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abril 23, 2007

Dia mundial do Livro

Nesta altura devo-se aproveitar para dizer que: já estou farto que só façam livros!

Tal como um livro não se pode ser à tecnologia que lhe está subjacente (como já bem disse o Txetxu Barandiarán), torna-se indispensável continuar a discutir um tema que considero de importância crucial – já o era na década de 1990! –, a gestão de conteúdos, a capacidade de separar os conteúdos deste suporte físico que é o livro.

Enquadramento:
Na actualidade, com as Tecnologias de Informação e Comunicação e os processos de convergência entre os diferentes suportes, convencemo-nos de que o enfoque que neste sector vale é o das indústria de conteúdos. Nessa perspectiva urge considerar o livro (físico) como o suporte, condicionador mas não definidor do trabalho editorial.

Se pensarmos bem na eficiência do modelo de produção ou aquisição de conteúdos editoriais (originais, fotografias e ilustrações, etc.), assim como o aproveitamento de todo o material concluído durante o processo editorial (provas, orçamentos, testes, planos, etc.) e que podem ser posteriormente aproveitados, observamos que só conseguimos valorizar na curta medida dos livros – i.e. só rentabilizamos aquilo que conseguimos fazer valer dinheiro no mercado, o livro.
Por seu lado, os conteúdos concluídos e lá incluídos fica isolados e perdidos para, a maior parte das vezes, não mais serem utilizados.
Enfim, tanto trabalho e custo para tão pouco, para tanto risco, para que o resultado fique dependente de um produto que pode ou não resultar no mercado. Por mais bondade que haja, torna-se claro o desperdício, a pouca eficiência e o forte sinal de atraso da indústria editorial portuguesa. Um pouco como treinar kamikazes ou suicidas, mas no nosso caso não estamos assim tão desesperados e o que acontece é que os nossos editores não sabem fazer soldados.

Desde finais dos anos 1990 que se afirma que é vital separar os conteúdos dos respectivos suportes (no processo editorial e de produção), de forma a reaproveitar os mesmos, comercializá-los com outros propósitos, em outros produtos, com novas utilizações, ou seja, não manter os nossos verdadeiros «bens» (conteúdos e direitos) encarcerado dentro de um produto (livro) que cada vez dura menos tempo no mercado.

Perante isto, o que pergunto (e podemos discutir no fórum) é:

Por quanto tempo mais iremos continuar a fazer apenas livros (muitas vezes importando conteúdos), perdendo assim valor, em vez de criarmos conteúdos e fazermos os muitos outros produtos (diversificados, inovadores, direccionados, etc.) que o consumidor actual cada vez mais exige?

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:12 PM | Comentários (0) | TrackBack

abril 16, 2007

Aniversário atrasado

Acabo de reparar que este blogue fez, na semana passada, um ano (9 de Abril).

Como prenda para todos os leitores iremos proceder a alterações e melhoramentos no modelo, que mais não seja com a abertura de um Fórum, cujo link e espaço provisório já se encontra acessível acima (quem se quiser inscrever e utilizar é mais do que bem vindo).

Já agora, uma boa viagem e bons negócios a todos os que se deslocam a Londres para a Feira deste ano.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

abril 07, 2007

Bertrand em Espanha

Noticia hoje o jornal Sol que a Bertrand, até 2009, abrirá cerca de 20 lojas em Espanha.
O modelo flexível da Bertrand permanecerá, assim como os elementos gráficos e a organização interna, optando o grupo, por ora, pelos espaços de 400 m2 (de que se pode ver um exemplo na Bertrand Dolce Vita/Antas, do Porto), com frontlist de rotatividade à entrada e fundos nos espaços envolventes.
Para já anunciaram a abertura, este mês (26/04/07), da loja da região de Madrid (Espacio Torrelodones). Em Maio seguir-se-ão Saragoça e Cartagena, e mais para o final do ano Oviedo e Pontferrada.

Aproveito também para felicitar José Luís Peixoto pelo sucesso da sua obra Nenhum Olhar, cujos direitos têm sido vendidos para muitos universos de publicação mas, em especial, para o fechado mercado anglo-saxónico. O facto é ainda mais de realçar por ter sido alcançado com editoras de referência (RU - Bloomsbury; EUA - Doubleday; sem deixar de referir a Grasset, em França). Acredito que deva ser um imenso prazer para o José Luís Peixoto ter a mesma editora que publica a sua autora favorita, Margaret Atwood, a publicá-lo.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:21 AM | Comentários (0) | TrackBack

abril 06, 2007

Meia Vaca

Não tenho por hábito apresentar editoras ou fazer publicidade, mas certos projectos encarnam em si o motivo pelo qual adoro trabalhar neste sector, e um desses projectos dedica-se aos livros infanto-juvenis e existe há quase 10 anos em Valência. Chama-se: Media Vaca.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:05 PM | Comentários (0) | TrackBack

abril 02, 2007

Desmistificação

Contrariamenta ao que quase todas as pessoas julgam, a indústria editorial não se pode definir como uma indústria de produtos de escala.

De facto, a edição move-se pela produção contínua de novos produtos, pois o grau de repetição da compra de determinado livro pelo mesmo cliente é praticamente nulo.
Apesar disso, como é um produto cujas barreiras de consumo são praticamente nulas (ler, ter acesso e uma dúzia de euros para o comprar), o público potencial é imenso e os fenómenos de escala são motiváveis, possíveis e desejáveis.

Apesar de raros, pois não mais do que 15 ou 20 títulos de entre os 16 000 editados anualmente em Portugal o conseguem.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:52 PM | Comentários (0) | TrackBack