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novembro 29, 2006

Congresso Dia 1, Continuação da manhã

Ainda ausente (só cheguei após o almoço), transcrevo novamente as notas e os discursos referentes a este módulo, dedicado ao Plano Nacional de Leitura (PNL) que contou com a presença de Isabel Alçada (Comissária do PNL) e José Matias Alves (especialista em administração escolar e director da linha de ciências da educação/CRIAP, das Edições Asa).

Das palavras de Isabel Alçada devem-se realçar dois elementos interessantes que merecem alguma ponderação prévia: 1.º uma atitude que insta à participação de todos os agentes, onde não são enunciadas culpas ou acusações mais ou menos genéricas (em particular aos editores, cujo discurso só valorizou a acção destes agentes) e 2.º a ideia que este é um plano estratégico, elaborado com bases de gestão que têm em conta as estruturas actuais, potenciando-as.
Só por isso o PNL já me cativou.

Outra das questões que me parece não estar a ser totalmente expressa é o facto de este não ser um projecto pontual que tentará revolucionar o panorama actual, mas sim um plano a longo prazo cujos primeiros 5 anos serão somente de transição, para implementar e «afinar», findos os quais se poderá iniciar um fase de crescimento e normalização.

Isabel Alçada inicia o seu discurso com uma análise de marketing, onde destaca três problemas de base: 1.º a falta de informação correcta dos valores actuais; 2.º os fracos hábitos de leitura; 3.º o fraco reconhecimento e fraca valorização do livro e da leitura.

A partir daí traça como objectivos a obtenção de informação investigacional para se estabelecerem parâmetros avaliativos e se estipularem metas, o alargar dos hábitos de leitura, assim como o desenvolver das competências de literacia, e por fim e um pouco menos concreto, uma contribuição para tornar a leitura um desígnio nacional.
Na continuação da análise do panorama, Isabel Alçada destaca também a falta de promoção da leitura e de livros nas escolas, assim como a insuficiente promoção da leitura pública e escassa rede de livrarias. Numa outra perspectiva afirma que as famílias estão pouco mobilizadas, havendo de uma forma geral uma insuficiente receptibilidade social.

Em relação aos objectivos, o primeiro deles é correctíssimo e essencial, pois a obtenção de dados e o estabelecimentos de parâmetros é a chave para qualquer benchmark e análise ambiental. Somente a partir destes elementos poderemos ver como estão a correr as diferentes fases do Plano e «afinar». Os dois objectivos seguintes são o cerne da questão e o motivo pelo qual se iniciou este Plano, o quarto é estrutural.

No entanto, esta não será uma revolução, pois destacam-se como vantagens o trabalho já efectuado ao nível das Redes de Bibliotecas Escolares e de Leitura Pública e as Associações de Pais, que com o aumento da oferta editorial poderão servir de base para o PNL.
A estratégia assentará em quatro âmbitos: na Escola, na Família, nas Bibliotecas e na Sociedade, assim como no envolvimento de todos os agentes possíveis. Para isso preconiza-se o reforço dos programas, redes e seus orçamentos actuais, assim como a reorientação curricular, sendo que os alvos prioritários dessa primeira acção (5 anos) serão os educadores e as crianças até ao segundo ciclo, pelo que os produtos editoriais de trabalho serão primordialmente os destinados aos segmentos especializados infantis e juvenis.

Como a leitura tem também fortes condicionantes sociais, Isabel Alçada pede a participação de toda a comunidade através de acordos e parcerias com instituições várias, campanhas de divulgação e incentivo às acções individuais e em grupo de todos os interessados.

As acções mais concretas situam-se ao nível da leitura diária e da aproximação dos leitores aos autores e aos produtos, inserindo os livros em actividades variadas e constantes, assim como promovendo as acções dos alunos em torno destas temáticas.

Por seu lado José Matias Alves trouxe alguns contributos para a aplicação do PNL.
Iniciando pela leitura algo metafórica de um livro das Edições Asa (Como Água para Chocolate, de Laura Esquível), comenta a iniciativa, mas perde-se em generalizações para referir somente a necessidade da imensa pluralidade de dinâmicas e de iniciativas de âmbito local.
Reforça igualmente a necessidade de haver condições de implementação, assim como de se ter em atenção a diversidade.
Por outro lado, refere também a necessidade de divulgar as boas práticas e de mediatizar e valorizar o acto ler.

Apesar das várias outras coisas referidas por José Matias Alves, fica a sensação que o Plano já as contempla e reforça, sendo que somente li um pequeno ponto que achei interessante, que é o facto de no secundário (fase 2?) se poderem estabelecer Projectos Individuais de Leitura, onde o aluno pode ir criando o seu próprio portefólio de obras a ler.

Também refere o apoio à edição, nomeadamente a linhas editoriais, mas pessoalmente isso soa-me a excessivo amparo, falta de concorrência e alguma ingerência num mercado que cresce conforme as necessidades. E com este Plano, espera-se que necessidades não faltem.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:11 PM | Comentários (0)

novembro 28, 2006

As tendências

Caros editores,
se bem que um passeio pelas principais livrarias nos encha os olhos de interessantes produtos, fica sempre aquele amargo de boca ao observar que se esqueceram de que é Natal.
Não há promoções ou grafismos natalícios nos produtos, não se trabalham os livros em formato oferta, nem sequer dizem simplesmente: Feliz Natal.

Cá por mim prefiro comprar bombons.

Trabalhem as tendências, meus senhores, trabalhem as tendências... e deixem depois a época trabalhar por si.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:04 AM | Comentários (0)

novembro 27, 2006

Mário Cesariny - ó meu Deus! - de Vasconcelos

Cesariny passou a vida a lamentar a morte de António Maria Lisboa e nós agora lamentamos a sua.

Fica-nos a sensação estranha de estarmos a ficar sem génios, ícones superiores a seus textos e obras, quando Cesariny, O'neill, Cardoso Pires ou Eugénio morrem.
Fica-nos também o temor de sabermos que outros se encontram em idades próximas daquela que lhes fracturaram os anos.

Não quero repetir a lenga-lenga habitual que génios são os que morreram e quem cá fica não tem de ter a porta aberta, excepto para os louvar, mas somente que nos habituamos a tê-los e com eles nos construímos, sendo que a sua queda assusta mais a nossa habitação.

Fico contente apenas ao ver que Cesariny conseguiu morrer num tempo em que as pessoas recordam mais o génio, que os seus olhos.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:02 AM | Comentários (0)

novembro 24, 2006

Breves

- Como disse no mês passado (21/10), a edição parecia estar a ultrapassar alguns dos níveis da decência, mas felizmente essa opinião não foi só a minha.
Rupert Murdoch, CEO da gigantesca News Corporation, logo, da Harpercollins e, nessa sequência, da Regan Books, interveio directamente e anulou a campanha e o livro de OJ Simpson, If I did It, estando a célebre editora Judith Regan em sérios riscos de ir parar ao olho da rua.
Agora resta-nos ficar a pensar como seria se o tivesse feito.

- A Oficina do Livro foi novamente vendida, desta feita ao maior grupo português (de vocação ibérica) de capitais de risco, a Explorer Investments. Não tendo sido revelado o valor envolvido, sabe-se que adquiriram 75% do capital da sociedade, que para além da marca que lhe dá nome inclui as marcas Casa das Letras e Estrela Polar, assim como a estrutura de difusão da ex-Editorial Notícias.
António Lobato Faria manter-se-á como editor e CEO, com os 25% de capital restante.

Mais do que aportar capacidade de gestão – que reconhecidamente não falta a esta estrutura editorial - permitirá obter uma base de angariação de financiamento para projectos do grupo editorial.

Dessa forma, seguem-se as perguntas:

Será que a Oficina do Livro está a querer a consolidação, expansão ou diversificação do mercado?
Através da aquisição de alguma marca ou pelo processo de integração ibérico?

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:22 AM | Comentários (0)

Cadeia de valor na era digital

«The market is now starting to take those bold steps in the Brave New World and there are a number of issues to be addressed such, pricing, formats, availability of digital content, channel etc. However the issue of rights contracts and digital royalties is one where common sense should prevail. Just as publishers need to recognise that the existing channel will still generate the majority of sales and must be supported and enabled into the digital chain there is a need to also recognise that authors need to equitably share the efficiency gains that are achieved through digitisation.

People only exist in the value chain if they are perceived to add value and in a world where long tail economics is reality and self publishing is becoming easier, we need to recognise some of the lessons that can learnt from the music sector and its relationships with its artists. Also artists need to be realistic and recognise the value publishers and retailers will continue to deliver in the digital world.»

Martyn Daniels, Booksellers Association Blog

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:04 AM | Comentários (0)

novembro 22, 2006

Congresso Dia 1, o início

Começo por falar daquilo a que não cheguei a tempo de assistir, mas a que tive acesso pelos discursos (agradeço a Bruno Pacheco e à UEP pelo envio atempado de todos os documentos) e a resumos efectuados por interessados presentes, dispostos a captar raras palavras de um raro congresso, como referiu António José Seguro.

Mário Moura, dando as boas-vindas a todos os que estariam presentes, fez um discurso misto, algo coloquial e próximo, pontuado de opiniões e visões pessoais – boa parte delas correctas e sensatas – preparando os presentes para aquilo que, de alguma forma, se seguiu.
Tendo em conta as suas palavras iniciais, reconheço que por ter desvendado um pouco o programa torna-se óbvio que poucas foram as conclusões a que se chegou no Congresso. De facto, o previsto foi apresentado e concluído na mesma toada, sem ter havido aportes significativos ou disruptivos; por outras palavras, uma tese que se manteve, sem a participação, opinião fundamentada ou interesse necessários dos presentes para se chegar a uma síntese. Esse desinteresse em nada reflecte os temas em cima da mesa (muitos deles importantes e conciliatórios), nem o formato utilizado, que privilegiou o debate final à apresentação monologal, sendo necessário procurar externamente os motivos que o justificam.

Relativamente aos discursos dos representantes políticos, António José Seguro (Presidente da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura) e Jorge Manuel Martins (Director do [em vias de extinção] Instituto Português do Livro e das Bibliotecas), foram bastante distintos e merecem uma atenção particular.

António José Seguro foi político, referindo amigavelmente os problemas de forma pouco aturada e perdendo-se na habitual linguagem de serrim que preambula os discursos referentes aos livros e à cultura.
Elogiando a função do livro, elogiou a acção teórica dos agentes, sempre numa perspectiva cultural e de reforço da língua portuguesa. Abordou num parágrafo os objectivos e ocupou os editores com opiniões sobre a relação e funções entre meios impressos e multimédia interactivos.
O único facto a ressaltar é a disponibilidade política para escutar os problemas dos editores em sede de comissão parlamentar, reconhecendo alguns dos problemas que seriam focados.

Jorge Manuel Martins assumiu-se (tal como em outras ocasiões) como um técnico, demonstrando estar ciente das acusações e disposto a responder com elementos de facto.
Dividiu o seu discurso em duas partes, ou histórias, uma inicial, aludindo às novas tecnologias e necessidades dos públicos, reforçando a exigência de adaptação a novos tempos e reduzindo (excessivamente) o papel e os dados evolutivos da leitura juvenil em Portugal – que chama de residual, a valores nunca antes vistos –, como forma de valorizar o Plano Nacional de Leitura.
Na segunda parte, ou história, entrou mais profundamente na relação do Estado com os agentes da Oferta, utilizando um referente positivo que lhe permitisse não abordar problemas sectoriais. Foi dessa forma que elogiou a visão empresarial e autónoma (sem necessidade de subsídios e amparos) de alguns agentes editoriais, destacando essa atitude daquela que considera mais geral e que caracteriza como de «síndrome dos filhos deserdados, [que fazem confusão entre] Estado e instituições de solidariedade social, [...] muito dados à lamúria e ao queixume, [acreditando] muito em subsídios e protocolos, [...] lentos no entendimento com os seus pares, mas rápidos no endossar a terceiros a culpa dos seus pontos fracos».
Simultaneamente, aproveitou esse primeiro referente para acusar os editores de não reconhecerem o investimento e o papel económico e estrutural do Estado.
Aventando valores, refere que «desde o início do projecto [Rede Nacional de Bibliotecas Públicas – RNBP] até ao presente, já foram contratados para cima de 34 milhões de euros, a dividir em partes iguais pelas autarquias e pelo IPLB. [...] Estado e as autarquias são, em conjunto, a maior central de compra de livros em Portugal».
Aproveita também a oportunidade para se explicar em público, denunciando as dificuldades económicas do Estado e a necessidade de «parcimónia» de boa parte das actividades do Instituto, cuja principal aposta (70% dos valores do PIDDAC do IPLB) se situa na RNBP.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:04 PM | Comentários (0)

novembro 21, 2006

Linhas Secantes

«Uma visão sem um plano é um sonho, um plano sem uma visão é um pesadelo»

Não quero afirmar que as livrarias Bertrand se estão a desposicionar no seu processo de crescimento, mas a aposta em modelos mistos que tentam apanhar todos os grupos em crescimento em todos os locais onde o mercado pode crescer parece mais uma adaptação do que uma inovação, tendo, de certa forma, como única estratégia a ocupação do mercado por antecipação.

Dessa forma, observamos na Bertrand a abertura de espaços semelhantes a mega-stores em determinados locais, como a loja Dolce-Vita/Antas, e simultaneamente pequenos espaços nas capitais de distrito, tendo na sua rede uma multiplicidade de conceitos (livrarias de fundo, lojas de alta rotatividade, lojas de semi-especialidade, livrarias de bairro e até, durante algum tempo, lojas de saldos).
Futuramente pretendem expandir-se para Espanha, mas com que conceito?

Por outro lado, a Fnac não quer ficar para trás e reforça o seu processo de expansão, mantendo o seu conceito e adaptando (tal como fez em França) a dimensão ao mercado.
Como prova disso observa-se a abertura do espaço Fnac no Funchal e a promessa de abertura de mais 5 lojas nos próximos 3 anos, em Braga, Leiria, Faro, Viseu e, possivelmente, algures nos Açores (Angra ou Horta), prometendo estar atentos a novas oportunidades de expansão.

Nesta corrida em rota de colisão quem irá cortar a linha do outro?

P.S. - a descrição do Congresso segue dentro de momentos.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:34 AM | Comentários (0)

novembro 20, 2006

A Editora apresenta:

Parece que as novas tecnologias chegaram para ajudar.
É dessa forma cooperante que os livros convergem e se encontram no espaço virtual, procurando novas parcerias que cativem e ajudem o leitor a seleccionar os livros que passarão a fazer parte de si.
De entre essas parceiras a Extratexto já referiu anteriormente os trailers de livros, aquando da apresentação do obra de Galeano pela Livros de Areia.

É com ainda mais prazer que observo que o produto evoluiu e ganha hoje lógica e características próprias, inserindo-se em planos mais claros e abrangentes de comunicação, com posicionamento e objectivos definidos e muito direccionados.
Numa única frase: que passam a fazer parte da estratégia das editoras.

As Quasi Edições, através da parceira com o Consultor em Comunicação e Edição Paulo Ferreira, apresentam agora dois trailers de extraordinário valor que em nada ficam a dever ao que de melhor se faz no Reino Unido e nos EUA.

O trailer de livros na Internet é um instrumento muito direccionado que serve para iniciar o boca-a-boca inicial, transferindo interactividade para o receptor e levando-o a partilhar a novidade e o produto. Com extraordinário impacto, circula à velocidade da Net, dissemina-se rápida e eficazmente sendo, ainda assim, possível de controlar o resultado através da contagem de visualizações por IP na plataforma onde está alojado (YouTube, neste caso).
Sem descodificar a história, o trailer dá-nos o ambiente e transmite-nos informação (se possível escrita, curta e substantiva) sem a concorrência ruidosa dos lineares e dos escaparates. É precisa e não passa pelo gatekeeping de vendedores, jornalistas e livreiros mais ou menos preparados, oferecendo ainda ao livro a notoriedade dos meios audiovisuais de grande orçamento.
Neste novo mundo de sentidos não existe intrusão ou interrupção, nem existe concorrência, permitindo dar ao livro som e imagem, referentes mais imediatos que permanecem inconscientemente na memória de cada um de nós até ao reconhecimento do produto no ponto de venda. É um conselho amigo do nosso fiel PC.

Pelo carácter disruptivo desta tecnologia, os meus parabéns à Quasi e à Livros de Areia por estarem na vanguarda da antecipação tecnológica na comunicação de livros em Portugal.

P.S. – Prefiro nem falar do preço baixo que uma preciosidade desta custa em relação a uma qualquer publicidade...

Ver aqui:

A Extensão do Domínio da Luta, Michel Houellebecq

Amores Finitos, António Machado

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 09:46 AM | Comentários (0)

novembro 18, 2006

Blackwell Publishing

A antiga editora de Oxford, Blackwell (actualmente, Grupo Blackwell Publishing), que ao longo de 75 anos adquiriu a reputação e o estatudo de uma das maiores e mais importantes editoras académicas e profissionais do mundo, vai ser adquirida pelo Grupo John Wiley & Sons por quase 850 milhões de euros (a estrutura de venda às bibliotecas, assim como o serviço de apoio ao retalho não estão incluídos na operação).

A Blackwell Publishing é actualmente uma das maiores referências na edição de livros e de publicações periódicas académicas (muitas delas reconvertidas para Internet) nas áreas das ciências humanas e sociais, medicina e ciência, com uma facturação anual superior a 280 milhões de euros. Publica anualmente mais de 650 novos títulos, num catálogo de mais de 6000 títulos vivos, mantendo activas 805 revistas universitárias e especializadas, tanto no formato impresso como online.

A Blackwell, criada em 1922, é responsável pela publicação de autores como WH Auden, JRR Tolkien ou Graham Greene e apoia o Open Access. Apesar disso, irá necessitar de forte reconversão após a implementação do regulamento comunitário que obriga ao não pagamento do acesso a investigações efectuadas com dinheiros de origem comunitária ou públicos de algum dos países da comunidade.

A aquisição da Blackwell pela enorme rival bicentenar nova-iorquina, vai permitir à John Wiley (JWS) reforçar o seu core-business com conteúdos de qualidade superior, podendo manter um elevado rendimento sobre os conteúdos por ter grande parte do seu mercado situado fora da União Europeia.
Apesar da grande dimensão da JWS, a diversificação de produtos que mantém não lhes estava a permitir ganhar a notoriedade que a sua rival sempre teve, nem aceder a conteúdos de tão elevado valor, em particular pela associação da marca aos conteúdos Hungry Minds, responsáveis por séries tão famosas como «for Dummies» [para Totós], os guias «Frommers» e os dicionários «Cliffsnotes».

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 08:19 AM | Comentários (0)

Textos de Contracapa 2

É com extraordinário prazer que observo que um dos nossos melhores editores, Nelson de Matos, regressou ao mundo da Blogosfera.

Actualmente com imensas ideias no papel, tenho a secreta esperança de poder contar com a sua grande experiência e capacidade, não só na publicação dos grandes autores contemporâneos da língua portuguesa, como também na discussão de alguns dos assuntos que puderem ser tratados neste outro meio mais interactivo.

Textos de Contracapa 2

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 07:42 AM | Comentários (0)

novembro 17, 2006

Vende-se: Reader’s Digest

Um grupo de investidores liderados pela Holding Ripplewood, grupo nipo-americano que detém a WRC Media, especializada em produtos educacionais, para-escolares e suplementos, ultrapassou a sua rival Bertelsmann (em particular através da Time Warner Edições) na compra da Reader’s Digest.
O negócio, que praticamente atingirá os 1,9 mil milhões de euros (mais a dívida), numa oferta de €13,27 por acção, não atingiu os valores gigantescos anteriormente referidos como oferecidos pela Bertelsmann, entre 4,5 e 4,9 mil milhões de euros.

A Reader’s Digest (RD), que já não tem sucessos há algum tempo, vale pelo imenso catálogo disponível, detentor de opções que permitirão ao Grupo WCR adquirir direitos integrais dos principais autores americanos.
Igualmente, a recente e grande estrutura de Internet da RD, com 28 grandes espaços virtuais, possibilita integrar a estratégia de reconversão da RD e potenciá-la com conteúdos WRC.
Por fim, a compra da RD pela Ripplewood tem outro e infelizmente importante motivo, nomeadamente a possibilidade de revenda de grande quantidade de acções da RD (fortemente capitalizáveis), o que permitirá obter financiamento rápido para muitas das operações financeiras da Ripplewood.

Esta empresa de sucesso iniciou-se em 1922 e tornou-se uma das principais referências do mundo das revistas e do sistema Direct Mail. Conseguiu manter-se fora das grandes andanças de capitais durante todos estes anos, até que a marca começou a vacilar, falhando claramente todas as estratégias de diversificação de mercado (vídeo, música, etc.). No último ano, tentaram entrar em força no multimédia interactivo da Internet, como forma de ultrapassar a situação, mas, infelizmente para eles, a experiência de reconversão que tinham era nula e as dificuldades foram imensas, causando quebras financeiras e dívidas agravadas, pelo que foram agora forçados a vender.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:32 AM | Comentários (0)

Para quê uma feira de livros?

Leroy Gutiérrez apresenta de forma bastante interessante alguns dos motivos que nos fazem querer, ainda assim, todos os anos visitar as Feiras do Livro.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:09 AM | Comentários (0)

novembro 16, 2006

Congresso de Editores da UEP – Parte I

Terminou, na terça-feira, o 2.º congresso de editores da UEP sem a presença da Sr.ª Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, que se escusou com a necessidade de estar presente em Bruxelas para a apresentação de Guimarães, Capital Europeia da Cultura. Entretanto, e fazendo bom uso do dom da ubiquidade reconhecidamente integrado nos cargos ministeriais, Isabel Pires de Lima esteve no Porto às 15:00 (fonte: Jornal de Notícias; Primeiro de Janeiro, Porto XXI), reunida no Cine-Teatro Passos Manuel com os jovens que se encarceraram na estrutura cultural situada alguns metros ao abaixo, no Rivoli.

Ao contrário de muitos editores, que baloiçavam a cabeça recordando-se que «já tinham previsto que isto fosse acontecer», e outros que, abanando-a um pouco mais, repetiam «Quase, quase!!! Era desta que a íamos apanhar», eu tento compreender um pouco a desfaçatez e falta de tacto político da Sr.ª ministra que lá se deslocaria para obter poucos resultados e muitas dores de cabeça.

Assim se pode resumir um pouco o que foi este 2.ª Congresso de Editores, com várias apresentações institucionais, alguns módulos de relativo interesse e outros de reiterados argumentos esparsos que serviram para causar mais a confusão e o ambiente de grupo de apoio psicológico, onde todos desabafam, do que para apontar soluções para o futuro.
Ao final, podíamos resumir o Congresso a uma tentativa de ajuste de contas de editores com «os malandros que nos estragam o negócio», onde se apontaram oitos pontos de conclusão – objectivos, portanto – meramente expressos e impossíveis de realizar directamente, porquanto se restringem a cinco críticas da acção do Estado e um relativo elogio (Plano Nacional de Leitura), uma intenção de boas práticas normalizadas (onde se referem mais as obrigações da uma das partes do que os pontos de convergência) e uma acusação genérica aos media de não se envolverem na divulgação do livro.

Para uma análise SWOT diríamos que se esqueceram do S do W e do O, e relativamente aos objectivos, não o são, pois situam-se fora da esfera de acção directa dos editores e resumem-se a ameaças a evitar.

É, assim, incompreensível que uma associação profissional de entidades patronais – ou duas, caso não nos queiramos restringir a este Congresso – se assemelhe mais a um sindicato da ala política esquerda da função pública (sem desmérito para os sindicatos que cumprem a sua função) e eleja o Estado e a sociedade geral como seus dilectos inimigos, «esses malandros do ministério da economia» e «essas forças de bloqueio» como foi escutado no decorrer do Congresso.

Não perdoam, nem esquecem as acções passadas do Ministro Carrilho que, por ter feito aquilo que durante anos se exigiu (Lei do Preço Fixo do Livro), não o fez agradando a Gregos e Troianos, nem impedindo Tróia de cair.
Não perdoam, nem esquecem a APEL (apesar de as críticas terem diminuído sobremaneira desde 2001), nomeadamente em relação ao dossiê ISBN e ao financiamento do Centro de Documentação Bibliográfica.
Mas esquecem que as associações servem para juntar esforços e construir, não para berrar mais alto e mais forte para que os outros construam as nossas estradas.

A maior parte dos problemas actuais do sector depende exclusivamente dos próprios editores e seus parceiros comerciais, não depende da acção do Estado, não depende da acção das bibliotecas, não depende da acção das escolas, não depende da acção dos media, nem tem dependido, infelizmente, da acção das associações.
Como Fernando Sarmento disse no 1.º dia, «somos empresas e podemos associar-nos como empresas», ao qual junto as palavras de Luís Oliveira «se nada fazem, para que serve então o dinheiro dado todos os anos às associações?».

Para reclamar, meus senhores, para reclamar.

Nos próximos dias darei um relato de cada um dos módulos a que pude assistir ao longo do Congresso.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:05 AM | Comentários (0)

novembro 13, 2006

Congresso

Editores em Congresso.

As novidades seguem dentro de momentos.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:21 PM | Comentários (0)

novembro 08, 2006

Bibliografia de Sociologia do Livro e da Leitura

Tentando cumprir algo anteriormente prometido, e graças a Eduardo de Freitas (que foi quem, de facto, teve todo o trabalho de compilar a bibliografia), segue abaixo a link para:

Bibliografia de livros portugueses de Sociologia do Livro e da Leitura

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:53 PM | Comentários (0)

novembro 07, 2006

O dono da língua

No JN de hoje, Ivete Carneiro (IC) apresenta-nos a Estação da Luz, o maior museu de língua portuguesa existente, localizado em S. Paulo - Brasil, e uma homenagem devida desse país irmão ao principal elo que une quase 250 milhões de pessoas.

Até aqui tudo bem, acto de divulgação louvável de Ivete Carneiro que muito aprecio, no entanto, no final do 1.º parágrafo, IC refere:

«Uma obra magnífica que deverá inspirar outra semelhante em Portugal. Afinal, o sítio de onde a ideia deveria ter partido.»

Afinal, porquê?
Quer fazer-nos crer que Portugal é dono de uma língua como o português?

Não pretendo entrar em conflito nem remeter para as raízes galaicas que tão bem partilhamos com os nossos mais que irmãos (siameses, diria) galegos, nem entrar numa discussão para a qual não estou preparado, mas sei que ninguém é dono de uma língua.
Ainda para mais quando 80% dos seus falantes nativos são oriundos do país que, afinal, criou a Estação de Luz, e um país cujo esforço externo em prol da língua portuguesa é incomensuravelmente superior ao efectuado por Portugal.

O Brasil também não é o dono da língua, mas por criar uma Estação da Luz, afinal, quase merece ser.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 09:59 AM | Comentários (0)

novembro 04, 2006

A Christmas «tail»

Independentemente se as crianças deste ano se portaram bem, por esta altura milhões de produtos-livro criados a pensar naquilo que eles fizeram (ou gostariam de ter feito) estão a dirigir-se para as montras encantadas dos principais canais expositivos.

É a altura magna da comercialização de livros, tão importante que perdeu o seu carácter de evento propiciador da procura para se chamar apenas:

«A Época do Natal» (idílico, não é?)

Como o Natal é sempre que um homem quer (e alguém quiser pagar), este natal começa no dealbar de Novembro, apesar de uns poucos flocos antecipados terem já chegado para tapar os escaparates e lineares com o seu ar festivo numa tentativa de antecipação que terminará avassalada por novos e brancos flocos que cairão, de forma copiosa ou em avalanche, de Norte a Sul do país.
É época farta, altura de seasonals, bests e outros sellers, cujas previsões, gráficos e ciclos de vida nos fazem olhar para cima e regozijar com picos à altura das estrelas; em quase dois meses as vendas garantem o equilíbrio das contas que se seguem – questões de papel, entenda-se. Mas é também altura de excessos que se revertem em devoluções inesperadas, de sucessos e desesperos ouvidos por entre o imenso ruído que nos impede a colocação querida e desejada.

Como o Natal é sempre que um homem quer (e alguém poder trabalhar), este Natal não é fruto de uma noite irreal, um acto à Júlio Verne de «Volta ao Mundo em 24 horas num Trenó e Renas» que só Jack Bauer (Kiefer Sutherland) consegue realizar.
Este é um Natal de gnomos e renas onde se faz tanto que muitos acham que não se consegue fazer nada: os editores produzem (ou finalizam o que querem produzir), recapam, fazem packages, idealizam promoções, preparam planos de venda directa e indirecta, preparam fichas comerciais que, garantem, «desta vez os comerciais vão conseguir perceber como é que vão vender este livro». A logística desespera com os pedidos, as novas embalagens e fitas coloridas, os pedidos excêntricos oriundos de campanhas que nem bem entendem, o vai-e-vem de entradas e saídas para os mesmos locais, os mesmos armazéns, as mesmas rondas mas em quantidades diferentes.

Quem cá anda pensa já no almoço ou jantar de Natal, nas prendas escolhidas dentro da empresa ou nos poucos tempos vagos ao voltar para casa, regressam entre a chuva que gostariam que fosse neve (que mais não seja pela novidade) e, daqui a pouco menos de dois meses estarão em casa cansados, um pouco tocados e, certamente, sorridentes:

Sim, é Natal.
(que mais seja por ser a sétima vez que repito a palavra)

P.S. – Este ano não ofereça um livro, ofereça muitos.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 08:40 AM | Comentários (0)