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dezembro 18, 2006
Discurso de final do dia 1, por Mário Moura
O seguinte texto foi editado por mim, tendo suprimido as duas histórias com que o Sr. Mário Moura iniciou o discurso que, de alguma forma, faziam a ponte com as questões abordadas nos posts anteriores e davam o mote para o discurso que se seguiu, e que reproduzo com o máximo de fidelidade.
Nota: dado o carácter coloquial do texto e os anos de Mário Moura no Brasil, algumas das frases aparecerão com influências do português do Brasil.
«Estimados Colegas,
[...]
Sou editor há mais de cinquenta anos e tenho assistido a par e passo às profundas alterações do nosso sector. Sem querer parecer o velho do Restelo direi que o mundo do livro está de pernas para o ar; e a verdadeira revolução tem nem sequer quinze anos.
A informática e a Internet que nos abriram possibilidades até então inadmissíveis pelos mais optimistas, também apresentam terríveis desafios aos editores, autores e livreiros.
A informática permitiu-nos sair da lenta composição em linótipo e, claro, chumbo, a partir de originais dactilografados ou mesmo manuscritos, para o PDF; sair da impressão em máquina plana para o versátil e rápido offset; sair da impressão de capas através de clichés para uma imediata imposição.
Creio que a maioria desta assistência nem sequer pode imaginar a diferença. Felizmente, pois isso representa o rejuvenescimento do sector.
Por outro lado, se é certo que a impressão digital passou a tornar possíveis pequenas edições a custo razoável, permitiu também a facilidade de edições piratas.
[...]
Ainda a informática, facilitou e estimulou a escrita de forma a que hoje a produção de originais seja inimaginável.
Há um abismo enorme entre um Balzac a escrever à luz das velas ou de um candeeiro a petróleo, com a sua pena de pato, a ter de apará-la de quando em quando, e um garoto recém-formado, mas sem cultura, a escrever no seu computador com a ajuda das mais diversas informações on-line.
Foi, de facto, a Internet que mais mexeu com o sector do livro. A título de exemplo:
Há vinte anos, eu escolhia no catálogo das editoras estrangeiras (que recebia de longe a longe) um determinado título, que depois vinha por correio para eu apreciar, e que posteriormente, através de copiosa correspondência escrita e enviada por correio, lá conseguia contratar. Hoje recebo centenas de informações completas sobre os livros publicados em qualquer idioma, posso receber até o texto completo muito antes da sua publicação, e contratar por e-mail numa só manhã. Além de que tenho informações imediatas sobre as negociações de direitos com qualquer agente, em qualquer idioma. Daí que todos nós nos perguntemos: porquê ir a Frankfurt comer sanduíches e gastar tempo e dinheiro? Só se justifica socialmente, pois realmente além de feira do livro é uma feira de vaidades!
Ainda a Internet, revolucionou a promoção e venda de livros. Se é verdade que por Internet nós não conseguimos atingir 2% das nossas vendas globais, também é verdade que o nosso site, que nos custa 200 Euros mensais, promove mais o nosso catálogo do que 10 000 Euros em anúncios mensais.
Por outro lado, os meus vendedores via Internet têm acesso à ficha de qualquer cliente que estejam a visitar e transmitem na hora o pedido para a central que, automaticamente, emite a factura.
Mas a Internet, por vezes, pode roubar a exclusividade.
Por exemplo, demos 100 000 Euros de adiantamento e ainda gastámos 80 000 para lançar «A Bruxa de Portobello». Contudo, no site do autor já estava à disposição um terço do livro antes mesmo de nós o editarmos, e um site pirata tinha a versão brasileira e a portuguesa completas. Como? Não sabemos. E já agora, e só a título de curiosidade, estima-se já haver cem milhões de sites.
Mas a mim, o que mais me espanta é a nova moda dos blogs. Um blogue bem feito é hoje mais útil, ou mais prejudicial, do que a informação ou crítica do melhor crítico. E o mais extraordinário é que após um século da total ditadura dos monopólios dos media, qualquer um – inteligente ou burro, conhecido ou desconhecido –, consegue colocar ao alcance de todos as suas ideias quando, até então, os media lhe eram bloqueados se estivessem fora dos parâmetros estabelecidos ou se o seu nome, raça ou condição não fossem aceitáveis pelo establishment.
Os velhos clubes de leitura e tertúlia foram substituídos por «comunidades de comunicação», ou lá como lhe chamam. E a leitura de jornais é fortemente prejudicada pela informação à disposição na net. É espantoso, mas já existem seis milhões de blogues activos e outros 180 mil nascem por dia.
Acho ainda mais grave o facto de o internauta se habituar à informação grátis e não no papel. Até que ponto isso o vai levar a desabituar-se da leitura em papel e a pagar para ter informação, isto é, comprar jornais, revistas e livros?
Não quero sequer aqui abordar o assunto Google e Youtube, que arrepiam qualquer editor com um bom catálogo.
Caros colegas, aquela figura do editor próspero e feliz, de suspensórios no seu gabinete bem decorado, com autores fiéis, agentes literários idem, mercado bem comportado, foi vilmente assassinado.
Hoje acorda para uma batalha diária em que tudo se transforma. Os autores mudam de editora por uma qualquer ilusória vantagem, os agentes proliferam como cogumelos e, sem a mínima hesitação, fazem leilão como qualquer corretor da bolsa. Por outro lado, as tradicionais livrarias de rua, antes estáveis e emblemáticas, estão agora em crise, compram mal e pagam pior. As grandes cadeias e hipermercados esmagam-nos, a nós editores, porque são campeãs de vendas, e os novos títulos que vendem pouco nas primeiras semanas são implacavelmente devolvidos.
Por tudo isto, acho importante que nos reunamos com regularidade para debater os nossos problemas e o nosso futuro.
Obrigado
MÁRIO MOURA
13 DE NOVEMBRO 2006»
Final do Dia 1
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:17 AM | Comentários (0)
dezembro 16, 2006
Congresso dia 1, final da tarde (2)
A última apresentação do primeiro dia, que terminou com um discurso pessoal de alerta de Mário Moura – que será editado e apresentado em seguida –, foi de Joaquim Barradas, da livraria Internet Mediabooks, pertencente ao grupo Texto Editores.
Joaquim Barradas veio fazer a apresentação institucional (enquadramento, estratégia e resultados) da Mediabooks.
Tendo começando pelo enquadramento do mercado, definiu o posicionamento e os targets principais da Mediabooks, apoiado por alguns indicadores-chave sobre a utilização deste suporte de informação e comunicação em Portugal, a Internet.
Prosseguiu então a sua análise com alguns indicadores de mercado, demonstrando um aumento regular do mercado de venda on-line em valores acima dos 30% para os diferentes produtos, com destaque para a comercialização de livros que representam um total de 36,4% das vendas totais.
A apresentação da Mediabooks prosseguiu com a indicação dos activos, a evolução dos clientes registados e das vendas, evidenciando também um aumento constante do mercado. A título de exemplo, mesmo no pior ano da estagnação (2004), apresentou um aumento de (somente!) 45% de vendas.
Foi depois apresentada a política de marketing (mais propriamente o marketing-mix), onde o aumento da oferta, a política de descontos e a estratégia de fidelização de clientes registados se apresentaram como os principais elementos.
Para finalizar, descreveu-se a experiência da Mediabooks no mercado do e-book, indicando a dimensão e as características desse mercado, e abordando as questões da salvaguarda dos direitos de publicação e da estrutura do processo de venda.
Em relação ao crescimento desse mercado, e apesar dos valores serem ainda demasiado reduzidos para se tirarem ilações, refere-se o crescimento constante nos 2 dígitos (com variações não representativas de 9% [2004] e 52% [2005]), em especial a partir do ano de 2005, com a aposta no mercado do livro escolar.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:51 AM | Comentários (0)
Difel comprada pelo grupo Inapa (Medialivros)
O Grupo Inapa, através da Medialivros, acaba de comunicar a compra da editora Difel, que segundo informações de mercado enfrentava notórias faltas de tesouraria.
O negócio inclui, naturalmente, a editora Gótica, cuja maioria do capital pertencia à Difel.
Com esta aquisição, a Medialivros procura reforçar a sua presença no mercado do livro comercial, estratégia essa integrada na política de crescimento do Grupo Inapa.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:20 AM | Comentários (0)
dezembro 15, 2006
Congresso dia 1, final da tarde (1)
Apesar da importância relativa que quase todos os presentes davam às matérias que terminavam o primeiro dia, estas acabaram por ser bastante interessantes e informativas.
O primeiro desses temas foi apresentado pelo advogado João Sampaio, especialista em direitos de publicação, representante habitual de autores em litígio.
O tema que lá o trazia dizia respeito à extensão contratual dos direitos de publicação aos direitos subsidiários, em particular dos direitos de publicação online e de produtos complementares de 2.ª série, vulgarmente conhecida como publicação com jornal (e.g. colecção Mil Folhas).
Depois de um pequeno preâmbulo relativamente às diferenças existentes entre os diversos meios de edição e publicação e os últimos avanços ao nível da disponibilização online de conteúdos, começou por abordar a necessidade de salvaguardar os direitos de autor e de publicação existentes e referiu algo de que, julgo eu, nenhum editor estava totalmente consciente (incluo-me na lista dos ingénuos): a obrigação de previsão contratual e definição precisa dos direitos cedidos.
A partir de então João Sampaio optou por demonstrar que a separação contratual (exclusão de outros direitos e elaboração de contrato autónomo) era extremamente mais vantajosa, tendo em conta o que está estabelecido legalmente (critérios supletivos) em caso de omissão.
Este advogado, mais habituado a defender autores, alertou os editores para o facto de, quando os editores não contratualizam cláusulas de definição dos restantes direitos subsidiários, estarem a prejudicar-se sobremaneira, pois atribuem ao autor condições bem mais vantajosas do que aquelas atribuídas pelo mercado, dado que as condições supletivas se estendem aos direitos subsidiários em caso de omissão.
Relativamente à publicação complementar, João Sampaio referiu o facto conhecido das empresas de comunicação negociarem à parte os direitos subsidiários e publicarem no nosso mercado livros anteriormente vendidos a editoras sem haver conhecimento e/ou autorização por parte destas.
Nesse caso, e apesar de o agente não estar impedido de vender direitos subsidiários, existe um claro incumprimento do direito de língua, pelo que a venda do primeiro dos direitos não lhe atribui o direito de poder verter a obra para português (pois existe exclusividade de língua) e, bem menos, de roubar ao editor ou ao tradutor os direitos de tradução e, por vezes, de edição (existem casos em que os jornais simplesmente roubam a editora, digitalizando, sem o conhecimento da editora portuguesa, a versão traduzida existente no mercado, tendo sido referido o caso da revista Sábado).
De facto, é decorrente da Lei a obrigação de acordo expresso do editor.
Infelizmente, em caso de roubo o editor tem somente o direito de resolução do contrato sem prejuízos ou perdas (com perda do direito de publicação), pelo que deve ser sempre contratualizada com o agente uma penalização em caso de incumprimento.
Nota: A referência ao jornal Público e à colecção Mil Folhas não é extensível aos casos de incumprimento referidos, pois este último sempre se pautou pelo integral cumprimento legal e pela negociação com os editores portugueses.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 04:42 PM | Comentários (0)
dezembro 12, 2006
Congresso Dia 1, início da tarde (3)
(Para finalizar o tema da Internacionalização)
O discurso de Carlos Veiga Ferreira (CVF), que encerrou esta temática, começou por centrar-se em torno da Feira de Frankfurt, traçando o seu historial e importância actual para a venda de direitos e a comercialização de livros, assim como uma observação do impacto das TIC no mundo editorial.
A partir de então CVF questiona: «[nós, os da edição portuguesa] em que ponto do trajecto nos encontramos e para onde queremos ir?».
Tentando responder a essa questão, CVF traçou um panorama positivo do mundo editorial nacional da actualidade, um «motivo de orgulho», «moderno e dinâmico», capaz de descobrir muitos novos autores e dar rentabilidade a profissionais da criação e produção para que vivam somente do seu trabalho.
Traça um apanhado geral da indústria, «400 ou 500 [...] entidades que publicam regularmente», «12 000 a 13 000 títulos [novos] por ano», representando cerca de 500 milhões de euros e uma «receita» para o Estado de milhões de euros oriundos da cobrança das diversas taxas e impostos. Para além disso, realça o seu papel de empregador desta indústria, que conta com mais de 4000 trabalhadores directos e «dezenas de milhares» indirectos.
É a partir deste momento que CVF exige ao Estado o reconhecimento da necessidade de internacionalização, para que proceda da mesma forma que noutros sectores, apoiando de modo particular a indústria da edição (de passagem, CVF fez referências críticas ao apoio do Estado no campo do Cinema, da Moda e do Futebol).
Seguidamente, realçou o trabalho já efectuado, o labor continuado de editores e agentes, assim como o programa de apoio à tradução do IPLB, pedindo a sua continuação e reforço. Propôs depois a criação de uma agência sem fins lucrativos [em si] para divulgação dos livros e dos autores nacionais no estrangeiro (à semelhança do exemplo francês, enunciado anteriormente), financiada em grande medida pelos principais ministérios titulares deste sector.
Por fim, traçou de forma ligeira o mercado potencial de venda de livros (PALOP, Brasil) e a necessidade de instrumentos particulares, reforçando o facto que «não pretender tratamentos privilegiados», mas de necessitar de apoios específicos e direccionados.
Por fim, aplaudiu o enunciado projecto da Ministra da Cultura de apoio a um pavilhão comum (IPLB/ICEP/UEP/APEL) nas próximas feiras internacionais e refere uma possibilidade, «um sonho», de ver criado em Portugal um evento dessa natureza.
Quem me lê sabe que costumo ser relativamente crítico em relação a muitas das «exigências» reiteradas pela indústria editorial nacional, não partilhando da necessidade de suportar tout court o estatuto especial desta indústria.
No entanto, CVF limitou-se (correctamente, no meu entender) a exigir aquilo que, de facto, pode e deve ser exigido, sendo preciso agora que as suas exigências se adaptem às características, políticas e instrumentos actuais do governo. Adaptação essa que deverá partir não só dos editores mas também, e principalmente, de uma real abertura e de um visão despreconceituosa do Estado.
De facto, meus senhores, o ICEP revela preconceitos inaceitáveis em relação a esta indústria, tendo a imagem crítica que, de uma forma geral, os editores encaram o seu negócio somente como arte e cultura (paradigma elitista), pelo que não compete (ou agrada) ao ICEP apoiar a indústria editorial.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:16 PM | Comentários (0)
dezembro 11, 2006
Congresso Dia 1, início da tarde (2)
Na continuação do discurso anterior, Ana Cristina Guimarães (ACG) veio representar o ICEP, apresentando-se com uma postura bastante defensiva e algo agressiva.
ACG começou por fazer um balanço ligeiro dos valores de importação e exportação de «impressos», misturando variadas formas de edição e impressão e revelando uma invulgar ignorância do carácter dual do livro (repetidamente reiterado pela UNESCO) e, mais importante ainda, uma incompreensão da importância das indústrias culturais (mormente das indústrias de copyright) na criação de riqueza para o país.
É facto conhecido que a propriedade intelectual se encontra entre os mais valiosos bens que um país pode criar, propiciadora não só de riqueza mas também um instrumento essencial de diferenciação e posicionamento nacional no mercado mundial, afectando a imagem e a capacidade de exportação das nossas indústrias através do valor cultural aportado (quantos são os consumidores mundiais que insistem na aquisição de produtos dos EUA ou da França? Qual dos produtos de igual qualidade e preço ganhará mais valor face ao consumidor, um produzido na China ou na Suécia?).
Apesar disso, o índice dos «livros, brochuras e impressos semelhantes, mesmo em folhas soltas» evidenciou entre 2002 a 2004 um crescente desequilíbrio que, apesar de manter sempre um coeficiente bastante reduzido (inferior a 50% das importações), atingiu o valor recorde em 2004, com uns tristes 29,9%.
Em 2005 os valores aparecem mais normalizados, ultrapassando a média dos anos anteriores e atingindo 56,27% (exp. € 33 729 000; imp. € 60 226 000). Até à altura do congresso os valores já não se revelavam tão positivos, com um coeficiente semestral de 47,08%.
Passando isso, Ana Cristina Guimarães começou a descrever a função e intervenção do ICEP na sociedade empresarial nacional, explicando a sua acção e organização.
Uma das afirmações mais reiteradas por ACG foi a clara função económica (e não cultural) do Instituto, dissociando-se de qualquer acção passível de ter como princípio uma componente cultural, nomeadamente do exemplo francês. De igual modo teceu sérias críticas aos valores «esbanjados» nas representações portuguesas em Paris e Frankfurt, por alturas de Portugal país-tema, revelando que o mesmo seria impensável nesta altura, independentemente do sector de actividade.
É claramente compreensível que o ICEP tenha uma vocação económica, mas um sector como este não pode ser visto ora por uma perspectiva ora por outra, sem qualquer concertação por parte de diferentes órgãos de um mesmo governo. Desse modo partem a dualidade e anulam qualquer acção possível para este sector.
Nessa perspectiva, o IPLB foi desprovido de qualquer função económica e de apoio ao sector, passando a assumir-se como uma estrutura de apoio à criação e/ou dedicado às bibliotecas, sem qualquer impacto ou relevância para o mundo editorial e, simultaneamente, as editoras passaram a ser consideradas na amálgama de outras indústrias nacionais, sem qualquer interesse ou preocupação pelas características desta indústria.
Mais, se o ICEP assumisse essa posição por igual considerar-se-ia apenas um erro fruto da ignorância, mas a verdade é que o ICEP toma posições diferentes e apoia clara e inequivocamente outras indústrias com especificidades e necessidades particulares como o Turismo ou, repare-se bem, as indústrias integradas na «Marca Portugal».
O que se questiona são os motivos que levam a que as empresas editoriais não sejam integradas neste modelo por uma questão de falta de posicionamento total para produtos nacionais quando esta é uma indústria prototípica, onde cada produto ou linha pode adquirir características mais ou menos posicionadas e, claramente, integradas no modelo «Marca Portugal».
O discurso de ACG assumiu depois uma postura mais crítica, evidenciando a falta de interesse dos editores portugueses (que, afirmou, nunca recorrem aos programas do ICEP ) e a incapacidade das associações empresariais.
Nas perguntas e respostas que se seguiram nada mais foi aventado, excepto pequenas e despiciendas críticas referentes à dificuldade de preenchimento dos impressos (como motivo para a falta de interesse).
A imagem com que se ficou foi que os editores não sabem responder às oportunidades dadas pelo ICEP e, simultaneamente, o ICEP não entende nada de Edição, não oferecendo instrumentos úteis para este sector.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:58 PM | Comentários (0)
dezembro 06, 2006
Congresso Dia 1, início da tarde
Já presente no módulo, cheguei no final da primeira intervenção, pelo que só posso começar a dar uma opinião, tendo também por base a minha própria vivência do Congresso, a partir do próximo post.
No entanto, posso desde já realçar o facto de que não estava assim tanta gente presente. Num sector com cerca de 3000 trabalhadores directos, mais de metade deles sediados na região de Lisboa, esperava-se que houvesse mais do que meia sala.
Entre os presentes havia algumas comitivas que se pautavam pela maior presença, nomeadamente os representantes do grupo Civilização e três dos directores da Quidnovi (Matosinhos).
O módulo seguinte (representação portuguesa no estrangeiro) estava inicialmente prevista para o final da manhã, tendo-se adiado para o início da tarde por motivos de atraso das sessões anteriores.
A primeira intervenção – que pretendia dar o mote a discussões posteriores – foi relativamente curta e, estranhamente, em inglês, dada a proveniência da palestrante, Karen Politis, do Gabinete Internacional de Edição Francesa (BIEF), também coordenadora do projecto de cooperação europeia de edição.
Por esse motivo, abordarei de forma autónoma a sua intervenção, referindo noutro post o resto do módulo dedicado à representação portuguesa no estrangeiro.
O objectivo de Karen Politis era partilhar a sua experiência na promoção da edição francesa no estrangeiro, partindo de dois pressupostos que considerava comuns à indústria portuguesa e francesa, um deles correcto e outro não.
Temos em comum o facto de falarmos línguas partilhadas por um elevado número de falantes em várias partes do globo, o que propicia um mercado global potencial, passível de ser explorado. No entanto, e ao contrário da França, Portugal não é um grande produtor de conteúdos.
De facto, e salvo raras excepções como a Círculo de Leitores, a Quidnovi ou a Oficina do Livro, para dar exemplos de diferentes tipos de produção de conteúdos, a indústria editorial portuguesa é bastante incipiente, demonstrando fortes incapacidades na concepção de projectos de edição, preferindo a aquisição de conteúdos já concebidos (muitas vezes por co-edição e importação) ou a edição de projectos de autor já desenvolvidos, por parceria na fase de produção e difusão e com baixa incidência editorial.
O BIEF tem uma componente pública (Ministérios da Cultura e dos Negócios Estrangeiros) e privada (250 editores franceses). Como função, tem o serviço de comunicação editorial no estrangeiro com dois objectivos distintos: fomentar o mercado de exportação de livros para os países francófonos e fomentar o mercado de venda de direitos para os países não francófonos.
A concentração de esforços tem como vantagem a possibilidade de conseguir maior visibilidade e capacidade de intervenção, podendo estar presentes em mercados de menor dimensão em que a aposta individual não resultaria. Torna-se assim possível investir em equipamentos que terão maior rentabilidade (como grandes stands que circulam pelas diferentes feiras).
O BIEF actua, desse modo, na organização e promoção de eventos (como seminários e encontros de negócios), além de apoiar as acções dos editores através da formação, da informação (de oportunidades de mercado) e da gestão de fundos comunitários para esse efeito.
O principal facto a realçar (e espero que tenham realmente escutado a senhora) é o convite dirigido aos editores portugueses, no sentido de poderem associar-se ao projecto, beneficiando da estrutura já montada.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:16 PM | Comentários (0)
Porque nem tudo são livros
Gostaria de dar os parabéns ao José Nunes que é definitivamente, para mim, o melhor cartonista português ao serviço, pelo seu 100.º dedo.
(Após as Cobras do Fernando Veríssimo, estes é um dos mais interessantes projectos de cartoon que tenho assistido)
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:06 AM | Comentários (0)
dezembro 05, 2006
Guadalajara 2008
Para quem não sabe, a Feira do Livro de Guadalajara é a principal feira dedicada à língua e cultura hispânica, celebrada anualmente na cidade mexicana que a nomeia.
Este ano tivemos o prazer de poder seguir o seu dia-a-dia através do relato sempre interessante de JM Barandiaran e hoje descubro no JN uma interessante notícia (aliás, a melhor que a ministra da cultura tem dado aos editores nos últimos tempos) onde ficamos a saber da intenção de candidatar Portugal a país-tema da feira de Guadalajara 2008.
Tendo já havido a adesão da APEL à CERLALC, com esta aposta reforçam-se as ligações a um dos nossos principais mercados e fonte de conteúdos, ligação essa que poderá melhorar a posição de mediação das nossas editoras no seio da publicação mundial.
Os meus sinceros parabéns por esta iniciativa.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:10 PM | Comentários (0)
Amazon reforça estrutura de POD
A Amazon acaba de anunciar a instalação de mais impressoras de Print-on-Demand nos seus vários centros de distribuição e envio espalhados pelo mundo.
Dessa forma integram parte da produção dos livros no seu negócio, anulam despesas de transporte intercontinental e garantem melhores prazos de fornecimento, a oferta de livros em domínio público ou esgotados de catálogo vivo.
Por seu turno, e dado que o copyright ainda pertence às editoras, a sua utilização deverá ser acordada e restringir-se à comercialização de fundos de catálogo e para o mercado de exportação longínqua.
A acção foi elaborada em parceira com a HP, através da instalação da HP Indigo, com capacidade de impressão 4/4.
Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:46 AM | Comentários (0)