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maio 31, 2006

Pagar para ver

O último Sunday Times (28/05) trazia um «exclusivo» que alguns, poucos, consideraram bombástico.

Após alguma investigação, Robert Winnett e Holly Watt descobriram aquilo que todos já sabiam, e anunciaram ao mundo como se o mesmo não acontecesse, por exemplo, em Portugal.

Aparentemente, as cadeias livreiras inglesas cobram (e bem) pela colocação de livros em materiais promocionais, teoricamente imparciais, como a lista de livros recomendados, livro da semana, catálogos de época, ou montras e escaparates dos principais espaços de venda.

Para abono da verdade, devíamos acrescentar as listas de TOP de vendas, ou a inclusão em feiras de oportunidades e eventos promocionais.

Para quem quiser ler

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:07 AM | Comentários (0)

Ghost Writers

Um dos mais interessantes e controversos temas da edição actual prende-se com a verdadeira autoria das obras comercializadas, e muitos são os «pouco informados» que desconhecem esta antiga arte – já praticada por Honoré de Balzac, por exemplo – de escrever em nome de outrem.
Porque... não acreditam mesmo que jogadores de futebol e estrelas mediáticas sabem escrever bem, pois não?

Para falar de Ghost Writers (escritores por detrás dos autores), a Publishers Weekly entrevistou na voz da agente Madeleine Morel a 2M Communications, a única agência (não literária) que representa exclusivamente estes escritores subpublicados.

Mais do que um interesse, foi a satisfação de muitas curiosidades...

Ver aqui

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:43 AM | Comentários (0)

maio 30, 2006

Opinión Con Valor

Tendo, de facto, muito valor, convidamos hoje os leitores a visitar um blogue irmão dos mais interessantes da blogosfera.
Irmão mais velho, que de um canto observa um mercado mais desenvolvido e interessante do que o nosso – um dos mais interessantes mercados – o Opinión Con Valor cumpre, e bem, a tarefa de informar e aventar dados que nos permitam reflectir sobre o estado da edição no País Basco, em Espanha e no Mundo.
Tendo iniciado em Abril de 2004 – um dia após a nossa celebração dos 30 anos do 25 de Abril –, desde sempre com uma actividade diária, o consultor editorial José María Barandiarán fala-nos, a partir de Bilbau, de uma forma exemplar sobre o mundo-livro, o objecto, a leitura e a cultura, levando-nos a passear por diferentes temáticas relacionadas com a profissão e as suas problemáticas.
Texto e contexto com mais do que uma capa, Con Valor permite diferentes formatos informativos, desde o nosso habitual blogue, ao extremamente interessante formato blogia, ou ainda a possibilidade de, repousando, receber o boletim «Reposar» na pacatez do e-mail de sua casa ou escritório.
Mais do que um blogue a visitar, um exemplo e um projecto a seguir com muita atenção.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:15 PM | Comentários (0)

maio 29, 2006

O futuro do Livro

Ninguém sabe ao certo qual o futuro do livro, mas algumas empresas estão dispostas a apostar.

As características da metalinguagem tornam hoje possíveis configurações de conteúdos digitais que são impossíveis de acompanhar numa versão impressa, e somente o facto de essa tecnologia disruptiva assentar em estruturas não lineares (ao contrário da leitura) é que faz com que e-books e outros sistemas ainda não se tenham tornado mais importantes no mercado.
No entanto, algumas obras actuais também não assentam (ou podem não assentar) em estruturas lineares, e nesse caso, bom... aí tudo muda de figura.

Para ilustrar melhor o futuro de alguns livros, que certamente abandonarão o impresso, comecemos pelo mais emblemático e fácil de entender:

Os Guias de Viagem

(Em luta para assumir a primazia nesse mercado já se encontram os dois grandes rivais anglófonos, os australianos da Lonely Planet e os ingleses da Rough Guides.)

A ideia é bastante simples e atraente, e virá melhorar a utilidade dos actuais guias a níveis nunca antes imaginados.
Quem viaja tem sempre o problema da bagagem, muito peso e espaço que inevitavelmente concorrem com o transporte de livros de consulta ou entretenimento. Para isso, estão a desenvolver-se guias em formato digital, via Internet, que podem ser acedidos por assinatura, por áreas ou temas de interesse, e visionáveis a todo o tempo, ou só na altura em que estamos a visitar.
Falamos de guias associados a Ipod, PDA ou telemóveis 3G, com vídeos e conteúdos em directo – como programas culturais, notícias, trânsito ou ementas de restaurantes – que detectam o local onde estamos com utilização de tecnologia GPS ou Galileu (futuramente) e fazem de guias locais, indicando-nos todos os pontos de interesse – arquitectónico, histórico-cultural, económico, etc. – que pretendamos ver.
As capacidades deste produto são imensas, possibilitando programar percursos em cidades desconhecidas e sermos «guiados» pelo nosso «guia-3G» que nos informa dos detalhes históricos e relevantes do prédio da esquerda da rua onde passeamos, que podemos virar na esquina seguinte para comer a especialidade local, o horário de abertura do museu que queremos visitar a seguir e até marcar o hotel ou o restaurante onde iremos terminar o nosso passeio.
O facto de a tecnologia ser enviada em directo, faz com que esteja sempre actualizada e não necessitemos de acção nenhuma para aceder a ela. O GPS indica ao sistema onde estamos e este diz-nos o que podemos fazer e ver. Apesar de podermos achar que tal produto nos condiciona o passeio, a verdade é que a tecnologia irá ter a capacidade de aprender os nossos gostos e interesses, combinar pontos de encontro com outros grupos que viajam connosco, ter em atenção questões tão essenciais como a capacidade física do viajante, a proximidade de instalações essenciais, transportes e acessibilidades, segurança e eficiência de tempo, assim como várias outras opções (como capacidade financeira ou de clima).

Sendo um produto ainda em fase de desenvolvimento, não conseguimos desde já imaginar a forma como os actuais guias de viagem impressos poderão concorrer com um produto dessa natureza.
Nós, por cá, apoiamos.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:59 PM | Comentários (0)

maio 25, 2006

Guy Lit

O jornal The Chronicle Review, da Universidade de Nova Iorque, refere na edição de 26 de Março um segmento interessante e pouco desenvolvido em todos os mercados, a denominada Guy Lit – artigo relacionado com um livro recente cujo título é Indecision.
Directamente ligado ao segmento Chick Lit, de literatura para jovens raparigas adolescentes (pré-adultas), que tem, indiscutivelmente, como principal autor Nick Hornby, diferencia-se tanto da Chick Lit quanto rapazes e raparigas se diferenciam nestas idades.

A Guy Lit, ou Literatura para Rapazes, tem como referência algumas obras importantes do século XX, com histórias cuja temática era a da aprendizagem do mundo e das relações, com as habituais incertezas, frustrações, dúvidas, etc., e que teve o seu expoente máximo no livro Uma Agulha em Palheiro de J.D. Salinger – em Portugal, encontram-se ecos desta literatura na obra de José Marmelo e Silva, nomeadamente em Adolescente Agrilhoado e Sedução.
Com o passar dos tempos, esta literatura ganhou uma dimensão curiosa (em especial devido à contribuição de autores como Sue Townsend, com os seis volumes do Diário Secreto de Adrian Mole) de humor e «travessura», reduzindo no romance para apimentar a sexualidade aleatória e a busca da relação impossível.
Surgiram obras muito mais físicas e cujo universo de relacionamento ultrapassava «as amigas», «as rivais» e «os namorados» (da Chick Lit). Abordavam a componente da relação social e do papel atribuído ao rapaz numa sociedade ainda masculinizada (questões relacionadas com a coragem e a responsabilidade social – perante a guerra, a droga, etc.), onde a obrigação da autodescoberta é ainda obrigatória (ao contrário da Chick Lit, que se mantém muito protectora).
As obras deste segmento estão muito bem estabelecidas nos catálogos internacionais, onde o percurso de evolução do leitor é perfeito, acompanhando os jovens leitores para outros segmentos de descoberta, como, por exemplo, as obras de «subculturas», onde o On the Road, de Jack Kerouac, é um exemplo.
Este segmento é uma aposta imprescindível num mercado bem explorado.

Em Portugal, não existe nenhuma aposta clara neste segmento (ao contrário da Chick lit, que tem sido trabalhada por editoras como a Presença de forma excepcional).

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:33 PM | Comentários (0)

Luandino Vieira Recusa Prémio Camões

O escritor angolano agraciado na passada sexta-feira (dia 19) com o Prémio Camões – o maior galardão literário dedicado à língua portuguesa – acaba de anunciar a sua recusa.

Segundo Marta Neves, do JN, e Isabel Lucas, do DN, a recusa foi motivada por questões de ordem pessoal, sendo que o autor não referiu nenhuma das habituais críticas e tendo como possível motivo o modo de vida «despojado» em que o autor vive, segundo o amigo e escultor José Rodrigues.
O prémio, de €100 000,00 – dividido em partes iguais pelo Ministério da Cultura de Portugal e Brasil –, será destinado a outras actividades ministeriais e não haverá lugar a um segundo agraciado (Germano de Almeida).

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:39 AM | Comentários (0)

maio 24, 2006

Editar um livro

É quase impossível encontrar a obra perfeita para publicar.
É desta forma quase determinista que opto por falar da mais interessante parte da profissão editorial: editar.

Editar é fazer as escolhas necessárias com o material disponível, seja isso inserir, modificar, cortar ou condicionar esse material, por outras palavras: editar é manipular. Escusando-me a comentar o prazer oculto que alguns poderão ler no silogismo óbvio – que o interessante é manipular – prefiro evoluir afirmando que editar é aperfeiçoar um instrumento (neste caso um produto-livro) para obter os melhores resultados, para satisfazer o melhor possível o público que necessita (ou passa a necessitar) desse produto.

É mais fácil explicar isto com uma obra de não-ficção do que de ficção.
Imaginemos que determinado ensaio – supostamente uma magnífica obra de investigação – chega aprovado para publicação à mesa trabalho do editor. Deverá ele somente arranjar quem pagine e reveja, mandar criar uma capa interessante e fazê-lo seguir prontamente para impressão?
Supostamente não. Dessa forma, qualquer gráfica seria capaz de fazer um trabalho bem mais interessante (financeiramente) que uma editora.

O que é então editar?

Editar é, entre outras coisas, avaliar as necessidades do público e as características em que o público irá preferir «consumir» aquele produto. Isso poderá passar por várias alterações, desde logo, a decisão do formato (ou formatos) de publicação – será um livro de consulta e referência? Será um livro de trabalho que necessita ser transportado? Para que públicos diferentes será dirigido? (Pronto, para ser honesto tenho de confessar que outras ideias também devem ser ponderadas, como: custo unitário, outros custos relativos ao peso, armazenamento e transporte; dificuldades de colocação; binómio Custo/PEV; etc.)

São, de facto, muitas as decisões e pontos a considerar, passando por avaliações diferentes onde é essenciale o bom senso e a correcta utilização da informação disponível.

A título de exemplo, direi apenas algumas (poucas) questões relativamente óbvias:

Qual a função do livro e qual o público-alvo?
A resposta a essa questão pode-nos levar a criar, por exemplo, diferentes formatos, desde edições especiais de grande formato, formatos comerciais ou até mesmo sínteses, versões simplificadas ou condensadas do manuscrito original, entre outros exemplos.

Qual a utilização que o leitor-alvo dará ao livro e quais as necessidades e dificuldades de utilização?
A resposta a esta questão pode-nos levar, por outro lado, a suprimir notas e referências bibliográficas, inserir mais ilustrações, quadros e gravuras, a alterar o «ritmo» de leitura com abertura de mais parágrafos ou capítulos, inserção de «cortinas», paginações e fontes «largas», supressão de materiais desnecessários, introdução de prefácios que enquadrem a obra ou auxiliem à sua recepção, etc.

Ao alterar uma obra, o editor não está a fazer necessariamente o papel de diabo-do-ombro-direito, desvirtuando o propósito do autor. A sua função é potenciar os resultados da obra, e a sua experiência e conhecimento colocam-no numa posição bem mais privilegiada que a do autor para saber como é que isso se faz. Um manuscrito não é uma obra: é o material de partida para uma obra, que será feita em conjunto entre o autor e o editor.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:13 PM | Comentários (0)

maio 23, 2006

Panorama Editorial

O número de Maio da revista da CBL (Câmara Brasileira do Livro #1), Panorama Editorial, acaba de sair para as bancas.

Com 10 000 exemplares mensais, esta edição traz na capa a certificação FSC para livros no Brasil, «selo que atesta condutas sociais e ambientais responsáveis», e tem como destaque uma entrevista a um responsável do Ministério da Cultura sobre a temática das políticas de incentivo à leitura e as mudanças trazidas pela Lei Rouanet.
Igualmente destacamos como interessantes a reportagem sobre as novas directrizes trazidas pelo Plano Nacional do Livro e da Leitura brasileiro (plano semelhante ao prometido em Portugal desde a década de 1980, após proposta da UNESCO) e um artigo de administração e marketing editorial, pela Prof.ª Cristina Bacellar, da Universidade de São Paulo.


#1 - A CBL é uma das mais interessantes associação de classe da indústria editorial no Brasil, e certamente a melhor associação do género em língua portuguesa, representando grande parte dos editores de São Paulo. De realçar também o SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), cujo interessante trabalho também merece destaque e que tem sede no Rio de Janeiro.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 05:07 PM | Comentários (0)

Prémios literários - José Agostinho Baptista

Quando se premia alguém, como no caso de ontem em que José Agostinho Baptista ganhou o Grande Prémio de Poesia da APE, é errado associar o mérito do autor com a acção da casa editorial ou do editor. Quando o editor surge na fotografia fica-se sempre com a ideia que quem lá está é o empresário ou alguém cuja obrigação foi essa, uma estranha obrigação de cultura com logótipo e copyright. (Quero aproveitar para realçar o magnífico e respeitoso trabalho que a Assírio & Alvim tem feito com a obra do autor, tanto durante o tempo do falecido Hermínio, com actualmente com Manuel Rosa).

De facto, um prémio é sempre um objecto singular, fruto mais do trabalho artístico individual do que do trabalho editorial – mais ainda quando se trata de poesia. Abarca não só o trabalho premiado, mas também toda a carreira e vida do autor. Que o diga Luandino Vieira que na semana passada ganhou o Prémio Camões por uma brilhante vida e uma genial carreira que, no entanto, tem andado parada – apesar de prometer arrancar com força em breve.

Para uma editora, a verdadeira obrigação é respeitar o autor e o público que procura as palavras desse autor, e a sua função mais louvável será sempre a de tentar procurar mais e melhor público para os livros, trabalhar na valorização dos nomes em que se aposta e compreender as vicissitudes naturais de um mercado nada matemático.

Por outro lado, a obrigação de um prémio é ser útil. Útil para o autor que consegue assim estímulo para continuar o trabalho e tesouraria para compensar mercados mais restritos, útil para a editora cuja aposta se vê recompensada com um nome premiado que impulsionará a venda e o catálogo, elevará os padrões do trabalho efectuado e o nível de atenção aos livros que a mesma publica, assim como a percepção que o público tem do valor do seu catálogo – do seu trabalho, das suas apostas.

De facto, uma editora não compra prédios ou maquinaria pesada, não compra camiões ou acções (excepto algumas), mas associa-se a autores carregados de possibilidades e expectativas. Como o mítico editor norte-americano J. Epstein referiu, «somos empreiteiros de pessoas», assistimos ao seu planeamento, à sua constante necessidade de renovação, aos naturais erros de quem se constrói, ao sucesso arquitectónico de génios únicos e, por vezes, à derrocada. Nessa associação podemos ajudá-los a construir obras de arquitectura memoráveis, casas de baixo custo e, às vezes, aeroportos que nos levam a acompanhá-los para todo o mundo.

Resta-nos então agradecer e aplaudir, José Agostinho Baptista.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 02:52 PM | Comentários (0)

The book is mightier than the planes

Segundo o jornal The Scotsman a publicação do livro Versículos Satânicos, de Salman Rushdie (Publicações Dom Quixote), teve mais impacto na comunidade islâmica inglesa que os atentados de 11 de Setembro e de Londres.

Entre a publicação da obra de Rushdie e a recitação do Alcorão separam-nos 1380 anos (ou, salvo erro, 1414 anos segundo o calendário lunar muçulmano) e o impacto da palavra escrita consegue perdurar nas mentes e no coração (fi’l-kalb) dos crentes – para melhor ou para pior – uma lição, talvez?


P.S. – Recordo-me bem de o ler e gostar de o ler, apesar de compreender a posição dos muçulmanos perante o que está escrito (pois é complicado ver toda a sua religião dinamitada de origem e ver retratada a figura do Profeta e do arcanjo Gabriel de uma forma tão anedótica e caprichosa).

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:09 PM | Comentários (0)

Capas de Livros - Tendências

Uma interessante reportagem saída no The Sidney Morning Herald, sobre tendências de capas (relacionado com o fenómeno Blooks - aproveito para mandar um beijinho para a Sara pelo óptimo texto sobre blooks que sairá na versão impressa da Extratexto).
Curiosa é a associação do design de roupa às capas dos livros, por isso, designers, estejam atentos às próximas tendências da Moda Lisboa.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:03 PM | Comentários (0)

Dúvida

Se bem que a APEL não seja o IPLB, questiono-me,

- se Angola é o país-tema da Feira do Livro deste ano, por que motivo Portugal não esteve presente na Feira do Livro de Luanda no início do mês?

- Querem vender autores ou desenvolver mercados?

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:45 AM | Comentários (0)

maio 22, 2006

Mercado Editorial dos EUA

Se são estatísticas que procuram, este artigo está repleto delas, das mais interessantes e caracterizadoras às mais intrigantes e despropositadas – o mote: edição, claro.

O autor é Dan Poynter, um self-made man dos EUA cuja história de vida retrata um percurso difícil de facilidade, a Para Publishing (apontada por alguns como a maior empresa uninominal do mundo).
O segredo? Factos e números, muitos.

Para quem se interessa ou delicia, deixo-vos alguns exemplos bem americanos:

78% dos livros publicados vieram de pequenos e microeditores que habitualmente trabalham 50 horas semanais sem direito a férias ou segurança social.

As primeiras tiragens são, em média, de 5 000 exemplares (cuja venda total é, em obras de ficção, considerada um sucesso – 7 500 de vendas para não ficção).

Os preços dos livros têm subido nos últimos anos, em valores variáveis de 2 a 20%, custando em média entre $30 a $40 (€23,5 a €31).

Dos 15 000 estabelecimentos de venda de livros, 8 000 são livrarias e 3 000 delas são livrarias de especialidade.

40% das compras de livros são por impulso.

A venda de livros online já ultrapassa os 10% do total de livros vendidos.

Em média um consumidor gasta 8 segundos a avaliar uma capa e (se gostar) 15 segundos a ler a contracapa (se tiver uma sobrecapa ganha-se mais 14 segundos...).

81% das pessoas acha que conseguia escrever um livro.

De 10 000 livros infantis escritos, 3 são publicados...

47% das pessoas compram livros baratos ou usados (de €0,75 a €6).

De 1996 a 2001 o gasto médio em livros aumentou 16%, mas o número de livros vendidos diminuiu 6%.


Se se quiser perder neste infindável mar de números, por favor guarde algum tempo e visite:

Dan Poynter - Para Publishing - Statistics

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:31 AM | Comentários (0)

maio 19, 2006

Sejam bem-vindos à 76.ª Feira do Livro

«Sejam bem-vindos à 76.ª Feira do Livro do Porto».
Com a voz característica de alguém há muito habituado a estas andanças são-nos dadas as boas-vindas a este esperado evento que, em conjunto com a FL de Lisboa, anima o panorama editorial português.

Na próxima quarta-feira, dia 24 de Maio, pelas 16:00, abrir-se-ão as cortinas de plástico que dão entrada à tenda e ao Pavilhão Rosa Mota, no Palácio de Cristal, no Porto.

Este ano, a Feira é marcada pelo algo despropositado slogan «Ler é Poder», e serão mais de 3 000 m2 de bem delineadas bancas (110), dispostas em largos corredores, biblioteca, espaço infantil e café literário, apresentando mais de 70 000 títulos entre fundos de catálogo e novidades.

Sendo hoje anunciado o Prémio Camões 2006, a FLP homenageia o vencedor de 2005 [2004 do Prémio Pessoa - agradeço à emigrante atípica a devida chamada de atenção], o escritor (romancista, poeta, dramaturgo e ensaísta) portuense Mário Cláudio, com uma mostra da obra do autor no espaço central da nave, o Café Literário, juntamente com a continuação da Mostra de Ilustradores do Livro para a Infância e Juventude (do IBBY).

Esta será a ficha técnica que irão ouvir nos próximos dias nos órgãos de comunicação social, a de um momento representativo da edição portuguesa que se mostra à população numa oportunidade única de observar e comprar livros.

Mas será mesmo assim?

Nos últimos anos as Feiras do Livro (Lisboa e Porto) têm sido alvo de discussões e críticas, mais ou menos pertinentes, relativamente ao papel que assumem na edição portuguesa.
Para as pequenas e médias editoras este é um momento único de venda pessoal, que lhes permite aumentar estatisticamente o DM (Desconto Médio), i. e., a média ponderada de desconto que fazem por livro vendido, aumentando assim a margem de lucro e também possibilitando uma capitalização imediata das receitas obtidas (sempre úteis para pagar os subsídios de férias). Ou seja, as Feiras do Livro surgem como balão de oxigénio no final da época que permite equilibrar as mal delineadas contas.

O modelo tem sido criticado, como pelo editor Fernando Sarmento (Girassol), por estar envelhecido e anacrónico, que refere «a noção comunista de igualdade, não permitindo ter uma imagem, nem condições» patente na obrigatoriedade de utilização de um mesmo formato de banca/barraca.
Igualmente, tem sido apontado que as demasiadas feiras existentes ao longo do ano – muitas delas pretensas feiras de usados, organizadas por editoras e distribuidoras – fazem com que as Feiras do Livro gerais e de Lisboa e Porto não consigam ser lucrativas (o que de facto é verdade, pois as receitas têm vindo a cair de ano para ano).

Não existe hoje falta de espaços de contacto com os livros, nem falta de oportunidade de adquirir uma obra. Os livros estão disponíveis nos principais centros comerciais, ruas, locais de passagem como estações de comboios e em produtos complementares de jornais e revistas. Por assim dizer, há livros por toda a parte e saldos em todos os locais.

Para que serve então a Feira do Livro?

Para os livreiros serve para criticar a concorrência desleal, que para dois espaços poderem comercializar livros anulam canais inteiros de comercialização, desviando as novidades para o evento e prejudicando os editores que dependem da disseminação da distribuição e da compra por impulso.
Ao fim e ao cabo, o evento é directamente concorrencial aos seus próprios produtos sendo que, para os principais editores, a época da Feira do Livro é uma altura de quebra nas vendas gerais (apesar do sucesso relativo dos eventos) e um desgaste nas relações com os parceiros comerciais.

Porquê uma Feira nesta altura?

Muitos já nem reparam, dada a tradição, mas o único motivo que justifica a Feira do Livro nesta época é... o clima.
Se no Porto a Feira é inevitavelmente marcada pela chuva e por calor intenso, em Lisboa o sol de Primavera faz reluzir os dias que antecedem a festa popular de St.º António. Mas, será isso relevante para se justificar economicamente uma feira nesta altura?

No que à época de publicação diz respeito esta feira vem tarde (ao contrário das feiras europeias de Fevereiro, Março e Abril) e o período de vendas que sobra antes da quebra de Verão não justifica os lançamentos (que se não venderem na Feira pouco tempo propício terão nos escaparates), excepto se esta fosse uma feira de guias de turismo, dietas, estilo de vida ou álbuns de locais de férias...

A Feira do Livro torna-se assim, e cada vez mais, um festa dispendiosa que nada beneficia o mercado.

Para tentar alterar estes e outros problemas, a Extratexto propõe algumas alterações:

– Passar de duas semanas e meia para uma semana (e dois fins-de-semana);
– Passar a feira para Abril, terminando no Dia Mundial do Livro e vitalizando a data (14 a 23/04 de 2007);
– Alteração do horário de abertura à semana para as 18:00;
– Deixarem-se de slogans inanes e passarem a desenvolver melhor os temas, ou países-tema (propomos começarem este ano com Angola);
– Programação cultural complementar (espectáculos de música; dança; teatro; etc.) de acordo com o tema;
– Abertura do evento às publicações periódicas.
– Organização conjunta entre as associações e parceiros institucionais ou outros, como o Instituto Camões, Fundação Calouste Gulbenkian ou o Centro Nacional de Cultura;
– Eliminar o aspecto concorrencial da feira, impedindo a venda de Novidades;
– Juntar à Feira um espaço de conferências empresariais e encontros de negócios;
– Deixar que sejam os editores a estabelecer o formato e a política de comunicação dos seus espaços, comercializando-os;
– Apoiar segmentos de publicação, em vez de marcas editoriais (edição em língua mirandesa; obras de cultura portuguesa; romance português; etc.);
– Colocação nos principais corredores de mesas equipadas para sessões individuais de autógrafos (e locais de descanso e leitura);
– Disponibilização pública de pontos de consulta bibliográfica autónomos;

Enquanto estas e outras questões não tiverem resolvidas, será somente um prazer visitar a Feira do Livro de Lisboa e Porto.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 01:38 PM | Comentários (0)

maio 18, 2006

BookExpo America

Inaugura hoje a BookExpo America, a maior feira da especialidade na terra dos Peregrinos.

Não sendo direccionado para o público em geral este evento consegue ser, ainda assim, bastante abrangente. Para além de toda a indústria inclui bibliotecas e compradores institucionais, professores e universidades, assim como todo o retalho e distribuição, tendo um carácter intermédio entre feira de especialidade e feira para o público em geral.

Ocorrendo na capital dos EUA, Washington DC, a feira destaca-se pelos enormes descontos praticados (que chegam a ultrapassar bastante os 50%) e por diferentes eventos de apresentação de obras e autores, sendo considerado o principal ponto de encontro da indústria.

Habitualmente não é visitada pelos editores portugueses, contudo a BEA tem mais de 2 000 empresas presentes, 500 sessões de autógrafos e 60 conferências nos três dias da mostra, apresentando-se como o maior escaparate de livros em língua inglesa - assim como livros em lingua espanhola -, e sendo particularmente pródiga na apresentação de obras de indies, que raramente chegam à London Book Fair ou a Frankfurt.

Tem a curiosidade de o seu Centro de Direitos ser bastante informal, assemelhando-se mais a um café do que às austeras mesas de trabalho de outras feiras.

Mais do que uma feira, uma festa.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:43 AM | Comentários (0)

maio 17, 2006

Ah!, é verdade...

Falta uma semana para comecar a Feira do Livro do Porto... e uma dia mais para a de Lisboa.

Brevemente aqui, na Extratexto.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:53 AM | Comentários (0)

Distribuição Digital de Livros

Acabo de ter conhecimento de um interessante estudo disponível online sobre a temática da distribuição (e comercialização) de livros pela Internet.

Esse estudo, da autoria de Margarida Matos, foi feito no âmbito da MBA da CITI - Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas, na área dos Estudos sobre Multimédia, com o título Distribuição Digital de Livros.

Um estudo a não perder.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:35 AM | Comentários (0)

Livros de Portugal

É com este patriótico nome que hoje conhecemos na nova livraria online, extensão da livraria física Arco-Íris situada no C. C. Arco-Íris, em Lisboa.

Com um design limpo e atraente, a Livros de Portugal tem como curiosidade a utilização de alguns instrumentos bastante conhecidos dos internautas, como o recurso ao sistema de pagamento Paypal ou o sistema Voip da Skype.

Apesar de utilizar um formato de escaparate semelhante a outras livrarias online, com «Destaques» e «Sugestões», a Livros de Portugal permite ainda a pesquisa temática por áreas e sub-áreas de publicação, assim como através dos catálogos editoriais activos (relativamente completos). Ainda assim, a pesquisa avançada da livraria online é escassa de filtros, não possibilitando pesquisas por valor ou datas de publicação.

Sabendo-se que um dos principais problemas das livrarias online acaba por ser a impossibilidade de observarmos directamente o livro - com todas as vantagens de avaliação inerentes a essa acção - ficamos algo decepcionados com o nível de informação por livro transmitida aos consumidores.
Abrindo uma página de apresentação de uma obra ficamos sem saber elementos fundamentais para uma correcta decisão de compra, como o número de páginas, o formato e os materiais, assim como informações, ou links para informações, sobre o autor, a obra ou críticas e recensões existentes. Não possibilita igualmente uma pesquisa por associação temática (para comparação entre obras concorrentes, como é possível fazer numa livraria), por obras do autor e, muitas vezes, nem sequer tem uma simples descrição do conteúdo da obra, julgando que a imagem da capa, o título e o preço (para além do ISBN cuja informação para o consumidor é sempre algo irrelevante, dado que tem o produto à sua frente) são suficientes para nos decidirmos a comprar um livro.

Esperando que estes e outros detalhes possam ser resolvidos rapidamente, convidamos todos os interessados a visitá-los em: www.livrosdeportugal.com.pt.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:52 AM | Comentários (0)

maio 16, 2006

Jean Cocteau - obra completa

A magnífica colecção, iniciada por Jacques Schiffrin e André Gide na Gallimard, Le Cercle de La Pléiade, acaba de anunciar a publicação das Œuvres romanesques complètes de Jean Cocteau.
Tendo já publicado a maior parte dos textos éditos e inéditos do autor, surge agora uma versão integral das novelas e romances estabelecida por Serge Linares e prefácio de Henri Godard.

Com a publicação desta obra, a Gallimard passa a ter a totalidade dos escritos de Jean Cocteau no seu catálogo.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:17 AM | Comentários (0)

Almedina abre em São Paulo

O grupo livreiro e editorial de Coimbra, Almedina, abriu no passado dia 8 de Maio o seu primeiro espaço comercial no Brasil.
Situado em São Paulo, na Alameda Lorena, 670, ambiciona facturar mais de 500 mil euros no primeiro ano.

O grupo Almedina compreende a casa editorial, com o mesmo nome, especializada em temáticas jurídicas, assim como o catálogo recém-adquirido das Edições 70 (apesar de a maior parte dos títulos das Edições 70 ser importada e esses títulos não estarem, provavelmente, autorizados a serem comercializados no Brasil).

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:00 AM | Comentários (0)

maio 15, 2006

Boa utilização do papel na indústria do livro

A Extratexto - Publicação e Artes Gráficas em Revista tem todo o prazer em apoiar e divulgar a iniciativa The Green Press.

Dessa forma, pedimos a todos os interessados que leiam, e integrem nas suas editoras, as melhores práticas no uso inteligente do papel.

Guidelines for Paper Use

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 07:57 PM | Comentários (0)

London Book «Fair»?

Parece que está resolvido o dilema surgido na semana passada, aquando do anúncio da Frankfurt Book Fair (FB) de organizar uma feira em Londres que rivalizasse (entenda-se, destruísse) com a rival London Book Fair (Reed).

A oportunidade da FB surgiu após o enorme descontentamento com a opção errada da Reed em mudar de instalações para as docas de Londres (espaço ExCel), local fora-de-mão e que originou grande desagrado em todos os presentes (longe dos hotéis, dos restaurantes, do Soho ou dos teatros do West End). Como se sabe, quando um ponto desagrada todos os outros parecem piores e, assim, várias foram as queixas apresentadas que passavam pela má distribuição do espaço ou a falta de qualidade dos serviços de apoio, por exemplo.

Foi assim que a FB anunciou na semana passada que passaria a fazer no mês de Abril (mês e meio depois da LBF) uma grande feira do livro, situada no melhor espaço do centro de Londres (Earl’s Court), com a presença e agrado garantido de mais de metade da indústria (em termos de share de mercado).

A Reed, longe de se sentir ameaçada, reagiu com a violência empresarial com que já nos habituaram neste fortemente concorrencial meio empresarial.
Foi-nos assim anunciado agora que a Reed garantiu Earl’s Court como o espaço da sua feira, na data anunciada pela FB (entenda-se, pago mais de forma a que ficassem com contrato da FB), durante os próximos anos.

Se é difícil vencê-los, destrói-os, parece ser o lema.

Nota: a FB está a estudar a possibilidade de entrar com uma acção judicial.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 12:19 PM | Comentários (0)

maio 11, 2006

Edição Mundial – valores de 2005

A Bowker (empresa líder mundial de estatísticas de edição) revelou ontem os valores referentes ao ano de 2005 nos EUA, e as surpresas são muitas e revelam mudanças.

Durante dez anos, a tendência mundial de publicação foi a da multiplicação da oferta disponível a níveis nunca antes observados (política essa qualificada pelo CEO da Faber como «política do esparguete: atirar à parede para ver o que cola»). Nos EUA atingiu-se o valor máximo em 2004 com 190 000 novos títulos, mas eis que as acentuadas quebras de vendas nesse mercado (contrariamente à tendência de crescimento de países como a França, Espanha ou Inglaterra) levaram a uma nova alteração na política de publicação: contenção e critérios.
Juntamente com a quebra nas vendas, aponta-se o aumento (duplicação) do preço do papel – devido aos custos do petróleo – como causa para a quebra registada neste ano de 2005.

A quebra global foi de 9,5%, de 190 000 para 172 000 novos títulos, em particular da parte dos indies (editoras independentes ou não ligadas a grandes grupos empresariais), e nos segmentos mais mainstream, como a ficção e o livro infantil. Do mesmo modo, tem-se vindo a acentuar a quebra na edição religiosa, o que tem levado ao encerramento de várias livrarias da especialidade e à fusão das principais casas de edição.

Contrariando essa tendência, os mercados europeus seguem em forte crescimento (com destaque para o Reino Unido, França e Espanha), tendo o RU ultrapassado os EUA como principal editor de língua inglesa (204 000 novos títulos/ano, num aumento de 28% – 45 000 novos títulos) Os valores globais em França situam-se nos 56 000 e em Espanha de 77 000 títulos/ano.
Dados os valores capitalizados por alguns dos grandes grupos empresariais, prevê-se que ocorram algumas aquisições nos próximos tempos, nomeadamente através da compra de editoras de segmentos emergentes (como o desporto ou o livro prático), e em mercados emergentes como o Brasil, a China ou a Índia.
Destaque 1: a Pearson Inc. aumentou a percentagem detida na PMB (Mondadori) para 80%.
Destaque 2: a reorganização das principais redes livreiras inglesas por intermédio de OPA hostis consecutivas, nomeadamente entre a Ottakar’s e a Waterstone’s, via HMV, empresa de fusões e aquisições.
Destaque 3: regista-se uma transferência das publicações académicas para meios de publicação não tipográfica (nomeadamente PDF e e-book), com quebras gerais de mais de 10%, antecipando a aplicação da Recomendação de Acesso Livre da Comissão Europeia, que obrigará à gratuitidade de acesso a todas as investigações patrocinadas por organismos estatais ou comunitários.

Em Portugal estima-se que no ano transacto tenha ocorrido um crescimento reduzido do número de livros publicados, que se manterá actualmente perto dos 17 000.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:00 AM | Comentários (0)

maio 10, 2006

Sinapses

Se de ligações está a Internet cheia, eis que surge agora uma nova Sinapse, portuguesa, que se intitula «editora online».
A ideia é simples e uma variação da chamada Print-on-Demand, que tem como grande exemplo mundial a www.lulu.com que edita semanalmente mais do que qualquer editora no mundo.
Mas vejamos este projecto mais em detalhe.

A ideia foi trazida para Portugal por João Pedro Pereira, Jorge Vaz Nande e Rui Justiniano e encontra-se presente em www.sinapses.net.
Ao contrário de outras plataformas de edição online, a Sinapses não permite que seja o próprio (futuro) autor a fazer o processo de edição, utilizando aparentemente uma plataforma de edição em Acrobat PDF ao invés de processos mais «ergonómicos» como o Blurb (vide blurb.com). Igualmente não anunciam a possibilidade de opção por layouts de diferentes configurações ou propósitos, deixando todas as opções de design e edição, aparentemente, por sua decisão.
Dirige-se a um público-alvo de baixo segmento, como pré-autores e jovens escrevinhadores, concentrando o processo comercial na rentabilização do processo e não do produto.
Com base nessa avaliação, e supondo-se que não terá meios de rentabilizar directamente a produção de uma real Print-on-Demand, a Sinapses retém o direito de publicação na sua plataforma – não a disponibilizando directamente – até ter garantia do interesse do produto para proceder ao trabalho de pré-impressão, que é disponibilizado gratuitamente. Como modelo comercial visível oferecem apenas a possiblidade de transferência do meio online para versão tipográfica através de patrocínio ou, como acabam por referir, de prestação de serviço em modelo de co-edição em parceira comercial com empresas ou financiadores. Anunciam igualmente a possibilidade de venda de espaço promocional na Internet – apesar de não especificarem os formatos promocionais de captação de espectadores para a sua página.
O ponto mais curioso da oferta da Sinapses é o facto de referirem não cobrar valor algum - ou participação financeira - para o modelo online, podendo o autor manter as obras em formato PDF para descarga e impressão caseira (formato A4), revelador que não optaram pela aposta prioritária em impressão digital e deixando a empresa com fraca estrutura de financiamento - excepto na ocasional captação de vanity publish.
Após esclarecimento da editora ficámos a saber que o formato tipográfico não será baseado no modelo PDF indicado, sendo fornecido um serviço de publicação regular com distribuição por cadeia indirecta.
Outra curiosidade prende-se com a dificuldade de oferta do produto às redes livreiras, pois manterão o formato gratuito online que poderá desagradar a quem pretenda comercializar os futuros livros.

Mantenho ainda a curiosidade em saber se pretenderão enveredar por serviço de packaging de produção digital, propondo a editores e outros parceiros a passagem e edição em e-book de determinados produtos (como os complementares de impacto segmental), nomeadamente a institutos universitários e centros de investigação.

A Extratexto gostaria de dar as boas-vindas à Sinapses, elogiando a opção pela inovação e a aposta no nosso mercado editorial, sempre tão avesso às novas tecnologias.
Esperamos também que desta sinapse venham boas ideias, produtos e todo o sucesso necessário.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:26 PM | Comentários (0)

maio 09, 2006

O Anti-livro

Que algo se está a passar no mundo da criação de conteúdos para livro, isso já ninguém duvida. Com a necessidade de fornecer uma tão grande quantidade de produtos novos para comercialização – devido à alta rotatividade do mercado –, associada à também forte necessidade de rentabilização geral e de cada um dos títulos, levou a que o mercado do livro se tornasse num cenário de guerra modernista onde quase tudo vale, desde os soldados novos e mal preparados aos grandes titãs de páginas vazias e armados com armas comerciais de destruição maciça, mas agora, entre eles, chegam os mais desleais de todos: os andróides e os clones.

Metáforas à parte, os livros que saem para o mercado não são todos iguais nem têm todos as mesmas condições de sobrevivência nos escaparates. Não nos referimos às opções legitimamente tomadas pelo público consumidor que, por vezes inexplicavelmente, opta por um produto algo medíocre em detrimento de outro ligeiramente menos medíocre ou até bom, mas sim às condicionantes comerciais que possibilitam que alguns livros tenham um maior investimento promocional – que raiam as leis da concorrência – e anulem produtos de qualidade geral elevada e cujo mercado sente a falta, abafando igualmente outras tentativas legítimas de comunicação para o público-alvo ou até forçando a retirada apressada de livros de toda e qualquer vista comercial: uma versão de Desaparecido em Combate, editor’s cut.

Não havendo critérios de qualidade que consigam estabelecer o natural equilíbrio no mercado, surgem vários produtos kamikaze – que servem para morrer rapidamente e destruir o mercado tentando tirar o máximo proveito – cujos processos de produção de conteúdos têm vindo a ser alvo de muitas críticas nos últimos meses em diferentes partes do globo, nomeadamente os casos de plágio descarado ocorridos nos EUA (vide Kaavya Viswanathan) e na Argentina (vide Jorge Bucay).
Não confundir com a crítica de JP George a Margarida Rebelo Pinto, cujo suposto auto-plágio não pode ser assim considerado, e até é um paradoxo.

O leitor, hoje em dia, começa a ser uma massa mais alargada mas, simultaneamente, mais omnívora e ingénua (como nos diz Alejandro V. García, para que não me acusem de plágio...), que consume livros sem possibilidade de os ler ou querer ler – já nem sequer os compra para colmatar a tradicional necessidade de ocupar um espaço numa estante «obrigatória» na sala de estar. Compra por comprar ou, como Raquel Mouta também já referiu, para preencher «fisicamente» um vazio existencial. Já nem referindo a falta de fidelidade de que José Afonso Furtado nos fala, o mercado é hoje não um espaço cultural, ou sequer aleatório, mas sim um mercado regido por alguns elementos-chave que controlam os 20 títulos que terão 80% da rentabilidade (num cenário que para alguns seria perfeito), num estreitar de possibilidades e em que cujas margens rolam, preteridos, escolhos semelhantes.

No passado mês, no final da conferência ocorrida na Casa Fernando Pessoa abaixo citada (ver post dia 28/04/2006), António Guerreiro tentou abordar sucintamente esta temática mas, para lamento meu, não a pôde/quis concluir. Espero com isto lançar o repto (passem a palavra, por favor) para que este excelente crítico possa abordar o assunto numa próxima edição do jornal Expresso.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 11:49 AM | Comentários (0)

maio 08, 2006

Feira do livro de Frankfurt vs Londres (LBF)

A melhor defesa é o ataque, desde novos ouvimos dizer.
Mais ainda quando o jogo que se desenrola é a grande final da comercialização de direitos internacionais numa indústria que gere milhões por todo o globo.
Desde sempre – e deixem-nos sublinhar o sempre - que a Frankfurter Buchmesse é referência na comercialização de livros, pois desde que na «casa ao lado» Gutenberg juntou uns «tipos» e imprimiu umas bíblias que a cidade se mantém na ribalta tendo, a partir de 1949, ganho um novo impulso e concentrado em seu torno o principal mercado de transação de direitos de publicação (assim como direitos complementares e subsidiários, multimédia, etc.) de todas as línguas do mundo.
Com a hegemonia do inglês, a Feira do Livro de Londres tem vindo a ganhar cada vez mais importância e dimensão, crescendo a um nível tal que alguns consideram-na já como uma «mini-Frankfurt».
Não vá a criança crescer, a organização da Frankfurter Buchmesse anuncia agora a criação de um espaço alternativo (diríamos mesmo concorrente) que ocorrerá a partir de 2007 e durante o mês de Abril (um mês após a LBF e Paris e pouco antes de Bolonha) na cidade de Londres. A oportunidade para o golpe, que se crê quase letal, tem por base o descontentamento de alguns dos principais agentes relativamente à incapacidade de crescimento do espaço ExCel (da LBF), assim como a relativa distância a que a mesma está do centro de Londres. Naturalmente, a nova feira, denominada Earl’s Court, não sofrerá das mesmas maleitas e já garantiu a presença dos 6 principais agentes no seu espaço (que representam cerca de 60% da publicação total do Reino Unido).

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 03:58 PM | Comentários (0)

maio 05, 2006

Como capturar um leitor num lago de livros?

Pela capa, diz-nos Sheila Parr, no BBBB.

Neste magnífico post, a bloguer e designer editorial da Greenleaf Book Group explica-nos os truques do ofício para que uma capa atinja sempre o seu objectivo principal, pescar leitores.

Ler aqui.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:24 AM | Comentários (0)

Livros de cama?

O marketing diz-nos que devemos procurar sempre encontrar formas de satisfazer as necessidades do nosso público, mas livros para ler na cama?

Vejam esta oferta curiosa e pensem se realmente estarão a ser enganados com um truque de cabeceira...

Ver aqui.

Publicado por Nuno Seabra Lopes às 10:20 AM | Comentários (0)