países.
Ter orgulho na nossa capacidade de fazer bons livros, de remunerar melhor os nossos profissionais, de ter nas mãos a capacidade de recusar aquilo que não tem qualidade, mas que actualmente necessitamos de publicar para sobreviver.»

Entre outras coisas, naturalmente.

Como não estou só para palavras boas, quero informar todos os leitores deste blogue que o modo como, leoninamente, as livrarias Bertrand, actualmente parte do Grupo Círculo de Leitores/Bertelsmann, tentam utilizar a sua quota de mercado como arma para exigir condições abusivas (43% do preço de venda + o direito integral de devolver o que não vendem com as despesas a serem pagas pelo editor) revelam pouca inteligência numa altura em que o mercado livreiro tem de se definir e vários projectos livreiros procuram implantar-se.

Clientes e fornecedores conquistam-se, não se espezinham.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 07:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 12, 2007

Conferência «Marketing do Livro»

No próximo dia 20, pelas 19:00, na Sala Brasil da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, irei, juntamente com o meu sócio, Paulo Ferreira, dar uma conferência à «Pós-graduação em Edição, Livros e Novos Suportes Digitais» dessa Universidade.

A conferência surge não na sequência da minha actividade no curso para Técnicos Editoriais da Faculdade de Letras de Lisboa, mas da minha actividade profissional, como consultor editorial da «Booktailors - consultores editoriais».

Gostaria, naturalmente, de convidar todos os interessados nessas matérias a estarem presentes (a entrada é livre).

Agora, uma breve apresentação do que irá ser abordado.

É tão difícil empurrar uma montanha como é empurrar uma nuvem.

O marketing assenta, genericamente, na criação e transferência de valor (quer no produto ou nos serviços, quer nos processos e filosofia subjacente a toda a nossa actividade) para o cliente.
Mas, e se os responsáveis por tal hercúlea tarefa desconhecessem quer o produto, quer o cliente e tivessem apenas uma vaga noção das acções de valorização possíveis e vantajosas atrás referidas?

Os livros são diferentes, por isso, a visão que vamos apresentar afirma que apenas um conhecimento bem fundamentado do nosso público, do nosso mercado e do nosso produto – o livro – possibilitará a concepção global das vantagens realmente compensadoras quer para editora, quer para o cliente.
O actual empirismo da maior parte das acções editoriais em Portugal não possibilita ao editor identificar essas acções de valorização, nem utilizar os instrumentos ao seu dispor para comunicar direcionadamente e transformá-las em recursos e em valor que permaneça. Se se desconhecerem as características dos elementos e dinâmicas em jogo, a acção editorial assentará na aleatoriedade da tentativa e erro e na repetição constante de acções que já tiveram sucesso, num mercado cada vez mais canibalizado e sem vantagens concorrenciais verdadeiramente compensadoras para o cliente.

Pronto, agora falando a sério e sem complicar, informo que a conferência será bem menos seca do que isto, iremos abordar algumas destas temáticas de forma bastante descontraída.

Prometemos que irão gostar e sair de lá com algumas boas ideias.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 05, 2007

A edição está a mudar

Isabel Coutinho, do jornal Público, viajou à BEA (Book Expo America) e de lá nos escreve hoje (P2), como Cavaco Silva após a sua viagem ao Japão: com os olhos a brilhar de espanto.
Espanto não tanto pelo evento, que é de facto grandioso - e nada tem a ver com o modelo de Frankfurt, daí eu não compreender a comparação por ela feita -, mas porque Isabel Coutinho observou um mundo editorial composto por práticas que, para ela, são diferentes e inovadoras.

Bem sei que Isabel Coutinho não tem formação e experiência em edição e, enquanto jornalista, se situa num elo diferente da cadeia, mas, apesar de Portugal se situar num pequeno canto da Europa, o nosso atraso não é assim tão grande que também faça espantar os nossos editores.
Aquilo de que Isabel Coutinho nos fala também se passa por cá - à nossa dimensão e variando de editor para editor.
Muitos profissionais do mercado (e agora falo por experiência própria, enquanto consultor) trabalham já na óptica por ela descrita, pelo que noções de brand marketing, marketing viral, news management, CRM ou coisas tão estranhas como as estratégias de posicionamento interactivo, e outras que não são do conhecimento da jornalista, são do conhecimento dos nossos editores e começam progressivamente a chegar ao mercado: não é à toa que o mercado está a mudar.

Já não estamos numa época em que nos podemos dar ao luxo de ficar espantados com o que vem de fora - de outro modo rapidamente ficaremos também espantados com a forma como eles nos compram.
Quando, e muito correctamente, leio Isabel Coutinho ao dizer «na BEA a palavra mais vezes repetida é "brand" [...] e o livro é trabalhado como um produto de consumo» esboço um sorriso e congratulo-me com as suas palavras. Finalmente começam a entender, sem críticas mas com elogios, que um editor não é um artista, nem é um escritor: é um profissional.

Já agora agradeço a dica, pois um livro com o título The New Rules of Marketing & PR - How to use news releases, blogs, podcasting, viral marketing & online media to reach buyers directly, de David Meerman Scott (Wiley), parece-me ser uma obra muito indicada para quem quer perceber o funcionamento actual da comunicação.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:44 PM | Comentários (0) | TrackBack