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julho 26, 2006

A Modest Proposal

Tentando evitar as conotações satíricas genialmente introduzidas por Jonathan Swift (se não conhecem o texto, deviam conhecer), gostaria agora de pedir a todos os leitores deste blogue uma participação concreta no aperfeiçoamento do texto que se segue.

A Feira do Livro (em particular de Lisboa e Porto) é um evento de extraordinária importância na vida dos mediadores e dos agentes do Mercado do Livro. Tem um papel que queremos que se mantenha fundamental, como marca distinta da vitalidade da edição e da literatura em Portugal.
Para muitos leitores e compradores de livros este é um evento marcante, esperado e, quase sempre, decepcionante. Ficamos, tal como Didi e Gogo, sempre à espera de um Godot que nunca chega, e ano após ano passeamos entristecidos naquele que poderia ser um espaço melhor, mais rentável e agradável – um espaço condigno para quem ama os livros e quer dar a conhecer a todos os amados livros.

O que eu peço é que saibamos que a Feira do Livro pode ser aquilo que queremos – a Feira é feita para nós!

É às associações de Classe que compete a organização das Feiras, em especial à APEL, tal como a Lei privilegia, mas compete a todos nós auxiliarmos as associações a tomar as opções que achamos correctas, compete-nos avaliar o trabalho efectuado e criticá-lo construtivamente, dando ideias e indicações que as auxiliem a ultrapassar os problemas existentes.
Criticar somente não chega e prejudica, compete a todos ajudar a ultrapassar os problemas, pois somos responsáveis se nos mantivermos passivos.
Numa sociedade participativa não é necessário estar no poder para nos fazermos ouvir; mais, temos a obrigação de juntar a nossa voz e dizermos o que achamos ser o caminho correcto.


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PRIMEIRA VERSÃO

Ex.ma presidência da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Dr. António Baptista Lopes, Francisco Madruga e José Pinho,

Finda mais uma Feira do Livro de Lisboa e Porto, foram algumas as críticas que se repetiram na comunidade e nos órgãos de comunicação social relativamente aos resultados alcançados.
Enquanto cidadãos, ou profissionais deste mercado, estamos interessados no melhor funcionamento deste que é o evento magno da edição em Portugal, com um peso histórico e simbólico digno deste produto central das indústrias culturais: o Livro.
Por esse motivo, foi aberta a discussão e a avaliação crítica construtiva a todos os que estivessem interessados, na tentativa de auxiliar a APEL a melhor desenvolver este projecto de todos nós.

Na esperança de que este contributo possa suscitar algum interesse da vossa parte, apresentamos as conclusões da nossa discussão.

Evitando determo-nos nas tradicionais e pontuais críticas que habitualmente surgem, tentámos analisar as Feiras do Livro na actual da sociedade portuguesa, na sua conjuntura económica e no âmbito das enormes alterações que o mercado do livro tem passado desde finais dos anos 1990.
Observámos que os públicos que se dirigem ao espaço já não sentem as mesmas necessidades, nem têm as mesmas expectativas que anteriormente, esperando obter da Feira bastante mais do que noutros tempos: uma mais-valia adicional que se demarque num mercado com cada vez maior contacto com o produto-livro, maior rotatividade e grande concentração dos produtos e desenvolvimento dos formatos de publicação.
De facto, o modelo actual está totalmente desajustado e perde, significativamente, para a oferta de serviços de promoção e venda que qualquer simples cadeia livreira apresenta.
Simultaneamente, este evento está a tornar-se contraproducente e obsoleto, não beneficiando a cadeia do livro, que mais não seja pelo desaproveitamento de potencialidades.

Tendo em conta os diferentes objectivos que os múltiplos agentes e mediadores que participam no Mercado do Livro têm, descobrimos que o modelo actual permite somente pequenos ganhos promocionais às editoras presentes, um aumento das margens de desconto médio efectuado e um mais rápido retorno financeiro dos seus investimentos produtivos, comercializados no espaço. Essas vantagens estão em rápido decréscimo e correm o risco de rapidamente se transformarem em prejuízo, tendo em conta os custos associados e relativos, assim como os prejuízos ao mercado.

1.ª Proposta: alteração da data da Feira do Livro.

De facto, e segundo vários estudos de economia do livro, o ciclo anual comercial deste produto está perfeitamente definido, assim como a função de mercado de um tal evento. A Feira do Livro de Lisboa e Porto não deve ser colocada no final desse ciclo, pois não só não potencia o crescimento do mercado, como até o mata, dando início à época baixa de Verão. Simultaneamente, exige-se às editoras que produzam livros que terão somente o período de vida da Feira, lançando produtos no final da época, reduzindo as possibilidades do lançamento e propiciando a sua não aceitação e rápida devolução: essa estratégia mata o livro.
Como vantagem para esta época observamos somente o clima primaveril que se faz sentir e o hábito instalado da data.
É por isso que apresentamos um período intermédio, os dias que medeiam o final da Páscoa até ao dia do Livro (23 de Abril), impulsionando os microeventos e fazendo, pela primeira vez, um verdadeiro aproveitamento do dia (à semelhança de Espanha).

2.ª Proposta: redução do número de dias de Feira

Está feira é das raras que mantém um formato extensivo que dispersa o consumo e reduz a rentabilidade das empresas. A dispersão da feira por vários dias ocasiona inúmeros períodos mortos e sem consumo, o aumento das despesas, o cansaço e as críticas. Os prejuízos para o mercado livreiro prolongam-se durante três semanas sem que com isso se consiga um ganho muito superior. A concentração das receitas tem de ser feita pela concentração de clientes em determinadas áreas de maior propensão para o consumo e pela promoção direccionada. Em nada resulta a insistência em corredores vazios ao longo de dias consecutivos.

3.ª Proposta: segmentação do espaço

A distribuição por antiguidade ou a guetização de pequenos editores não só prejudica como não auxilia em nada ao evento.
A solução é tornar a feira «ergonómica», fácil de usar e onde se consigam encontrar os produtos.

Propomos a divisão da Feira em seis espaços:
1 – Espaço Principal/Ficção (com divisão entre ficção nacional e estrangeira)
2 - Espaço Infantil
3 - Espaço Alfarrabista e Livros Baratos
4 - Espaço Álbuns e Obras de Referência
5 - Espaço Ciência e Novas Tecnologias
6 - Espaço Não-Ficção Geral (New Age; Culinária; Espiritismo; Livro Prático; Guias de Viagem; Religião; etc.)

Cada espaço teria a sua própria gestão e programação autónoma, serviços de apoio (como cafés), espaço de exposição e mini-auditório. A programação seria simultânea e estaria a cargo de convidados para as respectivas áreas (exemplo: Bedeteca/IBBY na área infantil; Casa Fernando Pessoa/SPA/APE na Ficção portuguesa; FCT para a ciência; etc.), em colaboração com as editoras presentes em cada espaço. Seria este o espaço preferencial para apresentações, lançamentos, debates, concertos, exposições e sessões de autógrafos.
As editoras poderiam estar presentes nos espaços que bem entendessem, com dimensões variáveis e sujeitas a uma tabela de preços. A decoração seria autónoma, de acordo com cada espaço, e permitiria a utilização de vários meios.
O Espaço Principal teria o país-tema como mote para decoração, exposição e programação.
A APEL poderia comercializar bancas comuns em cada um dos espaços, de forma a incluir os editores com menores capacidades de investimento.
Cada espaço teria de ser pensado de acordo com as necessidades de cada segmento (exemplo: várias pequenas mesas para o Espaço Álbuns; biblioteca infantil e berçário para o Espaço Infantil, montras de divulgação e computadores com Internet no Espaço Ciência; etc.).
A promoção de cada espaço seria autónoma, assim como a música ambiente, cartaz, etc.

4.ª Proposta: abertura da Feira a outros produtos culturais

Sem se pretender que a Feira perca o seu carácter, é necessário dar a mesma oferta que uma Fnac, por exemplo, já dá. Pelo que a abertura a jornais e revistas (por cada área), produtos multimédia (nos Espaços Infantil e Ciência), assim como música ao vivo, dança, etc. Cada espaço definiria as suas necessidades promocionais.

5.ª Proposta: abertura a novos parceiros

Criação de pequenos espaços promocionais – que podem ser comercializados – seja para fornecedores, seja para universidades e divulgação de bolsas e formação (Espaço Ciência), venda por subscrição (Espaço Álbuns), ou gráficas, distribuidoras, papeleiras, livrarias, grossistas e prestadores de serviços.
Devem convidar-se mais parceiros, tanto para a gestão dos espaços, como para a criação de eventos.

6. Proposta: programa profissional

Não havendo em Portugal grandes eventos ou acções relacionadas com a Edição, esta seria uma altura propícia para mostrar o nosso mercado:
– trazer pequenas comitivas internacionais para parcerias, tanto na área da distribuição, como da impressão, exportação ou agentes.
– organizar conferências e colóquios sobre temáticas relacionadas com a edição.
– organizar discussões e mesas-redondas.
As acções poderiam decorrer no Espaço Principal.

Para mais esclarecimentos ver: http://extratexto.weblog.com.pt.

Subscrevem esta proposta:


Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:51 AM | Comentários (0)

julho 20, 2006

Oportunidade de publicação

Se procuram uma boa oportunidade de publicação, este é o novo prodígio da literatura mundial.

Para comprar a edição tem de ser agora, pois no final de 2008 vai estar bem mais caro...

Leiam uma sinopse em inglês, se preferirem.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:50 PM | Comentários (0)

Acho imperdoável

...que só agora tenha tido conhecimento da existência deste blogue: Mediadores, Livros e Leitores, da pós-graduação de Estudos da Criança: Especialização de Análise Textual e Literatura Infantil da U. Minho.

via Alcameh

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:39 AM | Comentários (0)

julho 19, 2006

Quem diria melhor?, 2

Como para bom editor meia palavra basta:

A opção pela via centralização-especialização [da gestão nos produtos flexíveis] leva à rigidez da organização do trabalho. Esta opção tem várias desvantagens. A fraca motivação e empenhamento dos operadores, a fraca utilização do equipamento, os tempos mortos excessivos, a lentidão, as dificuldades de cooperação e de coordenação, a fraca capacidade de evitar falhas e avarias tendem a generalizar-se, uma vez que as deficiências latentes que a concepção do software contém não podem ser corrigidas rapidamente pelos operadores.


Ilona Kovács, José M. Carvallho Ferreira e Maria João Santos, Mudança Tecnológica e Organizacional: Análise de Tendências na Indústria, SOCIUS - Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações – Instituto Superior de Economia e Gestão – Universidade Técnica de Lisboa

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:08 PM | Comentários (0)

julho 17, 2006

Outros mercados

Confesso ter tido um sentimento contraditório ao ler na Não Tenho Vida para Isto a apresentação dos valores da indústria editorial do mundo árabe.
Sendo, pessoalmente, um grande apaixonado pela história e cultura árabe - tendo inclusive feito em tempos língua árabe I e II -, em particular dos séculos XI a XIV (sim, eu sei que politicamente estes são séculos marcados pelos povos turcos e mongóis), constatei entristecido a análise aos conteúdos que o magnífico Timothy Garton Ash apresenta.

Poderia entrar em diálogo, referindo que no Ocidente muito do que se publica, ou do que se traduz, não tem validade para ser publicado, mas ainda não recuperei do choque.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 07:56 PM | Comentários (0)

Verdades de uma insolação

Se o fruto de uma insolação trouxesse uma tal clarividência, recomendaria a todos uma tarde de praia ao sol.

ler o texto a que me refiro aqui.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:03 AM | Comentários (0)

julho 14, 2006

Dia do Livro

Não, desiludam-se aqueles que julgavam ser este um post dedicado ao 23 de Abril.

A inglesa PN revela as intenções da PA/BA (as associações dos editores e dos livreiros ingleses) de reavivar as «Quintas-feiras» de lançamento.
Confesso que desconhecia a prática que agora revelam querer reavivar, no entanto, achei a ideia interessante e passível de ser, em certa medida, implementada cá.
Naturalmente que Portugal não está dotado de uma Agência Bibliográfica capaz de gerir o fluxo de publicação com antecedência (apesar de algumas missivas minhas, que post'eriormente apresentaremos), traduzindo esta acção em resultados comerciais concretos. No entanto, e à semelhança da indústria cinematográfica, a definição de um dia semanal para apresentação de Novidades (para toda a indústria) traria vantagens assinaláveis na criação de hábitos de frequência e de divulgação de informação, potenciando um circuito de promoção interessante.
Essa acção iria ser bastante útil para as livrarias «tradicionais», pois seria mais simples utilizar uma data definida para convencer os clientes, dinamizando os seus espaços.
Uma tal acção iria fazer coordenar as datas dos eventos das editoras com as das livrarias e traria uma «lógica» semanal à apresentação dos livros, mudança de montras e escaparates e, com sorte, entregas e devoluções (mas essa é outra história).

Ler artigo

P.S. - Apesar de esta acção poder ser empreendida por agentes individuais, os verdadeiros resultados só surgiriam se implementados a um nível sistémico. Quero, apesar disso, aconselhar a escolha de um outro dia que não a Quinta-feira, já destinada aos filmes.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:16 PM | Comentários (0)

julho 13, 2006

A Comunicação na Promoção do Livro

Gostaria de chamar a atenção para o novo grafismo da Revista Comunicación Cultural (Espanha), assim como para o interessante estudo:

A Comunicação na Promoção do Livro

As conclusões a que chegam são interessantes, pois revelam que as editoras de Espanha (e cá será diferente?) têm políticas de comunicação relativamente precárias e direccionadas para os prescritores gerais.
Dessa forma, não comunicam directamente com o consumidor final e reduzem o nível de informação transmitida.

[...]tan sólo dos editoriales ofrecen enlaces con los websites y/o blogs de sus autores, y tan sólo un 12% de las editoriales analizadas permiten establecer una conversación entre lectores sobre los libros de su editorial a través de las nuevas tecnologías.
[...]
ninguna de las editoriales analizadas aprovecha las nuevas tecnologías ofreciendo sus noticias / notas de prensa en formato RSS (Really Simple Syndication) para facilitar la búsqueda y alerta de novedades a los medios.
[...]
Sorprendentemente, sólo nueve editoriales (19%) publican en sus páginas web algún capítulo o extracto del libro con el fin de facilitar el conocimiento de su contenido al potencial comprador.
[...]
sólo el 40% de las editoriales analizadas publican en sus páginas web una relación de las principales librerías donde poder adquirir sus títulos.
[...]
A través de las respuestas aportadas en las entrevistas individualizadas, se deduce que pocas editoriales tienen la capacidad de medir el impacto real y directo de la cobertura obtenida en los medios de comunicación con el número de libros vendidos.

Se, por um lado, as editoras admitem que as revistas culturais têm fraco impacto na opinião pública e não falam dos seus livros, por outro lado raras são as editoras que querem fazer esse trabalho, permanecendo por detrás da capa da indústria a esperar que cada um cumpra o seu dever.

Esta não é, de facto, a melhor forma de se criar uma plataforma de comunicação ou de transmitir ao consumidor a imagem da marca, para não se falar simplesmente da promoção dos seus autores e livros...

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:17 PM | Comentários (0)

Feiras do Livro, Parte IV

Não é possível dissociar qualquer evento do seu contexto e conjuntura. Desse modo, muitos elementos concorrem para determinar o maior ou menor sucesso do evento.

Uma das características do mundo editorial é a instabilidade da procura. Por esse motivo, a Edição de Livros é, mais do que em algumas indústrias, epocal. Contrariamente à indústria dos gelados, não é no Verão que mais se produzem e vendem livros, mas, devido à enorme variedade de segmentos e aplicabilidade dos diferentes produtos, assim como a utilização de épocas predeterminadas da nossa sociedade para fomentar e contribuir para a criação de necessidades de consumo, a Edição acabou por crescer com base nas diferentes épocas de consumo de livros, logo, de publicação.

É então costume iniciar a «época» na denominada rentrée, que em vários países se inicia em Setembro mas, em Portugal, poderíamos apontar mais para Outubro (dever-se-á ao clima agradável de Setembro no nosso país?). A rentrée prepara o pico que se avizinhará, dos meses anteriores ao Natal, onde as vendas atingem os valores máximos, em especial nos segmentos mais dados a «oferecer», como Álbuns, Infanto-Juvenis, Romance, Livro-prenda e entretenimento.
Em contraciclo surge o mês de Janeiro, de contas e devoluções, criando um hiato na publicação, normalmente utilizado para publicação de clássicos de obras que permanecerão em fundo vivo durante muito tempo (em Espanha têm a vantagem de anular um pouco este contraciclo com o evento dos Reis).
Começam então os microeventos (dias mundiais e evocativos, etc.), que irão fazer o mercado crescer lentamente até ao final da Primavera, culminando no fim de ciclo da Feira do Livro. Depois disso, existe somente o mercado de Turismo e Viagens, Álbuns, Estilo de Vida e Dieta, Culinária e algum Romance, por exemplo.

As Feiras do Livro são utilizadas em muitos países para apoiar o processo de crescimento do mercado, potenciando toda uma época que se avizinha e tem lugar habitualmente no mês de Março (Londres, Paris, Bolonha e Madrid, por exemplo).
Em Portugal, mantém-se a tradição do final do mês de Maio e início de Junho, mais por motivos de tradição e clima do que por razões comerciais lógicas.
Este período actual situa-se assim no final de época, aproveitando o pico anterior ao Verão e esgotando (um pouco) o mercado que se segue, tal como os Saldos. Mas ao contrário dos saldos, o processo de renovação dos produtos manter-se-á relativamente igual, ou até se reduzirá por motivos de férias.

Nesta perspectiva, existem vantagens e desvantagens associadas.
Se, por um lado, esta é uma época relativamente estabelecida na sociedade portuguesa para a realização do evento, havendo alguma capacidade de compra e aproveitando o pico de época, por outro lado o evento não auxiliará o mercado, fazendo com que as principais redes de livrarias aproveitem essa altura para apostar nos livros para o Verão, precipitando a nova época.
Em termos de produto, este modelo tem algumas consequências desagradáveis, pois resulta num ciclo de «subida» do produto que durará somente o período da feira, matando-o logo de seguida para a travessia do Verão, e sendo substituído pelo novos produtos da rentrée.
Nos casos em que a feira se situa no mês de Março, um produto de qualidade lá apresentado terá toda a possibilidade de crescer com o mercado até ao Verão.

Gostaria de recordar também que, em Portugal, existe o completo desaproveitamento do Dia Mundial do Livro (23 de Abril), ao contrário de Espanha.

Outro ponto a considerar é o período de tempo da feira.
Em muitos casos as feiras têm um período de duração que, raramente, ultrapassa uma semana. Porquê as três semanas em Portugal?
Quanto mais tempo de Feira houver, mais «morre» o evento e se distribuem as receitas pelos dias. Bem contabilizado, quanto mais tempo durar a feira, mais prejuízo se tem, pois aumentam os custos fixos e com pessoal e prejudica-se o comércio livreiro.
Reconheço que o povo português leva «o seu tempo» a reagir aos eventos, assim como já foi criada a tradição (em alguns raros leitores) de «habitar a feira» durante todo o período, oferecendo-se umas gratas férias com os seus companheiros de eleição. No entanto, é sabido que muitas vezes o valor disponível para compras na Feira já está definido à partida e não consegue «esticar» mais do que o tamanho da carteira, pelo que aumentar o período é gastar tempo e dinheiro a tentar apanhar as últimas gotas de uma torneira fechada.

Por esses motivos, entre outros, julgo que seria preferível uma situação intermédia, ou de compromisso, onde o evento reduziria para uma ou duas semanas no período de Abril, tentando apanhar o período turístico das férias da Páscoa (que varia entre 22 de Março e 25 de Abril) e terminando com o Dia Mundial do Livro e o 25 de Abril. Pelo meio existem datas importantes e úteis como o Achamento do Brasil (22 de Abril), o nascimento de várias personagens como Leonardo Da Vinci, Henry James, Durkheim, Robert Walser (15 Abril), Anatole France (16 Abril), Antero de Quental (18 Abril), Manuel Bandeira, Lygia Fagundes Telles (19 Abril), Max Weber, Hilda Hilst, Immanuel Kant, Madame de Staël, M. La Fontaine, Vladimir Nabokov (22 de Abril), W. Shakespeare (23 de Abril) e, claro está, o Cavalo de Tróia (24 Abril).

Para quem ainda teme, as últimas semanas de Abril têm uma média bastante reduzida de pluviosidade e uma temperatura média de 18ºC.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:57 AM | Comentários (0)

julho 11, 2006

Call to Posts

Gostaríamos de agradecer a todos pelo vosso interesse e colaboração.

Por motivos vários, não foi possível desenvolver o tema proposto tanto quanto se pretendia neste primeiro Call to Posts. No entanto, a Extratexto irá manter, ao longo desta semana, a temática das Feiras do Livro, desenvolvendo algumas matérias de interesse que ficaram por abordar.

No final da semana redigiremos um texto final onde se tentará elaborar uma proposta que irá depois circular para apreciação bloguística e posterior envio às entidades responsáveis pela organização da Feira do Livro.

Estaremos, naturalmente, sempre disponíveis para aceitar colaborações de interesse quer sobre as temáticas propostas, quer referentes a outros assuntos pertinentes para a Edição de Livros em Portugal.

P.S. - A proposta final não será assinada pela publicação. A apresentação dessa possível proposta é da responsabilidade do mediador e de todos os que entenderem assinar esse documento.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 06:13 PM | Comentários (0)

julho 10, 2006

Texto de Jorge Palinhos

Algumas questões que a Feira do Livro do Porto (não cheguei a ir à de Lisboa) me levantaram:

– Na maioria das livrarias recentes as obras estão eficazmente organizadas por temas e autores e posso pedir sugestões ou um livro específico a qualquer empregado, posso folhear e consultar os volumes confortavelmente sentado em sofás, às vezes tomando um café ou bebida fresca, e tenho quase sempre direito a 10% de desconto.
(Nem vou falar da comodidade das livrarias
online.)
Na Feira do Livro tenho de andar quilómetros sem sítio onde me sentar, muitas vezes carregado de sacos; os livros estão distribuídos por editoras e colecções; para os folhear tenho de estar de pé a sujeitar-me a cotoveladas e encontrões, sob o olhar suspeitoso dos funcionários que muitas vezes nem conhecem os livros da própria editora que vendem; para procurar um livro ou autor específico tenho ainda de atravessar meia feira para chegar à banca da APEL, onde uma única senhora com um computador atende uma enorme fila de gente.
20% de desconto (i.e. 1 ou 2 euros na maior parte dos casos) valerá a canseira e o aborrecimento?

– Que critério existe de distribuição dos stands da Feira do Livro? [Em Lisboa, de baixo para cima por ordem decrescente de antiguidade] Porque não agrupar as editoras especializadas: poesia para um lado, auto-ajuda para o outro, livro técnico para outro, livro religioso para outro, e facilitar o percurso dos respectivos aficionados? O que é mais importante: a comodidade do comprador ou as guerrilhas editoriais?

– O livro é um dos poucos produtos onde o produtor tem um papel incontornável na sua promoção. Por outras palavras, poucos escolhem um livro em detrimento de outro em função do preço, mas muitos seleccionam uma obra em detrimento de outra devido ao seu autor.
Sendo assim, como se percebe que na Feira do Livros se vejam os autores enfiados num canto dos
stands, tapados por cartazes e caixotes de livros, sentados em cadeiras toscas, de sobrolho tristonho à espera que algum leitor lhes peça um autógrafo?

– Já praticamente não existem estabelecimentos só de livros em Portugal: as obras são vendidas com computadores, na FNAC, com couves e maçãs, nos hiper e supermercados, com jornais e boletins dos euromilhões, nos quiosques, com palestras e exposições, em livrarias do Bairro Alto.
Até que ponto uma feira só de livros se pode sustentar sem atracções adicionais?

– Com as numerosíssimas feiras do livro de hipermercados, noites aderentes, feiras do livro manuseado, mercados do saldo e novidades a metade do preço de capa meio ano depois de terem sido publicadas, 20% de desconto ainda é suficiente?

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 07:33 PM | Comentários (0)

Quem diria melhor?

– Hace unos meses uno de ustedes, García Ortega, nos aseguraba que “los que hablan de crisis son los mismos desde hace años, verdaderos embaucadores que han perdido su hegemonía en el mundo editorial”. ¿Mantiene el diagnóstico?
A. García Ortega: Mantengo el diagnóstico porque creo en algo que podría resumirse en una cierta "teoría de los ciclos” en el mundo editorial, es decir, hay editores que han vivido épocas de esplendor comercial hegemónico (e insensible) cuando otros editores tenían dificultades, y ahora, esos editores, al ver que la competitividad ha aumentado y que es más difícil para ellos sostener su hegemonía, dicen que todo va mal, cuando sencillamente la crisis pasa por su desgaste o el desgaste de los métodos que han empleado.

Entrevista a Adolfo García Ortega (Director editorial da Seix Barral) ao jornal El Mundo, suplemento El Cultural (06/07/2006)

Ver artigo completo
via José Antonio Millán

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:26 AM | Comentários (0)

The Independent Alliance

Numa altura em que a principal rede livreira se prepara para expandir os seus negócios e as editoras nacionais desesperam com a sua «política» financeira, eis uma aliança original que poderia ser pensada para o nosso mercado.

Criada, em Janeiro último, pelo extraordinário editor Stephen Page (editora Faber & Faber) com o objectivo de contrariar o cada vez maior poder que os conglomerados editoriais e as redes livreiras têm no mercado inglês, os resultados desta aliança têm sido de tal forma extraordinários que se preparam para alargar o projecto às livrarias «tradicionais».

Contrariamente às habituais cooperativas ou sindicatos, nesta aliança não se fazem greves nem se pagam cotas. Nesta aliança, por ora composta por sete das principais editoras independentes britânicas, o objectivo é dinamizar e negociar com os principais parceiros e conseguir um maior destaque e venda dos livros que produzem.
Não prestam serviços de distribuição ou armazenagem: é só Promoção e Lóbi, com muito dinamismo e arrojo à mistura ou, mais propriamente, muita chutzpah.

Este é um projecto que considero extraordinário, exemplar na forma de interpretar os problemas do mercado e de concentrar esforços em potenciar somente aquilo que pode ser potenciado. Uma aliança muito positiva que poderá ajudar a equilibrar as contas e a balança do mercado.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:36 AM | Comentários (0)

julho 07, 2006

Harperquê?

A HarperCollins, a única grande editora verdadeiramente americana dos EUA (apesar de Rupert Murdoch ser australiano...), vai abandonar o Collins.

Não, não se trata de um cisão nem da venda da Collins (criada por Sir William Collins [1817-1895] e comprada pela News Corporation em 1989), mas sim a alteração da denominação da marca que, nos EUA, se passará a chamar, somente, Harper.

Alguns já referem com humor que Murdoch se prepara para mudar, mais tarde, para HarperFox.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 08:06 PM | Comentários (0)

O «Dono das Palavras»

J.M. Martins, actual director do IPLB, sociólogo da Cultura e professor de Marketing do Livro no CETE, questiona rectoricamente no seu último livro, Profissões do Livro, da Editorial Verbo, quem é o «Dono das Palavras».

Será o redactor que as escreveu? Será o editor que as adoptou? Será o gráfico que as encenou? Será o técnico de artes gráficas que as pôs em palco? Será o livreiro que as seleccionou e as iluminou na montra? Será o professor que as aconselhou? Será o líder de opinião que as interpretou? Serão as expectativas públicas que as precederam e condicionaram? Serão os operadores de rádio ou televisão ou Internet que captaram o pormenor, a voz, a postura, o olhar, os gestos e as emoções? (pp. 30-31).

Compreendendo o objectivo por detrás desta apresentação dos actores envolvidos no percurso que o livro habitualmente toma, não consigo, porém, de deixar de ficar confuso com a não distinção entre a obra e o livro, ou, dizendo-o sem eufemismos, a palavra artística e a palavra industrial.
É um facto que muitos são os agentes necessários para a produção e difusão deste objecto comercial chamado «Livro», assim como muitos são os agentes que condicionam os resultados deste «Livro», mas, «Dono» é aquele que assume propriedade, a total responsabilidade financeira por um produto com objectivos financeiros, é aquele que decide e modifica as características desse objecto, tendo em conta os objectivos para os quais ele produz o objecto (condicionado ou não pelos demais).
O próprio Autor (que me perdoem agora) é somente o «Dono» do manuscrito original e não do produto industrial, pois aceita que o Editor compre o seu «material» para a produção de algo, recebendo em troca uma compensação de acordo com os «objectivo do produto editorial» (pois os resultados financeiros não se prendem com a "qualidade" artística do produto, mas sim com a sua capacidade de obter resultados).
Os restantes elementos - redactores inclusive - são contratualizados para prestarem um serviço, ou é-lhes comprado algo (uma ilustração, por exemplo) para ser utilizado no «Livro» (nem a ilustração «pertence» ao Livro, nem o Livro «pertence» ao ilustrador).
O livreiro, por maior que seja o seu papel de mediação e responsabilidade nos resultados, não é «Dono» do Livro, pois trabalha por consignação e, quando assim não é (raramente), torna-se apenas o «Dono» dos exemplares comprados, tal como os leitores.

Os prescritores, bem menos, pois aprecia-se a isenção dos mesmos e não lhes ficaria nada bem louvar ou denegrir aquilo que lhes pertence.

O que me faz vacilar um pouco são as palavras de Jason Epstein (no livro Book Business), ao recordar que cada vez menos os editores são editores, e cada vez mais os editores são meros gestores e executores de um produto. Serviço esse que, a este ritmo, poderá passar a ser pago pelos autores, passando eles a serem os «Donos das Palavras».

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:32 PM | Comentários (0)

julho 06, 2006

Off the record, outra vez...

Isabel Alçada acaba de anunciar a lista de livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura do pré-escolar até ao 6.º ano.

A lista é bastante heterogénea e interessante, com imenso peso de obras traduzidas e algum cuidado em distribuir os livros pelas editoras.

Entre as obras escolhidas destaco, positivamente, alguns livros com métodos pedagógicos controversos, como os da História Horrível (ex. Os Celtas Safados), a manutenção de alguns clássicos já pouco atractivos como Júlio Verne e o facto de a prescritora não se ter sentido inibida em escolher alguns dos seus livros e, negativamente, a insistência em prolongar tendências comerciais como os livros de fantasia com base no universo Tolkien. Se, de facto, querem obras mediáticas e com forte poder de atracção comercial aconselhava o Morangos com Açúcar...

Para mais informação, ver aqui

Via As Bibliotecas

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:58 AM | Comentários (0)

julho 04, 2006

Feira do Livro, Parte 3

Na continuação do raciocínio anterior,

Existe, definitivamente, a necessidade de estruturar um novo modelo de «apresentação» dos livros, que ultrapasse a problemática da quantidade de produtos em mostra e torne a feira mais atractiva e «ergonómica» para o público que lá se desloca, adaptando o modelo aos formatos já conhecidos e habituais na sua prática aquisitiva de livros.
Mas é necessário também ter em conta que as Feiras do Livro de Lisboa a Porto são os locais apropriados e escolhidos para a apresentação da «imagem» da editora ao público, sendo que é indispensável manter essa componente para os editores e os consumidores mais desenvolvidos.

Uma das possibilidade de apresentação seria centrar o evento em «espaços» (à semelhança das mega-stores). As editoras teriam de optar pela(s) colocação(/ões) que mais se integrasse(m) na sua programação e catálogo, obrigando-as a restringir o número de produtos a apresentar. Ou seja, os pontos de venda actuais transformar-se-iam em espaços de comunicação, com montras de informação sobre as editoras, os principais autores e títulos, e local de comercialização para títulos de referência destinados ao espaço.
Para os editores mais pequenos, sem capacidade promocional, haveria um ponto geral de venda em cada um desses «espaços».

Surgiriam assim grandes espaços de comercialização, divididos por segmentos, que possibilitariam uma filtragem dos interesses do público e uma animação mais focalizada para os públicos-alvo.
Uma editora servir-se-ia dessa segmentação como elemento de definição de posicionamento, reforçando a «mensagem» para o seu público.

Este modelo tem a vantagem/desvantagem de aumentar o nível de concorrência directa entre produtos, o que levaria a uma selecção natural das vendas com base nos elementos concorrenciais de qualidade e preço, obrigando a potenciar o esforço promocional das editoras no ponto de venda/comunicação. Seria também necessário fornecer-lhes instrumentos para organização de eventos dentro do «espaço» respectivo do segmento.
Dependendo do segmento, variariam os instrumentos disponíveis, pois no espaço dedicado à Ficção, ou à Ficção Portuguesa, existiria a necessidade de locais para autógrafos e leitura de textos de que um espaço dedicado aos Álbuns e às Obras de Referência não necessitaria. Por outro lado, este último espaço necessitaria de montras de exposição, iluminação e sonorização adequadas, assim como pequenas mesas para apresentação dos produtos.
No espaço dedicado à Ciência haveria uma programação específica, com palestras, workshops, computadores e acesso à Internet, bancas informativas com bolsas de investigação e formação, divulgação científica, revistas de especialidade, etc. No espaço dos livros para crianças, poder-se-ia «controlar» o ambiente, prestar serviços de apoio, animação sociocultural, apresentação de outros produtos infantis, música e canais televisivos infantis, fraldários, etc.

Da mesma forma que se divide a comercialização, dividir-se-ia a animação, multiplicando as possibilidades e os atractivos, alargando os intervenientes e as parcerias.
Um espaço direccionado possibilitaria outras propostas que cativassem diferentes grupos (exemplos: conferências sobre tradução no espaço de Ficção; mini-curso de ilustração na área infantil; concurso de fotografia na área dos Álbuns e Obras de Referência; etc.)

Cada público dirigir-se-ia, ou ficaria mais tempo, nos espaços que mais lhe interessassem, evitando cansar-se a ver bancas de livros que poderão não ter interesse. O cliente dispensaria mais tempo aos produtos do seu segmento, aumentando os resultados das editoras e a satisfação geral.
A possibilidade de o cliente comparar preços e produtos na hora, de associar as marcas aos segmentos, de dispor de um espaço pensado para si, indivíduo a indivíduo, faria aumentar a taxa de retenção do cliente, potenciaria o retorno, pois tornaria mais fácil passar informações referentes às actividades que teriam lugar nesse «espaço» e permitiria uma ida à feira por fases, ou interesses, trabalhando-se assim diversos grupos e diversas necessidades.
Por outro lado, possibilitaria estudos de frequência por segmento, avaliação de resultados por segmento, etc.

A questão da distribuição do espaço é sempre problemática nas feiras e, de facto, uma distribuição feita com base na antiguidade da inscrição é o formato mais ilógico de o fazer. Da mesma forma, a guetização de «pequenos editores», ou a aleatoriedade de uma programação feita com base nas propostas de ocupação de espaço disponível não conseguem ter uma lógica mínima de atracção e manutenção, apostando nos públicos de cada micro-evento que dificilmente terão motivo para regressar.

A proposta de divisão da animação por vários «espaços», numa lógica de segmento de publicação, possibilitaria vários programadores e programas autónomos e em competição. Poder-se-ia aproveitar os prime-times da feira para múltiplos programas diferenciados.
Por outro lado, obrigando as editoras e ter uma política de imagem para a feira e para o «espaço» respectivo, passaria a haver muitos pontos de interesse e atracção, tornando-se mais um modelo semelhante a «Exposição com Feira».

Sendo um local expositivo, seria também uma oportunidade perfeita para trazer comitivas empresariais e organizar encontros de negócio, não só pelas próprias editoras, mas também pelas Associações e pelos parceiros. Paralelamente ao evento, poder-se-iam trazer convidados de interesse para mostrar o nosso produto e estabelecer parcerias. Esses convidados poderiam ser grandes industriais gráficos, grandes distribuidores europeus, agentes literários, associações empresariais de outros países como Espanha ou Brasil, etc.
A Feira poderia também ser rentabilizada com um pequeno «espaço» especializado, dedicado aos clientes empresariais, com expositores da área gráfica, informática, papeleira, packagers, distribuidores, etc.

Ao nível dos serviços disponíveis, cada «espaço» teria o seu próprio café (com possibilidade de almoço) que daria apoio aos eventos organizados, um pequeno espaço para música ao vivo (que variaria entre Clássica para as Obras de Referência ou Infantil para o espaço Infantil, por exemplo), banca de jornais e revistas (algumas revistas especializadas do espaço), serviços específicos para cada segmento, decoração apropriada para cada segmento, etc.

Para suprir a falta de um «Grande Auditório», dar-se-ia mais destaque ao segmento com maior afluência de público, em jeito de «espaço principal», que seria provavelmente a Ficção, e que teria como Tema geral o país-convidado, com decoração e mostra etnográfica, música, arte, bolsa de viagens, formação e bolsa de emprego, etc.

Cada editora poderia estar presente em todos os espaços, com pontos de dimensão variável (de acordo com uma tabela de preços) e decoração própria integrada na decoração do espaço respectivo, com acesso à programação desse local. Paralelamente haveria pontos comuns (por parcerias entre editoras ou por venda de espaço), possibilitando um espaço geral rentabilizado pelas Associações.
Os programadores poderiam ser recrutados por parceria com instituições (exemplo: Bedeteca/IBBY na área infantil; Casa Fernando Pessoa/SPA/APE na Ficção portuguesa; FCT para a ciência; etc.).

A divisão poderia ser a seguinte:
1 - Espaço-principal/Ficção (com divisão entre ficção nacional e estrangeira)
2 - Espaço Infantil
3 - Espaço Alfarrabista e Livros Baratos
4 - Espaço Álbuns e Obras de Referência
5 - Espaço Ciência e Novas Tecnologias
6 - Espaço Não-ficção Geral (New Age; Culinária; Espiritismo; Livro Prático; Guias de Viagem; Religião; etc.)

Seria também interessante organizar uma programação para profissionais, com jantares, conferências, workshops, mesas-redondas, etc.

(a continuar)

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:28 PM | Comentários (0)