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janeiro 29, 2007
Dom Quixote
Tendo sido, juntamente com a Civilização, um dos raríssimos casos de inadaptação ao já não tão novo instrumentos de informação e comunicação que é a Internet, eis que finalmente a Dom Quixote dá o passo em frente e inaugura a www.dquixote.pt.
Sim, de facto e para incredulidade de muitos, após anos de impasse a Dom quixote abriu o seu sítio na Internet.
Tendo esta editora sido uma das últimas a aderir aos novos instrumentos não o fez, no entanto, da forma mais condigna para uma editora com a história e importância que a Dom Quixote tem.
Apesar do sítio estar bem organizado e ter muita informação, os elementos estão algo confusos e somos por vezes surpreendidos com indelicadas frases como: Atenção. Está a tentar aceder a conteúdos que não está autorizado a visualizar.
Para quem quer saber mais sobre a editora, acaba por ficar com informações de que não necessitava.
Por outro lado, não apresenta muitas novidades nem possibilita ao leitor fazer download de elementos informativos, participar em jogos ou entender exactamente para quem está dirigida aquela página de Internet.
Pior, pior, só mesmo o fraquíssimo grafismo que se situa muito distante da imagem de qualidade que Henrique Cayatte tem transferido para a editora nos últimos anos, apresentando ícones quase incipientes e uma grande distância da noção de design.
Já que se fala de marcas, e tendo a Dom Quixote sido durante tantos anos uma respeitada marca, uma verdadeira Casa dos Autores Portugueses, eis que após o calor da noite mantém uma mission statement mais ajustada a Nelson de Matos do que à Dom Quixote.
Estranho é que o sítio não apresente o seu último sucesso na página de entrada, Eu, Carolina, e nem se recorde dos seus grandes autores. Terão feito como Cardoso Pires, um verdadeiro De Profundis?
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:14 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 23, 2007
Notícias de além-raia
Se por estas bandas costeiras o cenário editorial anda algo parado, cada um trabalhando em seu proveito e deleite, para lá desta fronteira linguística com cerca de 864 anos as folhas movem-se sob as capas e várias iniciativas são de referir e louvar.
De entre elas, agradeço a Javier Celaya por nos apresentar o último projecto da revista Dosdoce, que para além de um óptimo trabalho ao nível do estudo das TIC neste meio, tem já em utilização um motor de pesquisa especializado, denominado Buscador Cultural e hoje, às 9:30 (GMT), apresentou em Madrid o Agregador Cultural, onde conjuga os contributos dos 50 principais blogues que em Espanha abordam o mundo dos livros e da edição, i.e. a nata do que se pode encontrar no Buscador Cultural.
Mas como as boas notícias por vezes não vêm sós, Txetxu Barandiarán e Manuel Ortuño lançam (por ora em formato papel) a revista Texturas com um índice de bastante interesse, ora vejam...
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:21 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 22, 2007
O Valor Prometido da Palavra
André Schiffrin, editor franco-americano cujo nome deverá dispensar apresentações (em particular nas hostes mais à esquerda), oferece-nos novamente um magnífico texto sobre as alterações que as políticas de best seller começam a ter na globalidade do mercado editorial e, em particular neste texto, na relação com os agentes literários.
Apesar de se referir com algum enfoque ao caso francês, o mesmo pode e deve ser extrapolado para o nosso mercado, cujos indícios de oiro se começam a fazer sentir.
Este texto deve fazer-nos pensar e reflectir no trajecto centrípeto que o mercado vai cada vez mais evidenciando, onde tudo se concentra num mesmo buraco negro, num mesmo objectivo, num mesmo público e estratégia, e onde essa concentração vai fazendo aumentar a pressão de uma espaço cada vez mais apertado e onde é cada vez mais difícil entrar, exigindo cada vez mais esforço e dinheiro para permanecer no centro.
O preço hoje exigido para manter uma posição de mercado pode ser, muitas vezes, uma destruição real de valor, com avanços bem superiores às mais-valias que se sonham realizar. Para além de um custo excessivo de manutenção, é igualmente prova de uma cada vez maior dependência de um sistema que os editores não controlam, mas auxiliam a perpetuar.
A pior parte de toda esta história é a que ainda não está escrita e de que Schiffrin já nos vem falando desde 1999: quanto maior é a subida, maior é a queda, e os factores disruptivos estão todos alinhados, prontos a fazer tombar os principais gigantes (como já se observa no mundo dos periódicos).
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:40 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 17, 2007
Lei do Preço Fixo (2)
Tendo já abordado alguns dos aspectos gerais da(s) Lei(s) do Preço Fixo do Livro, convinha agora especificar algumas das alterações que se poderiam efectuar na legislação.
De uma forma geral, a Lei do Preço Fixo protege os agentes de um factor concorrencial preponderante, o Preço, de forma a impedir que as motivações do mercado tenham demasiada força e consigam impor a concentração da publicação em produtos de forte rentabilidade, assim como salvaguardar os investimentos comerciais que dependam de outras vantagens competitivas mais difíceis de implementar (como a qualidade ou o serviço).
Não sendo contra esta Lei, e reconhecendo as vantagens que teve até hoje a sua existência, preferia que se optasse por modelos menos discricionários e se apostasse na discriminação positiva dos produtos a salvaguardar. De facto, livros há muitos e nem todos são iguais, pelo que um modelo que se repercute de igual forma em todos os seus produtos nunca irá conseguir atingir os objectivos propostos.
Não pretendo com isto dizer que se deveriam instituir subsídios para livrarias tradicionais ou livros não comerciais, mas sim que se deveriam incentivar práticas competitivas qualificadas, como os benefícios fiscais a livrarias que prestassem serviços de especialidade, de proximidade de locais menos privilegiados, etc. A título de exemplo, poder-se-iam baixar a contribuição autárquica às livrarias existentes em concelhos menos servidos de livrarias, poder-se-ia atribuir selos de qualidade a espaços de venda e a produtos de qualidade (por forma a potenciar posicionamentos de exclusividade e de criação de Marca), sendo que os mesmos beneficiariam de variados serviços de comunicação.
A propósito disto, recordo o magnífico esforço do Plano Nacional de Leitura (LER+), que, ao divulgar listas de obras infantis e juvenis recomendadas, está a fazer o esforço que agora advogo.
Voltando então à Lei actual, as principais críticas que se escutam são:
1 - A inadequação do período de aplicação da Lei (18 meses).
Actualmente, o período que vai da penetração até à maturidade de um livro é extraordinariamente curto (três meses, em média), pelo que a partir de então não há outra forma de conseguir gerir a venda do produto a não ser através de benefícios excepcionais, como descontos e promoções. Se a Lei actual não permite a alteração do preço de venda ao público durante 18 meses, isso significa que o livreiro e o editor não têm grandes argumentos para vender o livro e libertar stocks, sendo esta uma motivação para o livreiro devolver as obras ao remetente (editor).
É assim que os milhares de livros que não conseguiram ser vendidos no curto tempo e espaço disponível se vêem obrigados a aguardar melhores dias em armazém.
É também da mesma forma que muitos editores são levados a distorcer a Lei e a descatalogar ou alterar o preço das obras, fazendo-as seguir para o circuito de usados, que entretanto proliferou e faz sério prejuízo ao mercado livreiro.
Como resolver esta questão? Desconheço.
Talvez através do controlo das tiragens e do relacionamento directo entre o ciclo de vida do produto e o prazo da Lei, apesar de entender que a dificuldade de controlo de uma tal alteração daria pano para mangas ilegais.
A forma habitualmente proposta, e com a qual concordo, seria a redução do prazo para valores mais próximos da realidade do mercado (6 meses?), diminuindo o impacto negativo da Lei.
2 – A apresentação obrigatória de instrumentos de fiscalização.
Outra das críticas prende-se com o modelo de fiscalização da Lei que, apesar de quase não existir, obriga os editores a publicar um preçário anual (até 30 de Abril de cada ano), assim como obriga os livreiros a apresentarem guias do produto em comercialização.
Uma das formas de resolução deste problema seria através da impressão do preço de venda na capa. Para além de fornecer informação essencial para o cliente, seria também uma forma imediata de verificar a legalidade da prática comercial. Alguns poderão dizer que se trata de uma medida de imposição, mas não são os países com mercados mais liberais (EUA, RU) que apoiam e implementam esta prática?
Para além do mais, a alteração do preço de venda ao público obrigaria à recolha dos livros no mercado, não alterando para os livreiros as regras de venda do produto após a sua colocação – gerir um produto no mercado é acrescentar valor ao produto, não é alterar as regras do negócio do parceiro comercial.
3 – Limite auto-imposto do desconto.
Outra das alterações é o limite de 20% de desconto na venda de livros para entidades com estatuto de interesse público (limite esse que é diariamente desrespeitado pelo próprio Estado).
Esta medida, que procura proteger a venda de livros às bibliotecas pelos livreiros não é adequada, pois coloca o interesse de alguns livreiros acima do interesse público. As bibliotecas devem poder (legalmente) adquirir livros por negociação directa ou por concurso público, beneficiando da compra por escala e da capacidade de negociação, independentemente se é o editor, o armazenista, o distribuidor, o privado ou o livreiro a fazê-lo. O modelo actual obriga o editor a estabelecer o preço de venda às bibliotecas pela tabela de mercado, para que seja vendido por um agente específico do mercado, prejudicando bastante as bibliotecas nacionais.
Nota final.
Discordo de todos os argumentos que atiram para cima da Lei todos os problemas existentes no mercado.
Se a Lei não foi (é) suficiente para impedir muitos dos desvios hoje verificados, também não é responsável por eles, tendo inclusive até auxiliado a minimizar essas alterações.
Sem a Lei, existiria ainda mais concentração nos principais canais comerciais, seria ainda maior a dependência e a aposta nos produtos de alta rotatividade e, consequentemente, muito maior a discrepância de força do mercado, assim como seriam mais os instrumentos de negociação (estratégias de preço) utilizados nesta relação desigual entre a indústria (e distribuição) e os canais da grande distribuição/comercialização.
Não é por se poder espremer o preço na horizontal que se vai deixar de espremer na vertical, e podem ter a certeza que seria sempre o editor a ser espremido.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:53 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 15, 2007
Morreu Ray-Güde Mertin
Descubro hoje, pelo Textos de Contracapa 2, coadjuvado pelo (magnífico) texto de Francisco José Viegas no Origem das Espécies, que morreu Ray-Güde Mertin.
De uma forma sintética, pode-se falar desta agente como aquela que fez mais pela internacionalização dos autores de língua portuguesa do que todas as iniciativas públicas ou privadas juntas.
Esperemos que a semente por ela bem regada possa continuar a florescer pelo mundo fora.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:13 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 10, 2007
Lei do Preço Fixo do Livro
Segundo pude observar pelo pequeno inquérito que fiz, estava claramente errado ao pensar que os leitores do blog não queriam «ser aborrecidos» com coisas demasiado sérias e preferiam pequenas notícias e uma abordagem ao dia-a-dia do mundo editorial.
Assim não é, e congratulo-me.
Desta forma, o blog Extratexto tentará posicionar-se para fazer face às necessidades formativas que o sector tem, tentando auxiliar a esclarecer e a debater pontos controversos ou insuficientemente examinados pelos nossos agentes profissionais.
Uma das primeiras questões que considero pertinente abordar é a da Lei do Preço Fixo do Livro.
Neste sector tão fragmentado e dividido, haverá sempre quem seja a favor ou contra este diploma que tanta importância teve no mercado português. A Lei do Preço Fixo do Livro foi instituída pelo Decreto-Lei n.º 176/96, de 21 de Setembro, e posteriormente retocada pelo Decreto-Lei n.º 216/2000, de 2 de Setembro.
A sua introdução seguiu as boas práticas então em vigor nalguns países da Europa Ocidental e uma recomendação nesse sentido feita pelo Parlamento Europeu, em 1994.
Outros motivos menos prosaicos motivaram a sua introdução, nomeadamente a necessidade de regulamentar o mercado face a agentes de comercialização geral com grande força e que utilizavam o factor preço como vantagem competitiva, em particular os hipermercados (surgidos então), o que levou alguns livreiros a dizerem que lhes ficava mais barato comprar os livros no Continente do que aos distribuidores ou aos editores.
Infelizmente não estavam a exagerar.
Outro motivo subjacente à sua introdução (este geral e observado em muitos países europeus) era o de aproveitar uma última oportunidade para aprovar um diploma que iria fundamentalmente contra as regras da concorrência que a UE (então CEE) estava a querer aplicar e que se encontram hoje em vigor.
No espírito destes diplomas proteccionistas está a «esperança» de que ao proteger-se o mercado deste produto económico e cultural, estar-se-ia a propiciar o alargamento da oferta culturalmente útil, assim como a apoiar a pulverização ou a manutenção de unidades de comercialização mais especializadas e próximas dos leitores.
Apesar disso, estes diplomas comportam grandes desvantagens relativas à restrição da concorrência e da inovação, e não dão qualquer garantia de que os agentes utilizarão correctamente os benefícios da Lei, empregando este instrumento em objectivos culturais.
De facto, os únicos aproveitamentos da Lei que vulgarmente se observam por parte dos editores são a utilização quer das margens (face ao cliente intermédio), quer do preço de venda ao público (face ao cliente final), como instrumento de promoção das vendas e de gestão da procura na fase de introdução dos livros no mercado. Dessa forma, a utilização da Lei emprega-se quase exclusivamente nos produtos comerciais que melhor funcionam em escala, i.e. aqueles cujos objectivos culturais são claramente submersos pelos objectivos de rentabilidade.
Por outro lado, sob determinadas condições (nomeadamente nos produtos com carácter comercial mais prescritivo), este modelo de regulamentação impede a concorrência e propicia o «comodismo», diminuindo o incentivo junto das editoras e dos agentes comerciais no sentido de inovarem e melhorarem a rentabilidade dos seus produtos e das suas práticas. Da mesma forma, faz com que o modelo de venda online (redução das despesas fixas de exposição e aumento da margem) não possa ser plenamente implementado, possibilitando ganhar vantagens adicionais pelo preço, como acontece nos países anglófonos.
Se, por um lado, possibilita a manutenção de um negócio essencial face aos concorrentes de grande dimensão e capacidade, por outro lado, protege os livreiros ineficientes, escudando-os da concorrência pelo preço.
Por fim, a impossibilidade de utilizar o preço como forma de gerir o produto traz grandes inconvenientes aos editores e aos livreiros, não lhes permitindo baixar o preço para escoar produtos em armazém e, logo, propiciando a venda por consignação e a rápida devolução dos livros.
De facto, a Lei do Preço Fixo é uma das causas do aumento e da rapidez das devoluções.
Se parece que estou a destruir este diploma legal, enganem-se.
Foi somente graças a este diploma que muitas livrarias conseguiram ultrapassar as dificuldades iniciais e hoje, reestruturadas e com capacidade financeira, iniciam processos de crescimento e se instalam como redes de livrarias, aumentando a oferta e o mercado, abrindo espaços fortes em esquecidas capitais de distrito.
Foi também graças à Lei do Preço Fixo que algumas editoras se mantiveram em funcionamento sem gestão estratégica, lançando para o mercado obras de alto valor cultural (recordo-me, nomeadamente, da Antígona).
Se é verdade que os nossos agentes utilizam a Lei contra o seu espírito, tenhamos no entanto a certeza de que se a Lei não existisse os nossos agentes utilizariam a falta dela no mesmo sentido e o cenário estaria profundamente pior.
Como já referiu António Pinheiro (Livrarias Bertrand), que é um apoiante da Lei, se a mesma não existisse o mais certo era utilizar-se o preço como arma comercial contra a concorrência, e como instrumento de negociação com as editoras, forçando-as a acompanhar as políticas de redução do comércio.
Certo, certo, é que o tempo foi decorrendo e o mercado tem vindo a alterar-se, sendo hoje necessário actualizar e corrigir alguns dos artigos da Lei – o que, aliás, é normal em todas as legislações.
Certo, certo, é que fruto dessa falta de actualização o preço dos livros em Portugal é elevado e observa-se a proliferação de estratégias de escoamento por pretensas feiras de usados.
Certo, certo, é que a Lei pouca ou nenhuma vigilância tem tido por parte das autoridades e diariamente se observam pequenos delitos, em especial da parte dos hipermercados (desobediência ao limite dos descontos), ou das editoras (desobediência do prazo de alteração de preço).
Certo, certo, é que entre as discussões e propostas de modificação da Lei se continuam a ouvir erros de interpretação simples ou soluções pouco ponderadas, como a de introdução de regras do modelo alemão (fixação de margens de negociação), que foram aprovadas antes da introdução das regras da concorrência europeia, e que hoje seriam automaticamente alvo de processo pela UE e totalmente contra as regras da concorrência legisladas em Portugal, ocasionando um imbróglio maior do que o da OPA da Sonae à PT.
Num próximo post voltaremos a esta temática, referindo algumas das alterações e actualizações necessárias neste diploma.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:17 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 05, 2007
Brétemas
Para além de ser um dos meus blogues favoritos, a Brétemas e Manuel Bragado estão de parabéns pelo seu 2.º aniversário.
Aproveitem o convite para ir à Brétemas apagar as velas.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:59 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 04, 2007
Leitura
DK, LMB, Civilização.
Muitas são as formas de tentarmos abordar esta estrutura que se consolida no nosso mercado, integrando horizontal (com a Alêtheia) e verticalmente e que se afirma claramente como pretendendo obter uma posição na rede de venda por livrarias.
A livraria Leitura nasceu pelas mãos de Sr. João Fraga Lamares, da tipografia homónima, mas foi Américo (Fraga) Lamares que a fez para o mundo editorial. Um Editor com E grande, como sói dizer-se, editor da primeira colecção de livro de bolso e das mais importantes obras do modernismo português na primeira metade do século XX.
Actualmente, esta «editora à americana», como era conhecida, tornou-se «editora à inglesa», existindo actualmente a holding LMB (Lamares de Moura Bessa), com capitais estrangeiros (da Dorling Kindersley), apesar disso, ainda se mantem na posse dos descendentes directos de Américo Lamares, em particular Pedro Moura Bessa.
Tendo sempre tido livrarias, nomeadamente um pequeno espaço situado em frente da urgência do Hospital Geral de Santo António (Porto), assumem-se agora com uma nova dinâmica, adquirindo as livrarias Bulhosa e efectuado um magnífico trabalho, apesar de algum following da estratégia da concorrência e da implementação de um conceito algo desconhecido na sua plenitude, denominado books & living.
Eis que agora se expandem para a cidade que os viu nascer e de onde sempre foram, o Porto, adquirindo um espaço (e duas extensões) que me diz muito, a livraria Leitura.
De uma forma simples, a livraria Leitura é somente a livraria com os melhores livreiros do país. Simples, não é? Nem por isso.
A Leitura foi criada por Fernando Fernandes e José Carvalho Branco, tornando-se a grande livraria de fundos da cidade do Porto, com uma forte componente de importação e um atendimento ultra-especializado.
Mesmo nos últimos anos será difícil encontrar pessoas como o Jorge, o Paulo ou a D. Manuela, conhecedores de obras que os mais pródigos críticos desconhecem.
Esta posta, já se adivinha, é algo pessoal. Não critico a compra do espaço, nem a venda por herdeiros que aparentemente já só esperavam fazer esse último negócio. Mas confesso ter medo.
Sou um homem da gestão estratégica e do marketing sistémico e todas essas coisas mas, existem coisas que ultrapassam conceitos, que ultrapassam estratégias ou modelos de gestão. Existem coisas que não podem ser criadas e, de certa forma, destruídas.
A Leitura do F. Fernandes já desapareceu há alguns anos mas, ainda lá estava, algo se estendia, talvez as pessoas que nos atendem, talvez o ambiente que nos diz: «há quanto tempo!, o que é feito de ti?», em vez de «deseja alguma coisa?».
Será isso Books & Living?
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:35 PM | Comentários (0) | TrackBack